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    O Banqueiro dos Pobres - A revolução do microcrédito que ajudou os pobres de dezenas de países

    Muhammad Yunus

    Ática
    2003
    343 páginas
    11h 26m
    ISBN-11: 850807503/0
    Português Brasileiro
    4.3
    169 avaliações
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    Bangladesh é um país de 120 milhões de habitantes que está entre os mais pobres do mundo. Quarenta por cento de seu povo vive na mais absoluta miséria. O resto se aguenta. Os endinheirados, donos do poder, constituem uma minoria ridícula em termos numéricos. A cada década algum infortúnio de enormes proporções - inundação, ciclone ou terremoto - deixa milhões de desabrigados. Porém, as catástrofes naturais que assolam este pequeno país asiático não são nada perto da fome que fustiga seus habitantes. Por causa da desnutrição, a média de peso e altura da população está diminuindo. Boa parte das crianças não chega à idade adulta. Além disso, um número assustador de pessoas vaga pelas ruas todos os dias em busca de comida e de um teto para passar a noite. Em Bangladesh, não se vive, sobrevive-se. Foi a partir desse cenário desolador que o economista Muhammad Yunus teve uma idéia não apenas brilhante, mas revolucionária. Em 1974, logo após a terrível estiagem que se abateu sobre o país, Yunus era o chefe do departamento de economia na Universidade de Chittagong, um pequeno distrito no sudeste do país. Em suas aulas, ele ensinava as teorias que se propunham a resolver os grandes problemas da humanidade. Falava-se em milhões de dólares como se fossem nada. Fora do campus, a realidade era outra, bem mais cruel. Era impossível não ver as hordas de famintos, que estavam por toda parte. O que separava essas pessoas da morte era apenas um punhado de comida. Yunus passou a ficar incomodado com a distância entre o conteúdo de suas aulas e a vida do lado de fora. "Comecei a achar que minhas aulas eram uma sala de cinema onde podíamos relaxar, tranqüilizados pela vitória certa do herói. (...) Mas a partir do momento que saía da sala de aula me confrontava com o mundo real. Lá os heróis eram moídos de pancadas, selvagemente pisoteados", conta no livro. Então, tomou, como ele próprio admite, a decisão mais importante de sua vida. Largou a faculdade e foi descobrir o que estava acontecendo com aquelas pessoas. Yunus queria compreender a realidade do pobre, entender a economia da vida real. "O banqueiro dos pobres" escrito por ele (com a ajuda de Alan Jolis), em 1997, é a história dessa decisão e de tudo o mais que ocorreu - não só em Bangladesh, mas em todo o mundo - por conta dela. A empreitada valeu-lhe o Prêmio Nobel da Paz. Yunus começou seu trabalho pela pequena aldeia de Jobra, que ficava perto da universidade. Aproximando-se das famílias, começou a perceber como funcionava a economia doméstica naqueles lares e chegou a uma triste constatação: a de que cada trabalhador ganhava no final de uma longa e extenuante jornada, em média, o equivalente a dois centavos de dólar. O grosso da produção ficava todo nas mãos dos intermediários, que obviamente pagavam muito menos do que o valor de mercado. Era exatamente esse sistema de produção que estava, havia décadas, gerando a pobreza de uma população quase inteira. A diferença entre viver decentemente e morrer de fome era dois cents. Yunus, então, decidiu emprestar aos moradores da aldeia o valor que precisavam para não depender mais dos intermediários. Não seriam cobrados juros e eles poderiam pagar quando pudessem. Estava assim lançada a idéia que aos poucos foi crescendo e se transformou no Grameen, o primeiro banco da história criado para os pobres. A instituição que, há três décadas, vem concedendo microcréditos a pequenos produtores e comerciantes como uma estratégia vitoriosa para combater a pobreza. O que se sucedeu a partir daí é a história de uma transformação, muito bem narrada nas páginas de "O banqueiro dos pobres". O Grameen é um banco completamente diferente dos demais - ele é destinado aos deserdados da sociedade, àqueles que, à primeira vista, não oferecem nenhuma garantia para pagar os empréstimos concedidos e que, por isso, são sempre rejeitados pelos bancos comuns. Yunus constatou que, por mais difícil que seja a situação dos financiados, os empréstimos são sempre pagos, ainda que leve algum tempo. O sucesso do Grameen foi tão grande que colocou por terra os argumentos dos economistas do mundo todo, que não davam nada ao projeto. Os números não deixam dúvidas: de um punhado de dólares emprestados a 42 pessoas da aldeia de Jobra em 1976 até os bilhões de dólares concedidos a 100 milhões de famílias em 2005, com a ajuda do Banco Mundial, foi um longo caminho percorrido. O grande diferencial do Grameen é que ele é baseado em princípios humanistas - não apenas econômicos. Sua ação e seus valores não vêem os pobres como sobra da sociedade, mas como seres humanos que merecem alcançar a cidadania, a vida digna. "Nós acreditamos que a pobreza não tem lugar numa sociedade civilizada, e sim nos museus", afirma Yunus a certa altura do livro, com a certeza de quem sabe o que está dizendo.

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    Marta Skoober04/11/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Não resenha sobre "O banqueiro dos pobres"

    Comecei a ler "O banqueiro dos pobres", de Muhammad Yunus e Alan Jolis no início de 2019, em um exemplar da biblioteca lá do trabalho. Nesse meio tempo tive que devolver, emprestei de novo, de novo devolvi, até que encontrei o livro na Estante Virtual. Porque li: faz algum tempo venho pensando em ler mais sobre soluções do que sobre problemas e ler sobre ou de quem fez e faz a diferença parece ser um bom caminho. Exemplos? Malala, Mandela, Tutu, Dorina Nowill, Irmã Dulce e tantos outros. É sempre bom lembrar que eles começaram agindo localmente e a capacidade de engajamento e a determinação foi o que fez a diferença para chegarem onde chegaram. E foi assim que cheguei a Yunus, com o microcrédito e sua economia solidária que sempre me encantaram. Nada mais lógico do que ler o que tem a dizer um banqueiro dos pobres. Ler sobre a trajetória de Yunus e sobre o quanto ele deu de si e as barreiras que enfrentou foi no mínimo enriquecedor. Poucas pessoas pensam em financiar e dar dignidade a pobres e excluídos, e a maioria pensa apenas na caridade, mas é possível fazer mais e ele fez. Ao longo do caminho encontrou MUITA má vontade e até mesmo sabotagem, mas isso não o deteve. Muita gente deve ter se sentido incomodada por alguém emprestar dinheiro a pobres e com juros ínfimos e muita gente (não pobre) deve ter ficado de olho naquilo e pensado numa forma de expropriar e se apropriar. Infelizmente é um livro que o leitor comum passa ao largo, não desperta interesse. Entretanto tem tanto em comum com a realidade do país em que vivo e tanto a nos dizer e nos fazer refletir... Grifos "Mas você sabe muito bem que esse dinheiro simplesmente irá para o bolso dos amigos dos funcionários do governo." "O desemprego é um dos flagelos das sociedades modernas." "Obviamente a economia de mercado tal como está organizada agora não oferece solução para os males da sociedade."

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    Muhammad Yunus

    Muhammad Yunus, em bengali: মুহাম্মদ ইউনুস Muhammod Iunus (Chittagong, 28 de junho de 1940), é um economista e banqueiro bengali. Em 2006 foi laureado com o Nobel da Paz. É autor do livro Banker to the poor (em Portugal, O banqueiro dos pobres). Pretende acabar com a pobreza através do banco que fundou, do qual é presidente e o governo de Bangladesh é o principal acionista, o Grameen Bank, que oferece ativamente microcrédito para milhões de famílias. Yunus afirma que é impossível ter paz com pobreza.

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    Muhammad Yunus