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    Bíblia - Novo Testamento (Bíblia #I) - Os quatro evangelhos

    Frederico Lourenço

    Companhia das Letras
    2017
    424 páginas
    14h 8m
    ISBN-10: 8535928812
    Português Brasileiro
    4.7
    130 avaliações
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    Favoritos17Desejados257Avaliaram130

    Com apresentação, tradução e notas de Frederico Lourenço, tradutor premiado que já verteu para o português obras clássicas como Ilíada e Odisseia, esta edição, que será composta por seis volumes, toma por base o texto original do Novo Testamento, com seus 27 livros, e a versão grega do Antigo Testamento, também conhecida como "Bíblia dos Setenta", composta por 53 livros originalmente escritos em hebraico e traduzidos para o grego no século III a.C. Trata-se, portanto, da versão mais completa que há da Bíblia, na qual figuram inclusive partes que viriam a ser excluídas do cânone definitivo. Além disso, a versão grega traz sutis diferenças em relação à hebraica, de modo que ler o livro de Gênesis ou o Cântico dos Cânticos numa tradução que toma como base a variante grega é ler um novo texto. Marco fundamental da história do judaísmo, uma vez que simboliza o momento em que a cultura judaica se internacionaliza ao ser vertida para a língua franca de então, a Bíblia dos Setenta é também de inestimável importância para o estudo da história do cristianismo, uma vez que era a Bíblia das primitivas comunidades cristãs. É a partir dessa versão do Antigo Testamento que Jesus Cristo, pela mão dos evangelistas, cita a Escritura. Por meio de uma atitude ponderada e desprovida de preconceitos face aos problemas linguísticos suscitados, Lourenço oferece notas que esclarecem e contextualizam, respeitando com isso a sensibilidade dos leitores religiosos que desejam aprofundar seu conhecimento das Escrituras sem deixar de cumprir as expectativas daqueles interessados num olhar mais objetivo. Neste primeiro volume, o leitor encontrará os quatro evangelhos do Novo Testamento, e poderá desfrutar das particularidades da voz de cada Evangelista. A tradução rigorosa, marcada pela busca do sentido mais profundo das palavras originais, ressalta a dimensão literária deste que é o maior livro de todos os tempos.

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    Alan Martins04/07/2017Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Uma proposta de se manter o mais fiel possível ao texto original

    “Porque a verdade é esta: tanto crentes como não crentes andaremos com Jesus na nossa cabeça, enquanto houver seres humanos na Terra”. (LOURENÇO, Frederico. In: Bíblia, Novo Testamento: os quatro Evangelhos vol. 1. Companhia das Letras, 2017, p. 37) A editora Companhia das Letras apostou em um projeto ambicioso ao decidir publicar, no Brasil, essa nova tradução da Bíblia. Trata-se de uma tradução feita direta da língua grega, pelo português Frederico Lourenço. Não é apenas mais uma edição desse livro milenar, mas sim uma proposta de se manter o mais fiel possível ao texto original. Para crentes e não crentes existe um fato: a Bíblia é uma parte importante da moral ocidental e guarda diversos segredos. Este primeiro volume abrange os quatro Evangelhos do Novo Testamento. São livros que apresentam os ensinamentos de Jesus, sendo esses ensinamentos a base para o Cristianismo. ESTUDANDO A LÍNGUA GREGA Frederico Lourenço é um professor universitário que estuda línguas antigas, principalmente o grego. Seu grande interesse é o grego clássico. Já traduziu obras como ‘Ilíada’ e ‘A odisseia’, de Homero (marcos da literatura grega), ambas publicadas pela Companhia das Letras em parceria com a Penguin. Como ele nos explica na introdução dessa edição do Novo Testamento, os quatro Evangelhos foram escritos, originalmente, em grego koiné, uma forma “popular” da língua grega, que se difere do grego clássico. As versões completas mais preservadas já encontradas desses livros datam do século IV, sendo essa tradução realizada a partir do que se lê nesses originais tão antigos. Para Lourenço, a Bíblia é um livro (um conjunto de livros) que marcam uma língua e refletem um período da história da humanidade, além de ser um belo marco da literatura grega. Por isso ele decidiu se empenhar em um projeto bem ambicioso. “Digo-vos: haverá mais alegria no céu por um só pecador que se arrependa do que por noventa e nove justos que não necessitam de mudança”. (Lucas, 15-7, p. 278) DIFERENTES VERSÕES DA BÍBLIA É possível encontrar diversas versões da Bíblia, além de diversas traduções. A Septuaginta, ou Bíblia dos Setenta (LXX), é a mais antiga tradução do Antigo Testamento (sendo as línguas originais desses livros o hebraico e o aramaico) para o grego. Reza a lenda — e não passa de lenda — que essa tradução foi elaborada por 72 estudiosos, daí o seu nome. Sendo isso verdade ou não, o que se pode afirmar é a crescente helenização da cultura judaica no século II A.C.. A Bíblia dos Setenta é formada por 53 livros, e junto com os 27 livros do Novo Testamento, contará com 80 livros no total; o que difere das Bíblias católicas e evangélicas, que contam com 73 e 66 livros respectivamente. Isso se deve ao fato dessas religiões excluírem certos livros de suas versões da Bíblia. “E tal como quereis que convosco procedam as pessoas, procedei com elas do mesmo modo”. (Lucas, 6,31, p. 246) A MAIS COMPLETA TRADUÇÃO PARA A LÍNGUA PORTUGUESA O fato de o NT ter sido escrito em grego e o de que a versão com maior quantidade de livros ser a Septuaginta, também escrita em grego, foram importantes para Lourenço querer iniciar esse projeto que pretende ser a mais completa tradução Bíblia grega para o idioma português. Por estudar o grego clássico, o tradutor preza pela fidelidade do texto, algo que se difere de outras edições traduzidas de outros idiomas, como do latim ou do inglês. Além de que muitas edições foram modificadas por copistas ao longo do tempo (antigamente, pessoas copiavam e escreviam à mão os livros e acabavam mudando uma coisinha aqui e ali). Outra preocupação do tradutor são as traduções feitas sob as lentes das religiões, que acabam modificando não a trama em si, mas os pormenores do grego e do hebraico. Essa edição será dividida em seis volumes e pretende ser fiel aos escritos do primeiro cristianismo, no caso do Novo Testamento. “Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e então verás melhor para tirares o cisco do olho do teu irmão”. (Mateus, 7,5, p.82) UMA EDIÇÃO CRÍTICA O que pode haver de crítico? Bem, essa palavra é empregada aqui no sentido de ser crítico quanto à tradução. Além disso, o tradutor cita uma vasta bibliografia para basear suas inúmeras notas de rodapé. Lourenço procura interpretar o texto de uma maneira não-teológica, e sim pela beleza do texto em si, pela sua escrita. Também faz diversas comparações entre os quatro Evangelhos, que apresentam diferenças entre si e às vezes algumas contradições. Um outro fato interessante é o de que diversas passagens do Antigo Testamento da versão LXX estão presentes no Novo Testamento, o que mostra a importância dessa versão, como ela era difundida na época dos evangelistas. Dentre essas diferenças entre os Evangelhos, podemos notar que a única vez que o nascimento de Jesus ocorre numa manjedoura é em Lucas, e apenas em João ele carrega a sua cruz até Calvário, pois nos outros três Evangelhos essa tarefa é dada a um homem que está observando a situação. São comparações com interesse literário e histórico, já que pesquisadores da Bíblia ainda não possuem um consenso sobre a autoria dos Evangelhos, pois que nenhum é assinado por algum autor. As notas de rodapé também mostram o cuidado do tradutor ao escolher as palavras que mais se adéquam, sendo esse um grande trabalho de filologia e semântica. “[…] chegamos à conclusão de que quase 30% do texto do Novo Testamento é de autoria desse escritor delicado e sensível, cuja obra marcou de forma indelével não só o cristianismo, mas a espiritualidade e a cultura universais”. (LOURENÇO, Frederico, p. 220) A EDIÇÃO A editora teve um grande cuidado com essa edição. É um livro com capa dura, com uma arte que imita uma de textura de escama. A capa possui uma jaqueta, sendo assim uma parte removível, que é a parte onde está escrito o título e o nome do tradutor. O papel utilizado para as páginas é o Pólen Soft, com uma boa diagramação e bom tamanho de fonte. Para marcar as páginas, a edição conta com uma fitinha de tecido. Não foram encontrados erros ortográficos durante a leitura. Sobre a tradução, o que se pode dizer é que Frederico Lourenço mostrou bastante empenho e dedicação, querendo fazer sempre o melhor possível. Isso fica evidente em suas notas introdutórias aos Evangelhos e na primeira introdução presente nessa edição. Nessas introduções ele comenta sobre a linguagem, sobre as habilidades artísticas dos autores e sobre o que está por vir; o que demonstra a admiração do tradutor pela Bíblia, sua importância linguística e histórica. O trabalho de se traduzir de um grego tão antigo é admirável, pois naquele tempo não existiam letras minúsculas, todas eram maiúsculas. O texto também não era marcado por espaços entre as palavras. Então, era mais ou menos assim que se escrevia: OBRIGADOPORVISITARMEUBLOG. “Por isso, digo-te que estão perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou; mas aquele, a quem pouco se perdoa, pouco ama”. (Lucas, 7,47, p. 251) CONCLUSÃO Nunca li a Bíblia, mas sempre tive vontade, pela historicidade, sua influência no mundo e na cultura. Essa edição me chamou a atenção por ser uma tradução voltada para a literatura, não para o lado teológico. Não me arrependi de ter comprado, gostei tanto da parte física da edição, quanto do seu conteúdo. Como o próprio autor diz na primeira citação que inseri no texto, Jesus está na cabeça de todos, independente da crença, por ser uma figura que influenciou tanto a formação da sociedade ocidental. Seus ensinamentos estão presentes em nossa moral, nas leis, em nossa consciência. Fora as curiosidades que o tradutor nos apresenta. Segundo Lourenço, no tempo em que os Evangelhos foram escritos, era comum que os escritores ditassem o texto a um secretário, que o escrevia. E no tempo de Jesus as leituras eram executadas em público e em voz alta, muito diferente da atual leitura solitária e silenciosa que praticamos hoje em dia. Recomendo a leitura, pois é um livro que apresenta grande teor histórico, o que contribui para o conhecimento e crescimento pessoal. Além de ser uma boa fonte para buscar a compreensão do mundo moderno, já que o cristianismo dominou boa parte da história do mundo ocidental. Faça como eu, seja curioso, leia pelo conhecimento, não pela religião. Essa edição é muito indicada para isso, por se tratar de uma tradução crítica. Boa parte dos que leram esse livro não o compreendeu, e muitos dos que não leram, afirmam terem compreendido e o criticam. Minha nota (de 0 a 5): 4,5 Alan Martins Visite o blog para mais resenhas e outros conteúdos interessantes.

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    Frederico Maria Bio Lourenço

    Frederico Maria Bio Lourenço nasceu em Lisboa, em 1963, filho de M. S. Lourenço (1936-2009) e de Manuela Lourenço (1937-1998). Fez a instrução primária em Inglaterra (Oxford), onde a família viveu entre 1965 e 1973. Frequentou o Lycée Français Charles Lepierre de Lisboa, mas preferiu dedicar-se ao estudo da música (Academia dos Amadores de Música, Conservatório Nacional; mais tarde Escola Superior de Música de Lisboa) e da língua alemã (com explicadores e por conta própria desde os 12 anos e depois no Goethe Institut de Lisboa) e por isso fez o ensino secundário como auto-proposto. Licenciou-se, em 1988, em Línguas e Literaturas Clássicas na Universidade de Lisboa, onde mais tarde se doutorou com uma tese sobre os cantos líricos de Eurípides, tendo sido aprovado por unanimidade por um júri que incluiu Maria Helena da Rocha Pereira (Universidade de Coimbra) e James Diggle (Universidade de Cambridge). A tese foi publicada com o título "The Lyric Metres of Euripidean Drama" (Coimbra, Classica Digitalia, 2011). De 1989 a 2009 foi docente da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Desde Novembro de 2009 é professor associado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Tendo-se dedicado durante anos ao estudo e tradução da poesia grega (com destaque para Homero), começou a voltar-se para outros interesses a partir de 2007: Estudos Bizantinos, Germanística e História da Dança. Em 10 Abril de 2008, estreou, com grande êxito crítico, no Teatro da Cornucópia de Lisboa, a sua versão da peça Don Carlos de Friedrich Schiller, com encenação de Luís Miguel Cintra.

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