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    Mundos Paralelos - 10 contos além da imaginação pelos escritores-fenômenos do Wattpad Brasil

    Juliana Parrini

    Abril
    2017
    200 páginas
    6h 40m
    ISBN-13: 9788555791673
    Português Brasileiro
    3.6
    456 avaliações
    Leram622Lendo34Querem232Relendo2Abandonos25Resenhas39
    Favoritos25Desejados232Avaliaram456

    A Mundo Estranho acaba de lançar seu PRIMEIRO LIVRO DE FICÇÃO! “Mundos Paralelos” traz contos inéditos de fantasia e ficção cientifica de dez dos autores mais populares do Wattpad Brasil.

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    Rodrigo Rahmati picture
    Rodrigo Rahmati10/06/2017Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    Fraco

    Nessa coletânea, o organizador Felipe Sali juntou autores famosos no Wattpad — que, todo mundo deve saber, é uma plataforma / rede social de escritores — e pediu–lhes que escrevessem um conto inédito para a obra. É claro que, justamente graças à proposta de ser também uma rede social, onde os “likes” contam muito (e aqui são votos), nem sempre os mais famosos são os que necessariamente escrevem melhor — o são, na verdade, aqueles que têm um maior engajamento com o seu público. Longe de mim dizer que todos os famosos escrevem mal ou que os que escrevem bem não são reconhecidos; só estou dizendo que essa acaba não sendo a regra da plataforma. Assim sendo, comprei a coletânea justamente para avaliar isso: a qualidade dos autores selecionados e dos contos escritos… E já devo dizer que só confirmei o que imaginava: que abundam as boas ideias estragadas por más execuções, mas que haveria, claro, contos bons, apesar disso. Para ser mais específico, vou fazer um breve comentário sobre cada um dos 10 contos. Espero não irritar ninguém, mas, se isso acontecer, paciência. • Caça e caçador, de Rô Mierling De cara, já a confirmação do que eu temia: escrita quase amadora, ideia “inspirada” pela moda de distopias adolescentes — onde pessoas têm que se matar por causa do governo malvado —, personagens estereotipados e trama previsível. O final melhora um pouco a coisa toda, mas, ainda assim, merece uma nota 2 de 5. • Alegoria da caverna, do organizador Felipe Sali Esse é melhor do que o primeiro. A escrita melhora, e a história é mais interessante, uma ficção científica que trabalha, como o título sugere, e a possibilidade de se contentar com ilusões agradáveis ao invés da dura realidade. É um bom conto, mas senti que faltou aquele tchan que fisga o leitor. Nota 3 de 5. • Sobrenatural, de Lilian Carmine Esse conto me deixou com um sorriso no rosto! A escrita não é nada que se diga memorável, e é bem leve especialmente por narrar o ponto de vista de uma adolescente, mas a história de fantasia, além de tratar de uma coisa que sempre me deixa pensando — do tipo, “como seria se…” —, tem um finalzinho que realmente me pegou de surpresa. O conflito se resolve muito rápido para o meu gosto, mas tem referências legais. Nota 3,5 de 5. • Amigo de lata, de Aimee de Oliveira Um conto bem interessante por causa da abordagem psicológica da ficção científica. Nesse ponto da leitura, eu estava pensando “nossa, colocaram os contos numa ordem de o pior para o melhor”, mas quem dera se fosse assim. A escrita de Aimee é boa, a trama se desenvolve numa boa velocidade e a relação da protagonista com o “amigo de lata” do título é gostosa de se ler — e o final é bom. Nota 3,5 de 5. • Perfeito problema, de Clara Savelli Aí voltamos aos problemas do primeiro conto: escrita; trama inverossímil; distopia adolescente… só que ainda mais inverossímil e adolescente do que aquele. Não tem nem a salvação do final interessante. Nota 1,5 de 5. • Abbie, de Marcus Barcelos Ao que tudo indica, esse conto diz–se de terror e trata de possessão por um espírito maligno. “Ao que tudo indica” porque eu desisti do conto no meio. Não que seja exatamente ruim; acontece que começa com uma escrita tão chatinha e tanto infodump para um conto curto que, honestamente, eu já não me interessava pelo que aconteceria antes mesmo que acontecesse. Só acho que, em um conto em que as coisas demoram a começar a acontecer, a escrita deve garantir a permanência do leitor. Nota 1 de 5. • Memórias perdidas, de Juliana Parrini A ideia desse é legal — uma cientista que se torna cobaia do próprio experimento em prol da humanidade e acaba mudando de ideia por egoísmo. Acontece que faltou técnica para passar isso para o papel de maneira emocionante. Tudo acontece na ordem “certa”, digamos, mas o conto me pareceu meio como uma comida de restaurante popular — o tempero está lá, mas… falta algum cuidado na preparação. Nota 2,5 de 5. • Liberdade comprometida, de Thati Machado Nesse conto, voltamos mais uma vez às distopias de governos malvados, mas aqui a autora, além de escrever melhor, traz uma visão mais interessante às coisas. Existe um questionamento válido às questões de cores de pele e classes sociais, e a mensagem que o conto passa não é rasa quanto a dos outros contos do mesmo gênero na coletânea. Nota 3 de 5. (Obs.: Só o sobrenome da personagem poderia ser melhor, né, dona autora? “Condon”, jura?) • Perpetuação, de Mila Wander Outra distopia. Falar o quê, né? Está na moda mesmo. Outra coisa que está na moda é escrever no tempo verbal presente. Mas concordo que nenhum desses aspectos é um ponto negativo por si. O que os torna ainda mais maçantes é que não há muita coisa que ajude aqui — a trama, ou a escrita, ou os personagens, ou o conflito que se resolve de maneira rápida e boba… Nota 1,5 de 5. • Fragmentos, de Chris Salles A trama desse conto é mais interessante — nela, a protagonista, ao contratar uma empresa de teletransporte, descobre que, na verdade, ao invés de levar uma pessoa do ponto A ao ponto B instantaneamente, eles criam uma cópia da pessoa no ponto B. Acontece que a boa premissa se perde num desenvolvimento confuso e apressado. Nota 2,5 de 5. No final, então, a média é de 2,4, mas vou dar mais 0,5 pontinho por causa do projeto gráfico, que é lindo, com um verde–água muito bonito no miolo todo, e com uma ilustração para cada conto — mas é uma pena que não é só de projeto gráfico que vive a literatura. Faltou aqui um bom revisor — tanto nas questões de ortografia e gramática quanto nas de trama e verossimilhança das cenas —, e isso, infelizmente, reduziu muito a qualidade que a obra poderia ter. Nota final de 2,9 de 5. Sinto muito, Wattpad, mas ainda não foi dessa vez que você me convenceu a dar atenção aos usuários que ostentam suas milhares de leituras. ¯\_(ツ)_/¯

    15 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.6 / 456
    • 5 estrelas19%
    • 4 estrelas29%
    • 3 estrelas36%
    • 2 estrelas13%
    • 1 estrelas3%
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    Juliana Parrini

    JULIANA PARRINI é carioca, web designer e se define como leitora compulsiva, cinéfila, enófila, amante de rock e mãe coruja. O romance Depois do que aconteceu, sua estreia no mundo literário, alcançou mais de 4 milhões de leituras na plataforma Wattpad no ano de 2014 e emplacou o 1º lugar no ranking da revista Veja como livro digital mais vendido do Brasil, assim como seus outros livros publicados. Depois do que aconteceu, Antes que aconteça e Novamente você foram publicados pela editora Companhia das Letras, através do selo Suma de Letras. Em 2016, os direitos dos romances Depois do que aconteceu e Antes que aconteça tiveram seus direitos adquiridos para adaptações cinematográficas. Tudo ou nada, livro publicado de forma independente em e-book, alcançou mais de 3 milhões de páginas lidas no Kindle Unlimited da Amazon e se manteve em destaque como mais vendido por mais de 15 dias consecutivos. A autora já conta com mais de 12 milhões de leituras na internet. Enquanto o sol brilhar, Com Você, Com ela e a antologia Mundos Paralelos, publicado pela Editora Abril, Inesquecível lançado pela Qualis Editora, Aconteceu naquele Natal, Que assim seja, amor e Agora ou nunca, também são livros de sucesso da autora. Juliana é casada e mora desde janeiro de 2017 na Serra Gaúcha com o marido e os dois filhos.

    13 Livros
    250 Seguidores
    Rio de Janeiro, Brasil

    Juliana Parrini