Max (eBook) - Nasci no dia do aniversário do nosso Fuhrer para ser o modelo da raça superior, e mesmo sabendo que era um predestinado, não levou muito tempo para que minhas crenças começassem, lentamente, a desmoronar...

    Sarah Cohen-Scali

    Jangada
    2016
    405 páginas
    13h 30m
    ISBN-13: 9788555390432
    Português Brasileiro

    Max é o protótipo perfeito do programa "Lebensborn". Criado para ser o primogênito da nova raça ariana, ele cresce sem mãe e sem nenhum sentimento até iniciar seus estudos aos 6 anos de idade. Na escola Max faz amizade com Lukas, um judeu polonês com todas as características físicas de um ariano. A partir dessa amizade, as crenças nazistas de Max começam a desmoronar e o menino passa a ver o mundo de uma forma diferente. O livro se desdobra entre as descobertas de Max e o fim da Segunda Guerra Mundial.

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    Ester A25/02/2024Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    "Em tempos de guerra, os anos contam em dobro"

    Esta foi uma leitura difícil, não por causa de prosa densa ou de má qualidade, pelo contrário, mas por um conteúdo francamente perturbador. Nunca é fácil enxergar o mundo pela perspectiva de uma das ideologias mais asquerosas que o ser humano já produziu. É preciso ter sempre cuidado como escritor para que a representação não vire romantização e como leitor para que a compreensão não vire tolerância. Houve partes do livro em que me preocupei se alguma dessas linhas tinha sido cruzada, mas, ao terminá-lo, acho que a autora conseguiu mostrar bem a realidade de uma doutrinação eficaz e a indiferença do nazismo com a humanidade de todos. Konrad, ou Max, é uma criança absolutamente detestável. Foi criado para ser a arma ideal do regime, programado como uma máquina, uma peça de engrenagem. Mas a palavra-chave disto tudo, conforme quis a autora, é "criança". Por um lado, temos Konrad, a crueldade latente; por outro, temos Max, a inocência roubada de uma experiência humana normal, acostumado com o sofrimento indiscriminado, a resignação, a impotência. Seu desconforto extremo com o sistema que o produziu só se manifesta quando ele enfim se vê livre dele. Chamá-lo de "vítima" ainda é desconfortável tendo em vista sua posição na "cadeia alimentar" nazista, e pelo fato de que teria, sem dúvidas, se tornado um monstro ainda pior se acontecimentos fora de seu controle não tivessem alterado drasticamente seu destino. E porque ele era um tanto onisciente desde feto. A ambiguidade, porém, é parte do charme do livro. A realidade é que somos moldáveis e isso sempre será usado em prol dos interesses de pessoas terríveis, o que não necessariamente nos isenta de culpa.

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