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    O Arquipélago Gulag -

    Aleksandr Solzhenitsyn, Aleksandr Soljenítsin

    Sextante Editora
    2017
    592 páginas
    19h 44m
    ISBN-13: 9789896761745
    Português
    4.6
    50 avaliações
    Leram58Lendo24Querem471Relendo0Abandonos3Resenhas6
    Favoritos9Desejados471Avaliaram50

    Escrito clandestinamente de 1958 a 1967, o manuscrito de O arquipélago Gulag foi descoberto pelo KGB em 1973, na sequência da prisão de Elizabeth Voronskaïa, uma colaboradora de Soljenítsin que o dactilografava. Na sequência disso, Soljenítsin, que tinha sido galardoado com o Prémio Nobel em 1970, decide publicar o livro no exterior. Uma primeira edição em russo é publicada em Paris ainda em 1973 e depois finalmente a edição francesa, no verão de 1974. Soljenítsin fora entretanto preso, acusado de traição, despojado da nacionalidade soviética e enviado para o exílio, onde estará vinte anos, até ao seu regresso à Rússia em 1994. Para realizar este extraordinário livro, Soljenítsin foi ajudado pelo testemunho de 227 sobreviventes dos campos do Gulag. O livro agora publicado pela Sextante, no âmbito do projeto de edição em língua portuguesa das principais obras do autor, é a versão abreviada, num só volume, preparada por Soljenítsin e por sua mulher, Natália, com o objetivo de tornar mais acessível este livro aos leitores estrangeiros e a novos leitores. Traduzida diretamente do russo por António Pescada, eis pois uma obra excecional, um livro de combate contra o totalitarismo de face estalinista, um livro que ainda hoje nos queima as mãos. Não esqueçamos as palavras de Soljenítsin: «Devemos condenar publicamente a ideia de que homens possam exercer tal violência sobre outros homens. Calando o mal, fechando-o dentro do nosso corpo para que não saia para o exterior, afinal semeamo-lo.»

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    Fabio Shiva04/02/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    o supremo mal

    Esta é, sem dúvida, uma das obras mais relevantes do século XX. E foi também um dos livros mais sinistros e apavorantes que li na vida. Levei mais de seis meses para vencer as 600 páginas desse tijolo de horror e ódio, e mesmo assim só porque da página 400 em diante, exaurido pela hedionda sombra do Gulag em minha consciência, me determinei a não tocar em outro livro até chegar ao fim deste (normalmente leio alternando entre três ou mais livros). Imagine ser despertado na calada da noite por batidas urgentes na porta. São agentes do governo, que levam para interrogatório e averiguações. Que acabam consistindo em torturas diversas, como trancar você em um cubículo infestado de percevejos por dias a fio, urinar em sua cara ou deixar você sem comer, beber ou dormir até o limite da exaustão física e mental. Isso para não mencionar as rotineiras sessões de espancamento, que muitas vezes terminam em morte, mutilações ou lesões permanentes. Se você sobrevive ao “interrogatório”, já pode confessar seus crimes reais ou imaginários em um julgamento de fachada, que não passa de uma tosca encenação pública, para então receber a merecida pena: o fuzilamento, ou então cinco, dez ou mesmo vinte e cinco anos nos campos de trabalhos forçados. São esses campos da morte as numerosas “ilhas” do Arquipélago Gulag, tema deste livro que foi escrito a partir das experiências do próprio autor, bem como dos depoimentos de mais de 200 outros prisioneiros. A maldade humana é muitas vezes retratada nas histórias de ficção como revestida de astúcia e esperteza. Esta triste história verídica, contudo, nos mostra que a maldade está muitas vezes acompanhada da mais obtusa e embotada estupidez. Penso que todo mal, de uma forma ou de outra, é fruto direto da ignorância, esta sim o mal supremo, ao qual se referiu o Cristo em suas redentoras palavras: “Perdoai-os, Pai, pois eles não sabem o que fazem”. “Arquipélago Gulag” é hoje, talvez, uma leitura mais relevante do que nunca, nesses tempos estranhos, em que tantos parecem dispostos a endossar o mal, apoiando e aplaudindo práticas antivida como o totalitarismo, a tortura e a execução sumária. Penso que não poderei esquecer deste livro tão cedo. Deus nos liberte da ignorância, mãe de todos os Gulags. *** “Ah, se as coisas fossem assim tão simples! Se num dado lugar houvesse pessoas de alma negra, tramando maldosamente negros desígnios, e se se tratasse somente de diferenciá-las das restantes e de aniquilá-las! Mas a linha que separa o bem do mal atravessa o coração de cada pessoa. E quem destrói um pedaço do seu próprio coração?...” “Nós temos a tendência a revoltar-nos contra aqueles que são mais fracos, contra os que não podem responder. Isto é próprio do homem.” “Não gosto dessas denominações de ‘esquerda’ e ‘direita’: são arbitrárias, permutáveis e não dão conta da essência.” “Se a natureza humana evolui, não é com muito mais rapidez do que o aspecto geológico da Terra.” “O homem é esperança e impaciência.” “Como fazê-los compreender (por uma iluminação? por uma aparição? em sonho?): Irmãos! homens! Para que a vida lhes foi dada? No meio de uma noite escura, abrem-se as portas das câmaras da morte e seres humanos de almas grandiosas se encaminham para o fuzilamento. (...) Mas vocês têm sobre suas cabeças o céu azul e, sob o cálido sol, o direito de decidir seu próprio destino, beber água, sentar esticando as pernas, viajar para onde queiram. (...) Querem que lhes revele agora o segredo mais essencial da vida? Não persigam o enganoso, nem as posses, nem os títulos: tudo isso se paga à custa dos nervos, década após década, e numa noite só pode ser confiscado. Vivam com serena superioridade perante a vida... Não temam a desdita nem anseiem pela felicidade, pois ambas as atitudes vêm a ser o mesmo. A amargura não se prolonga eternamente, e a medida do prazer nunca se completa. Alegrem-se se não tremem de frio, se as garras da fome e da sede não dilaceram suas entranhas. Vocês não têm a espinha quebrada, suas duas pernas andam, seus dois braços se dobram, seus dois olhos enxergam e seus dois ouvidos escutam – quem poderiam vocês invejar? E por quê? A inveja é o que mais nos tortura. Esfreguem bem os olhos, purifiquem seus corações, então poderão aquilatar perfeitamente quem verdadeiramente lhes quer e deseja seu bem. Não lhes façam nenhum mal, não pronunciem palavras malévolas contra eles, não permitam que as brigas os separem, pois quem pode saber se este não é o seu último ato antes de serem presos? e isso lhe pesará na memória!...” http://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2018/08/arquipelago-gulag-alexander-soljenitsin.html

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    Aleksandr Isayevich Solzhenitsyn

    Foi dissidente soviético e escritor, laureado com Prêmio Nobel de Literatura de 1970. Preso pela primeira vez em aos 20 anos sob alegação de crimes anti-soviéticos, tornou-se mundialmente conhecido por suas críticas ao regime comunista, em especial às prisões de dissidentes. O escritor atingiu a fama mundial em 1962 com 'Um Dia na Vida de Ivan Denisovich', um curto romance que conta a história de um companheiro no campo de trabalhos forçados da Sibéria. Na época, a obra foi considerada um ataque ao regime soviético.

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    Aleksandr Isayevich Solzhenitsyn