Em seu famoso ensaio "O Horror Sobrenatural na Literatura", H.P Lovecraft considerou Arthur Machen como um dos maiores Mestres do Horror. Sem dúvida, é um dos meus autores favoritos e foi uma experiência incrível retornar, após anos, a essa coletânea fantástica da Editora Clock Tower.
Machen tinha um estilo inconfundível, trazendo elementos místicos e enigmáticos, através de narrativas que priorizavam a construção de atmosfera e horror ocultos em símbolos e sugestões implícitas.
O escritor galês foi muito influenciado por sua infância na pequena vila de Caerleon, no País de Gales, onde testemunhou belezas naturais e mistérios arqueológicos, além das lendas e folclore de sua terra natal. Essa época causou uma forte impressão no pequeno Arthur que, mesmo adulto, se dizia assombrado por aquelas paisagens enigmáticas. Um dos aspectos mais interessantes de sua biografia foi sua passagem como membro de uma das maiores ordens esotéricas do mundo, a Ordem Hermética da Aurora Dourada, sociedade secreta surgida no final do século XIX, onde integraram também figuras famosas como o poeta W.B Yeats, o escritor Algenorn Blackwood e o mais famoso ocultista de todos os tempos, o polêmico Aleister Crowley.
Tudo isso, sem dúvida, influenciou diretamente a imaginação de Arthur Machen, nos 9 contos reunidos nessa edição da Clock Tower. Para além dos clássicos "O Grande Deus Pã" e "O Povo Branco", destaco:
"O Sinete Negro" - em que acompanhamos uma mulher que aceita viajar com um cientista até sua casa de campo, onde trabalhará como governanta. Chegando nesse local totalmente isolado por densas florestas antigas e uma sensação crescente de solidão, aos poucos ela percebe que seu empregador esconde segredos antigos e proibidos, algo diretamente relacionado a antigas crenças e histórias da região.
"A Pirâmide Reluzente" - dois amigos investigam estranhos círculos de pedras e misteriosos desenhos rústicos que aparecem em um muro, algo que pode ou não estar relacionado ao desaparecimento de crianças no vilarejo. Mas o que eles descobrem na floresta é algo muito mais profano e aterrador.
A edição ainda conta com um prefácio de S.T Joshi e uma extensa biobibliografia.