No bojo da interminável discussão sobre a questão de Juazeiro do Norte destaca-se a Contribuição de Marcelo Camurça. Ele vai no rumo dos que como Ralph Della Cava e Luitgarde Cavalcanti Barros romperam com o maniqueísmo dos que exaltavam ou detratavam o Padre Cícero e passou a compreender a manifestação em função de um enfoque multidisciplinar, rigorosamente científico. Com método e criatividade, ele parte da revisão da bibliografia, excessivamente marcada pelo dogmatismo e a partir daí envereda pela análise da revolta de 1914. Esta "guerra santa" foi uma resposta do Cariri à queda da oligarquia Aciolly, em 1911, a partir da mobilização das camadas médias de Fortaleza, uma das chamadas "Salvações do Norte", que derrubara, outras oligarquias em Pernambuco, na Paraíba e em Alagoas. A reação veio como resposta dos "marretas", herdeiros do esquema de privilégios armado pelo velho "Babaquara" e não de todo desmontado, à consolidação da hegemonia da capital e como busca das elites do interior pela conquista de mais espaço na cena política estadual. As hostes leais ao Padre Cícero, pejorativamente tratadas como os "molambudos" escavaram trincheiras, lutaram e venceram os "rabelistas" que estavam no poder. Este episódio contou com intensa participação da imprensa e que foi mortalizado na literatura de cordel é revisitado por Marcelo Camurça neste trabalho definitivo que ajuda a compreender este período e a preencher as lacunas deste campo de estudos.
Marretas, molambudos e rabelistas (Saber Nordestino) - A Revolta de 1914 no Juazeiro
Marcelo Camurça
Maltese
1994
313 páginas
10h 26m
ISBN-10: 8571804788
Português Brasileiro
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