O livro busca investigar o sexo em seus diferentes aspectos de forma inovadora: a relação mística entre carne e espírito no que se refere às diferenças entre os sexos e na comunhão entre os mesmos. Num mundo onde características essenciais do sexo são negadas (sua fertilidade, sua dualidade, seus riscos, mistérios e deslumbramentos) e recebemos respostas simplistas de materialistas e ideólogos (quase todos à esquerda), a o livro é muito bem vindo.
A intenção do autor não é ofender, mas fica claro que, num mundo onde desvios das normas sociais impostas pelo complexo academia-governo-mídia são vistos como crimes terríveis, mesmo as críticas sutis do livro a certas tendências em nossa sociedade podem ofender certos grupos (LGBT, pró-aborto, hedonistas, e obviamente os anti-religiosos ou anti-católicos). Portanto, se você pertence a algum desses grupos, prepare-se para uma leitura cativamente e desafiadora, mas possivelmente desconcertante e desconfortável.
A grande falha do livro, se é que se pode usar o termo, reside justamente em algo que o autor não se propôs a fazer: explorar com real profundidade a questão da carne no seu aspecto místico de acordo com a ortodoxia. O autor aponta para essa necessidade, mas se reconhece incapaz de saná-la. Teremos que esperar por alguém mais capaz para nos aprofundarmos na questão;
Por fim, tem-se uma certa dificuldade com a tradução: o autor usa e abusa de trocadilhos intraduzíveis e de uma ironia que funciona bem no francês, mas é simplesmente confusa em outras línguas. Ainda assim, o estilo é agradável e a leitura, apesar de passar por grandes e complexos luminares do pensamento ocidental, de Platão a Heidegger, é ainda assim prazerosa e acessível.