“A assombrosa data de 12/12/12 passou e nada aconteceu ao mundo. E veio o 21/12/12 e também nada aconteceu. O planeta Terra não colidiu com nenhum outro corpo celeste nem explodiu como um balão de gás. Estamos vivos. Nada de extraordinário aconteceu. A vida seguiu seu curso natural. Sério? Nada aconteceu? Não diga isso aos moradores de uma pequena cidade chamada Ludovica, localizada no semiárido nordestino do Brasil. A data de 12/12/12 será lembrada por eles – tanto os mais velhos quanto os moços – durante décadas”. Ludovica é um lugar tão abrasador e fumegante que mais parece uma caldeira, onde as pessoas têm o costume de fritar ovo com toucinho nas pedras ferventes dos calçamentos. É neste cenário que a trama se desenvolve, basicamente em três dias, no período de 10 a 13 de dezembro de 2012. O ápice se dá exatamente em 12/12/12, a misteriosa data envolta na superstição sobre o fim do mundo anunciado pelo calendário maia. Amarildo Feitosa, um respeitável senhor de 50 anos, casado, pai de três filhas, é o delegado titular da Delegacia de Homicídios da cidade. Quando a história começa, Feitosa está sobrecarregado com a rotina das investigações de sua delegacia: o caso do contraventor que flagrou a esposa com o amante e surrou os dois quase até a morte; a dona de uma pensão (uma senhora sexagenária) que se apaixonou por um jovem hóspede e o assassinou friamente, após ser rejeitada; e o estudante amalucado que tentou assassinar os vizinhos, acusando-os de lhe roubar seus objetos eróticos. Além destes e de outros casos, o delegado também está cheio de problemas domésticos: a gravidez inesperada de Letícia, a filha mais velha; o casamento infeliz com Adélia, a esposa vaidosa e arrogante que ele não ama; e as loucuras da mãe, Quitéria, uma viúva de setenta anos, ninfomaníaca e alcóolatra, que está se aventurando com garotos de programa e frequentando casas de jogos ilegais. Em meio a tudo isso, o delegado Feitosa ainda tenta esconder um caso amoroso que ele mantém às escondidas, “o único motivo de fazê-lo sorrir na atual circunstância”. Algo que, se for revelado, provocará o fim de sua carreira na Polícia Civil. Poderia ficar pior? Claro. Na segunda-feira, dia 10 de dezembro, a população de Ludovica é abalada pelo brutal assassinato de Pedro Bulhões, o mais famoso ator de teatro da cidade, um artista polêmico, amado e odiado, homossexual assumido e de língua solta. O ator tinha lançado bem recentemente uma autobiografia onde contava detalhes picantes de sua vida amorosa, que envolvia figuras da alta sociedade local. Teria sido esse o motivo de tão bárbaro crime? As más notícias para o delegado não param por aí. Numa blitz, a polícia prende um rapaz que, ao puxarem sua ficha, descobrem ser suspeito de cometer vários assassinatos em série, principalmente de mulheres. Os jornais logo noticiam o fato: “Prenderem o Carrasco do Diabo, matador de mulheres”. A partir daí, o autor potiguar Edson Soares desenvolve um romance surpreendente, com uma trama intrincada e magistralmente concatenada. Usando um estilo ousado e criativo (que mistura as características próprias do romance policial com a linguagem jornalística, cinematográfica, teatral, radiofônica e de graphic novel), o autor vai cruzando a vida dos diversos personagens em um verdadeiro quebra-cabeça.
O Fim Que Os Deuses Darão a Mim ou a Você -
Edson Soares
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Ver maisÉ ENORME, mas vale a pena!
Oi, gente? Tudo bem com vocês? Hoje eu vim falar pra vocês sobre o livro O Fim que os Deuses Darão a Mim e a Você, do autor nacional Edson Soares. Meu primeiro aviso te antemão é: não se intimidem com o quantidade de páginas! Em O Fim que os Deuses Darão a Mim e a Você vamos conhecer alguns moradores da pequena e agitada cidade de Ludovica. Feitosa é o delegado dessa cidade e acaba sendo por onde nós vamos conhecer e acompanhar todos os acontecimentos – mas, lembrem-se, existem muitos personagens aqui para serem conhecidos! Em meio a vários causos que tem que resolver na cidade, ainda tem que lidar com a insatisfação pessoal quanto a sua pessoa da esposa e as duas filhas. As coisas começam a esquentar, porém, quando o ator Pedro Bulhões é assassinado e Feitosa começa a investigar o caso, junto com a sua equipe e nessa trama de descobrir possíveis culpados, somos apresentados a diversos outros personagens como Quitéria, a mãe do Feitosa, sua filha Letícia que mantém um diário com seus pensamentos mais íntimos, um serial killer que encanta, um garoto de programa que quer melhorar de vida e acredita que essa seja a melhor saída… Como que todos esses personagens vão se cruzar por causa da morte de um homem? Então, vamos lá! Vamos falar sobre esse livro gigante que consumiu alguns dias meus e várias horas para que eu pudesse escrever para vocês o mix de sentimentos reunidos. Os personagens do livro são desenvolvidos de maneira inteligente, alguns nós conhecemos o passado, outros apenas uma amostra do passado recente, o suficiente para que ele tenha sua própria força e características no presente. Feitosa acaba sendo o personagem que mais aparece, mas existem outros que, para mim, são tão importantes e mais interessante que ele. O mais curioso é que de uma maneira ou de outra esses mesmos personagens vão se sobressair, vão mostrar para o que veio. Exemplo claro é de Diva, a menina que vê a mãe ser assassinada. Aqui é bem claro para mim que as definições de liberdade são diferentes para cada ser e Diva é tão doce, tão ingênua, tão amorosa. Ela merecia muito mais, mas o que ganha já é o suficiente. Com certeza um dos pontos mais positivos com relação ao livro é as diversas maneiras que o autor tem de escrever, ora brutal, ora extremamente sentimental, se adequando aos personagens – se é uma adolescente escrevendo em um diário, teremos um texto todo marcado, riscado, com sonhos, desejos, temores. Se é uma peça de teatro, teremos todas as características desse texto; se são pessoas simples, violà, esperem por uma linguagem de rua ou cheia de gírias. O autor não tem medo de dar vida sobre quem ele está escrevendo e isso é mágico. Um contador que consegue se adaptar ao que é necessário para deixar sua história o mais próximo do real é simplesmente incrível. Existe força em suas palavras, uma relevância para que elas se tornem ainda mais presentes. É um livro complexo, cheios de histórias interligadas, muitas delas nos faz ansiar em descobrir o que vai acontecer e a quantidade de reviravolta que tem apenas prende o leitor em suas páginas, onde conhecemos o ponto de vista de mortos, o melhor lado de um ser humano e também o pior, como uma mãe ama uma filha além da morte e como alguns filhos não respeitam os pais. É muito difícil de falar de um personagem, especificamente, quando todos eles tem sua própria trajetória. Meus problema com o livro foram, de fato, a quantidade de páginas que ele tem. Eu sou uma pessoa que me sinto intimidada em alguns momentos por livros muito grandes e em vários momentos senti que não eram necessárias tantas páginas para o desenvolvimento do livro, ainda que tenhamos diversos pontos de vistas. Em alguns momentos a leitura torna-se maçante, pois as informações ali presentes não tem relevância. Além de tudo isso, existem alguns elementos fantásticos da história, que eu não sei bem se me agradam, mas que também não atrapalha na leitura.
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