Não sei ao certo nem por onde começar esta resenha. Uma parte de mim ficou junto ao último capítulo, e o mangá ficará para sempre comigo.
Dragon Ball é daquelas obras cuja grandeza só se compreende plenamente ao lê-la. Todos conhecem Dragon Ball, pode até ser visto como um desenho de criança, porém vai muito além disso.
Todas as sagas são incríveis; em especial, gosto das que retratam o Goku criança. É impossível passar por um volume sem dar risada.
O mangá é muito bem construído. No início, assume um tom mais leve, quase de brincadeira, mas, com o tempo, passa a adquirir certa seriedade, e o universo começa a ser explicado de forma mais clara. Adorei o cuidado do autor com pequenos detalhes, como, por exemplo, a diferença na personalidade do Trunks que cresce com o pai em relação ao que cresce sem ele: é sutil, mas bela.
Sobre os quadros, não tenho muito a dizer. Não são impactantes como os de Miura ou de outros mangás seinen, mas também não causam estranhamento, estão na medida certa. Aconselho fortemente a leitura da versão colorida, que melhora muito a experiência, principalmente nas cenas de luta.
Goku é um protagonista puro. Sempre me toca a capacidade que ele tem de perdoar os vilões, que, posteriormente, passam a se tornar seus aliados. Piccolo é um exemplo claro disso: ele se transforma em um grande ajudante dos pequenos, quase um segundo pai para Gohan.
Algo que também me agrada muito é o cuidado constante com a narrativa. É difícil que algo seja esquecido definitivamente; mais cedo ou mais tarde, retorna.
A única coisa que me causou incômodo foi o fato de se falar tanto sobre como era difícil se tornar um Super Saiyajin e, depois de um tempo, isso acabar sendo “normalizado”. Entendo o fator genético, mas, ainda assim, não me agradou. Ah, e se levar as piadas com conotação sexual para um âmbito mais sério pode se tornar um problema também, nos primeiros volumes usam e abusam da inocência do Goku para fazer elas, particularmente não vi nada sério, crianças geralmente reagiriam da mesma forma que ele, o problema reside mais na alta incidência delas. De resto, que obra!
Sendo ou não leitor de mangás, simpatizando ou não com Dragon Ball, todos deveriam dar uma chance à obra. Foi a partir dela que muitos conceitos surgiram, a fusão é um deles, posteriormente utilizada em outras obras, como Steven Universe, que ganhou destaque.
Enfim, leia. Você não irá se arrepender de colocar Dragon Ball em sua vida; no máximo, vai se arrepender de não conseguir parar de ler e acabar perdendo a noção do tempo, digo por experiência própria. Estou ansiosa para iniciar o Super!
Muito obrigada, Akira Toriyama. Que descanse em paz.