Chorei largado com esse livro
Comecei a leitura sentindo uma identificação absurda com a Leandra, apesar de ela ter passado por coisas que nunca vou passar (racismo), consegui entender seu sofrimento.
A história é pesada, já começa com os dois pés no peito, e vai escalonando até levar o leitor às lágrimas. Quando eu achava que não podia ficar pior, ficava. Se quem for ler pensar em Leandra como um indivíduo, dona de uma história solta, pode achar exagerado tudo o que aconteceu com ela, mas se pensar nela como o resumo de tudo o que acontece com milhões de garotas que morrem todos os dias em silêncio, vítimas de racismo, homofobia, abusos, etc., vai conseguir "aceitar" melhor — e entender que coisas piores acontecem na realidade.
Era um alívio a presença dos personagens Lavinia e Miguel na vida da Leandra, para dar uma amenizada em todo o sofrimento.
A escrita da Maya Falks é gostosa de acompanhar, leve, apesar da violência dos temas que ela escolheu tratar.
Foi uma história tocante sobre perdão, sobre inocência e culpa, e sobre como existem vítimas que ferem a si mesmas, vítimas que ferem aos outros e pessoas ruins que simplesmente não se importam em causar sofrimento pelo próprio prazer. É importante identificar quem nós somos nessa história.
Recomendo fortemente. Mas vá com cautela, porque é pesado.