Alguns livros você começa a ler e, quando vai retomar, não consegue mais acompanhar. Um homem em fuga é o contrário: você não deve parar de ler, porém, caso precise, em duas ou três páginas o fôlego de chegar ao desfecho recomeça como se fosse a primeira vez.
Deliciosamente previsível do começo ao fim, um detetive assassino, Walker, persegue o sobrevivente e única testemunha. Nenhum mistério, nada de suspense: pura ação e tensão. Acho que é o que rotulam de thriller. Cenas narradas impecavelmente inspiram ódio e, como se estivéssemos na pele de Jimmy, desejo de que acabe logo o desespero.
Simplesmente amei! Talvez pela minha saudade de histórias do gênero, talvez porque o autor entenda do assunto — Himes começou a escrever na penitenciária, enquanto cumpria sete anos por assalto a mão armada, informa a orelha do livro. O começo da cena que mais gostei, capítulo 17, infelizmente muito longo para transcrever todo aqui, quando Walker se embrenha no prédio onda mora Jimmy e Linda, a namorada:
TRECHO
"Walker levou o elevador ao terceiro andar, apagou a luz e desligou a força. As portas podiam se abrir, mas o elevador não se movia.
Ficou dentro do elevador escuro, vigiando o corredor através da portinhola. Tinha de ficar muito perto da porta, com os olhos quase encostados no pequeno vidro em forma de losango, para ver a porta do apartamento de Linda Lou e o fim do corredor. Estava ali há muito tempo. Ninguém apareceu.
Eram quase seis horas quando viu Jimmy sair para o corredor e bater na porta. Tirou do bolso o revólver com silenciador e o segurou com a mão direita.
Jimmy caminhou para o elevador, andando como um sonâmbulo, sem olhar para nenhum lado. (...)"
Detalhe: na tradução, foi mantida a unidade de medida estadunidense galão. Entenda-se um galão por, arredondadamente, 4 litros.