O Período das Regências foi taxado de caótico, desordenado, anárquico e turbulento pelos dirigentes da época envolvidos nos conflitos que dentro do espaço de tempo entre 1831 e 1840 deram ao Brasil os contornos geográficos e políticos contra os quais os grupos aos quais pertenço estão lutando até.
Com a abdicação de D. Pedro primeiro e a falta de um poder central capaz de convencer grandes capitalistas e proprietários de terra/gente o período foi marcado por revoltas e mais revoltas protagonizadas tanto por proprietários quanto por grupos indígenas, escravizados, pessoas libertas, "mestiços", pobres e remediados.
Foi um tempo de esperança, caos, insegurança, exaltações, rebeldias, repressões... Prisões foram esvaziadas quando a Regência Trina Provisória assumiu o poder e posteriormente aborrotadas de presos políticos.
Homens e mulheres Yorubás (nagôs), haussás (Malês), conciliando Xangô, Ogun e Alá para protagonizaram a maior revolta escrava brasileira nas ruas de Salvador. Os povos indígenas resistindo bravamente ao processo de expropriação das suas terras ancestrais orquestrado por empresas interessadas em mineração (Brazilian Company e a National Brazilian Mining Association). Carrancas, Cabanos, Farroupilhas, Lanceiros Negros balançando tudo.
Nos faz muita falta a memória desses dias e dessas lutas. Desconhecer esses dias de luta muitas vezes nos faz pensar que estamos só agora rompendo barreiras ou forçando os limites de um regime opressor e explorador, o que não é verdade.
As lutas são de longa data, há muito estamos forçando os limites de nossas correntes e quebrando grilhões. A Liberdade é uma luta constante.
O livro do Prof° Marco Morel sobre esse período é pequeno, mas extremamente informativo e instigante. Uma aula rápida e consciênciosame sobre alguns capítulos da nossa História.
Toda coleção Descobrindo o Brasil da Zahar é ótima, mas também é cara. Cobrar R$ 30,00 em um livro de bolso ou R$ 20,00 em um e-book de um livro de bolso sempre me parece um esforço para separar as pessoas do conhecimento. O Capitalismo, para não variar, inventando portas com chaves caríssimas para reduzir o número das pessoas com possibilidades de passar por ela.