A Publicidade é Um Cadáver Que Nos Sorri -

    Oliviero Toscani

    Ediouro
    2000
    187 páginas
    6h 14m
    ISBN-10: 8500931957
    Português Brasileiro

    A publicidade não é a normalidade, mas o anormal. O normal em publicidade não interessa, não toca. Até onde se pode ir dentro da anormalidade para provocar? A campanha da Benetton é provocante, irritante, atraente, insuportável, no limite, além dos limites. Dramática porque é o próprio drama. Provocante: ela obriga a parar. Atraente: belas imagens, belo trabalho fotográfico. Insuportável: frequentemente difícil de ser olhada, porque delirante de desespero, de angústia. Toscani sabe despertar a atenção do consumidor como ninguém. Quem não se lembra desses outdoors erguidos em todas as cidades do mundo mostrando uma pele tatuada "HIV positivo"? E de todas essas imensas fotos de reportagem marcadas com o logotipo United Colors of Benetton? Essas campanhas publicitárias levantaram polêmicas acirradas por toda parte, foram proibidas em vários países e chegaram a ser mostradas nos grandes museus. Oliveiro Toscani, o criador de todas essas campanhas, responde com este livro a todas as críticas e desenvolve sua própria concepção sobre a arte publicitária. Para ele, a publicidade rosa, elitista, erótica, jovem, divertida, a publicidade suástica com suas modelos famosas e seus orçamentos colossais, seus milhares de páginas de revistas e seus clipes felizes, financiada todos os anos por bilhões de dólares, já se acha ultrapassada. Toscani desafia os seus detratores: toda publicidade precisa ser reinventada.

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    Cleber Vaz  picture
    Cleber Vaz 26/12/2012Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Se a publicidade não fosse um cadáver sorrindo

    Já pensou se todo o consumismo mundial tivesse a mesma forma na prática de solidariedade? Toscani expõem em suas fotografias a realidade em miúdos, sem a retina fantasiosa típica dos meios publicitários. A trajetória e obra de Toscani, me causou uma espécie de introspecção sobre o que aprendemos na faculdade, quando estudamos o público alvo e arte da persuasão. Ali somos treinados a vender o produto e nada além disso, a função de um publicitário é denotar a venda de uma maneira que o público possa absorver, e para isso utilizamos a cultura social, os sentidos e tudo o que tiver ao nosso alcance. Somos os maiores influenciadores que já existiu, mas a que ponto? Será que podíamos informar sobre as mazelas do mundo enquanto anunciamos um perfume para um público classe B? E desta maneira mudar a realidade, ou pelo menos evidencia-la sem mágica, ou fantasias, ou apelo? Não quero fazer apologia a publicidade certa, ou julgar algo como errado. Mas é um fato que sistema aliena a sociedade e a publicidade é parte disso. Se o contrário acontecesse, se informássemos mais! Se o uso do hiperativo fosse menos consumista, e mais humanitário. Talvez pudéssemos mudar o mundo, sim. Através de banners e propaganda subliminar, que seja!. Seria menos constrangedor do que o apelo sem sentido que as grandes marcas usam hoje.

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