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    Menos que um - Ensaios

    Joseph Brodsky

    Companhia das Letras
    1994
    232 páginas
    7h 44m
    ISBN-10: 8571643644
    Português Brasileiro
    4.1
    11 avaliações
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    Prêmio Nobel de Literatura em 1987, o poeta e dissidente russo revisita, em doze ensaios, sua trajetória intelectual sob a tirania soviética. Combinando conhecimento a uma desilusão reflexiva, os textos vão da poética à política, da autobiografia à história cultural. "A biografia de um escritor está nos meandros de seu estilo." Fiel a esse princípio, o poeta russo Joseph Brodsky (prêmio Nobel de literatura em 1987) examina nestes ensaios uma vasta gama de assuntos - da esfera poética à política, da autobiografia à história cultural. De São Petersburgo, a cidade onde nasceu e viveu, até seu atual exílio norte-americano, a voz desse dissidente evoca tanto as contribuições de Anna Akhmatova, Ossip Mandelstam, W. H. Auden e Derek Walcott à poesia deste século, como as condições de vida e de produção intelectual sob um regime totalitário, delineando um itinerário que soma conhecimento e desilusão. Resistência e dúvida, fundidos na experiência - amarga mas apaixonada - da natureza da poesia e da linguagem em circunstâncias históricas adversas.

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    Wagner Alves Pereira09/12/2021Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    Menos que um

    MENOS QUE UM - JOSEPH BRODSKY A voz poética do escritor Joseph Brodsky se funda nos vínculos entre o destino de ter nascido e crescido judeu na Rússia da segunda metade do século XX e a adoção da língua inglesa como uma pátria. A compreensão de sua obra instaura a necessidade de compreender as fraturas e cicatrizes de sua condição de exilado. “O exilio”, como nos ensina Edward Said, “é uma fratura incurável entre um ser humano e um lugar natal, entre o eu e seu verdadeiro lar: sua tristeza essencial jamais pode ser superada”. “Menos que um” reúne 12 ensaios que desvelam, com mordacidade e um senso de irrestrito de franqueza, as concepções de mundo de Joseph Brodsky, e a forma como ele enxerga o fazer poético. Nelson Ascher, num artigo intitulado “O poeta que veio do frio”, afirma com razão que a prosa de Joseph Brodsky: “É poética não por qualquer característica vaga ou etérea, mas por fugir, na sua organização, de um esquematismo que se associa erroneamente à lógica. Ambas, contudo, prosa e poesia, buscam a precisão e um tipo de objetividade que deriva de um auto-exame explícito e contínuo”. Suas opiniões, contudo, não raras vezes são questionáveis, quando não conservadoras. No ensaio “Catástrofes no ar”, ao defender que a proximidade no tempo entre Dostoiévski e Tolstói “foi a coincidência mais infeliz da história da literatura russa”, ele acusa o mestre de Iasnaia Poliana de ter prejudicado o desenvolvimento posterior da prosa ficcional feita na Rússia. No texto “Para agradar a uma sombra”, dedicado ao seu mestre Wystan Hugh Auden, Brodsky afirma que Brecht foi um poeta ruim. Mas, a sua opinião mais contestável é a de que “arte e a ciência” não podem se guiar pela aplicação do princípio democrático. Contudo, é importante reconhecer que há ensaios fascinantes e perspicazes sobre Anna Akmatova, Ossip Mandelstam e Derek Walcott. Ademais, é impossível ficar indiferente ao obituário devotado à Nadezhda Mandelstam (no Brasil, o livro “O que ela sussurra”, da Noemi Jaffe, é inspirado na história daquela formidável mulher russa), ao tributo à São Petersburgo – a cidade urbana mais linda desse nosso tão castigado planeta – e, principalmente, ao ensaio “Num quarto e meio”, dedicado à memória de seus pais. Mesmo não concordando com a totalidade de suas opiniões, são esses textos comoventes que tornam a leitura de “Menos que um” capaz de nos gerar profundas reflexões sobre a tragédia e horrores do século XX

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    Iosif Aleksandrovich Brodsky (Iosif Brodskii)

    Escritor norte-americano de origem russa, nascido em Leningrado, em 1940. Prêmio Nobel de Literatura de 1987, destacou-se pelo lirismo de seus poemas. Iniciou sua trajetória literária em 1958, publicando seus poemas em revistas clandestinas. Perseguido e preso na década de 1960, foi condenado a um campo de trabalho no norte da Rússia. Expulso de seu país em 1972, foi para os Estados Unidos, onde começou a traduzir a sua poesia para o inglês e a escrever nessa língua. Morreu em Nova York, em 1996, sem ter voltado ao seu país natal, onde sua obra só foi publicada em grande escala após o fim da União Soviética, em 1991.

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    Iosif Aleksandrovich Brodsky (Iosif Brodskii)