Se você achava que Boku Girl era só risadinhas e corações disparados, o Volume 9 vem mostrar que o amor, quando colocado à prova, pode doer — e muito. A história chega aqui a um ponto decisivo: Loki decide que a brincadeira acabou e que está na hora de reverter tudo. E com isso, Mizuki precisa responder à pergunta mais difícil de todas: “Você quer voltar a ser quem era?”
Este volume gira em torno dessa encruzilhada. Mizuki passou tempo demais sendo uma “garota” para que tudo simplesmente voltasse ao ponto inicial sem deixar cicatrizes. E é nessa dúvida existencial que Akira Sugito brilha: o mangá não força respostas fáceis, nem coloca a identidade de Mizuki como algo “resolvido” — pelo contrário, ele mostra como é difícil encarar o que fomos, o que nos tornamos, e o que queremos ser.
Takeru, como sempre, é um pilar confuso e fofo. Seu papel aqui é mais emocional do que ativo, mas sua presença é fundamental: ele é a âncora que Mizuki usa para decidir, com o coração, o que realmente deseja. O carinho, o cuidado, a ternura — tudo está ali, mesmo sem promessas.
E Loki? Ah, Loki mostra suas verdadeiras cores. Muito além do papel de alívio cômico, ele revela que seu objetivo nunca foi só causar caos, mas fazer Mizuki entender algo profundo sobre si mesmo(a). Ele assume ares quase trágicos, como se fosse o destino em forma divina: impiedoso, mas não sem propósito.
A arte acompanha esse tom com maestria. O traço fica mais contido, os olhares mais pesados, e até os painéis de comédia agora têm um peso simbólico. A transição entre leveza e angústia é feita com fluidez impressionante.