Jazz para rinocerontes -

    Paulo Monteiro

    Moinhos
    2017
    58 páginas
    1h 56m
    ISBN-13: 9788592579173
    Português Brasileiro

    Em todas as linguagens a nave vai O Avant-garde jazz, ainda que remeta à sensação de total improvisação, desenvolve uma linha narrativa sobre uma base musical preestabelecida, sobre a qual a improvisação é então elaborada. Há determinados casos em que a improvisação faz mesmo parte da composição original, nota por nota. A “orquestra do caos” que toca na mente de Paulo Monteiro associa-se à essa linha narrativa, fértil em elementos, que provoca uma sensação vertiginosa de símbolos, metáforas e personificações: erupção de (auto)imagens(?): Ginsberg, Kafka, Dionísio, Frankenstein, Roberto Piva, Van Gogh, Milles Davis, Nero: como “visões do fim da tarde”, esses nomes aglutinam-se com sensações paradoxais da experiência, ora com a escrita (“meus versos são cânticos para o demônio pessoal”), ora com experiências bizarras (“meu primo morreu asfixiado com um osso de frango”), seja através da tragédia amorosa (“teu amor morrerá em breve nos teus doces delírios”), ou da fantasmagoria da memória (“agora o espectro derruba as panelas da minha mãe”): o jogo rápido das imagens (centro atrativo do livro), os saltos temporais e a colagem das situações banais se conjugam em um pano de fundo absurdamente realista: os versos curtos dão um efeito de celeridade e voracidade frente às imagens construídas, amalgamado com o absurdo e uma certa sedução nonsense que supera qualquer limite. É realmente contagiante a leitura. Os cortes que Paulo compõe privilegiam uma linguagem delirante, em aceleração constante, porém dilatando sentidos que não se cristalizam na sensação. Em alguns momentos, o jogo de palavras enriquecem o texto, pois quebra a expectativa de uma sequência apriorística. Orelhas escrita por Madjer de Souza Pontes

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    Tatiana Gama picture
    Tatiana Gama17/04/2017Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    De verdade, não sei como descrever poesia e, portanto, vou falar apenas daquilo que me move no livro. O jogo de palavras e as imagens que o autor cria, realmente, me lembram o ritmo de um concerto de jazz, em que as vezes um instrumento pode, sorrateiramente, sequestrar uma música inteira. Ou, então, quando em um dado momento o ritmo modifica-se, sem que você perceba instantaneamente. Quando nos damos por nós, já estamos movendo em uma outra batida, ou então, a música acabou quando você não estava esperando e aquela realização demora para acontecer. E, eu tenho que dizer: não é fácil criar ritmo, imagem e som com a linguagem. É relativamente simples envolver o leitor em uma história porque todos aqueles que gostam de ler gostam, também, em alguma medida de descobrir o final ao desenrolar de uma história. Criar uma experiência sensorial, por outro lado, é algo de difícil execução. Não vou mentir e dizer que entendi, de maneira particular, o porquê do título do livro. A parte do jazz eu fui capaz de compreender, mas a parte dos rinocerontes eu posso apenas deduzir – talvez bem erroneamente – que não só tem uma parte sonora como também tem a ver com a junção de coisas que não vão juntas. Pra mim, é essa junção entre coisas que não fazem sentido juntas é o que torna Jazz Para Rinocerontes especial.

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