Literatura regional
O livro conta a história de Silvino Jacques. Gaúcho de São Borja e afilhado de Getúlio Vargas, Silvino, perseguido no Rio Grande do Sul por encrencas e homicídios viu no centro-oeste, mais especificamente em Mato Grosso, hoje região do atual Mato Grosso do Sul, um lugar de refúgio e para onde veio com alguns comparsas. Aqui participa da Revolução Constitucionalista de 1932, fato que lhe concedeu prestígio e muitas amizades. Muito embora, a maioria de seus cupinchas de revolução fosse alheio ao real motivo que era a contenção, principalmente, da ameaça comunista e não o ideal separatista vislumbrado pelo sul do estado. Os legalistas venceram, apesar de os revoltosos terem experimentado por pouco tempo o desmembramento do sul estado originando o estado de Maracaju ( hoje Mato Grosso do Sul). Acabada a revolução, Silvino, pela sua má fama e das encrencas que se metia, foi desamparado por seu padrinho, já presidente, e passou a viver do banditismo na região de Bela Vista e Porteiras (atual Caracol). Nesse meio tempo cometeu muitas atrocidades como assassínios por encomenda, torturas, saques e por isso fez muitos inimigos. Foi perseguido por muito tempo, mas sempre se safava, visto que possuía muita proteção, inclusive de gente de dentro do Exército e da Polícia. Nesse meio tempo sempre se viu fugindo da polícia que tinha ordens metropolitanas para eliminar o banditismo da região. Fez andanças entre Mato Grosso (atualmente MS), Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Já no final da década de 1930, depois de várias pelejas, foi morto pelo delegado Orcírio dos Santos (pai do ex-governador de mato Grosso do Sul, Zeca do PT) nomeado justamente para este fim, na proximidade de Bela Vista, aliás, minha cidade. rs. Sem antes, claro, de muitas perseguições, tiroteios, vinganças e mortes. Silvino quase sempre saia ileso. É um bom livro, contudo, requer muita atenção, pois a gama de personagens impossibilita uma leitura superficial. E como o autor sugere, leia se refrescando com um saboroso tereré.

