Viagem na América Meridional descendo o Rio Amazonas (O Brasil visto por estrangeiros) - Charles-Marie de La Condamine

    não informado

    Senado Federal
    2000
    204 páginas
    6h 48m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Clássico da literatura dos viajantes, esse livro constitui "breve relatório de uma viagem pelo interior da América Meridional, desde a costa do mar do Sul até as costas do Brasil e da Guiana, descendo o rio das Amazonas.

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    R .05/12/2017Resenhou um livro
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    Edição do Senado Federal, do ano 2000, com relato da expedição científica do naturalista francês La Condamine. Ocorrida no século XVIII, foi a primeira a descer o rio Amazonas, do Peru à foz, fazendo parte de um projeto da Academia Científica de Paris, que buscava medições da Terra em comprovação do formato achatado nos polos, ainda não comprovado cientificamente. A expedição se estendeu entre 1735 a 1745, contando os anos a partir de 1743 como específicos à navegação no rio Amazonas (o relato valorizado nesse livro). Li na edição da EDUSP, de 1992, por ter sido a primeira que me foi oportunizada (a resenha específica sobre a expedição fiz nessa obra). Ambas tem o relato na íntegra, com diferentes tradutores, mas a principal diferenciação está na organização metodológica. A EDUSP apresenta o relato sem interrupções, de forma inteiriça, com possíveis tópicos mostrados apenas no sumário. Já nessa edição, o texto foi divido em capítulos e sub-tópicos no início de cada um, em uma caracterização mais interessante para a leitura e visão geral. Gostei dessa última dinamização, pois a leitura torna-se muito mais interessante e favorável ao entendimento. O leitor vai avançando no relato sempre alertado para o que vai encontrar, o que permite redobrar a atenção. Convenhamos que é bem melhor! Na primeira obra tive que voltar constantemente ao sumário e isso tendia a ser desanimador e pouco instigante. Outra diferença é o acréscimo de anexos na edição do Senado, que se direcionam para dois assuntos: o levante ocorrido no Equador em 1739 e breve relato de Godin de Odenais sobre a expedição de sua esposa. No primeiro aspecto, o fato está nas duas edições, mas a segunda desenvolve mais o ocorrido com outros textos. Em linhas gerais, um médico da expedição foi assassinado em Cuenca no Equador e houve uma incitação do povo contra os expedicionários. A história teve relações com o envolvimento do médico com uma mulher e, apesar dos acréscimos, não é uma parte interessante. Os textos adicionais são perfeitamente dispensáveis, como fez a EDUSP. Essencialmente mostram depoimentos no julgamento. Chatos! Já o anexo mostrado como carta do Sr Godin de Odonais à La Condamine (em 1773) é interessantíssimo e exclusivo à essa edição. Na carta, o tal Godin relata o ocorrido à sua esposa, que após alguns anos da expedição de La Condamine resolveu trilhá-la também. Porém, com total insucesso. Mas também, olha só... Enquanto La Condamine era cercado por especialistas em sua comitiva, a esposa de Godin parece que foi mais no entusiasmo, cercando-se de parentes e perigos não calculados. Perderam suprimentos, alguns índios que a acompanhavam como guias e ajudantes deram no pé, naufragaram em uma balsa e, do total de quase 50 pessoas (contando com irmão e filho), só ela sobreviveu na mata, onde perambulou perdida por vários dias. O relato é burocrático, pois o autor privilegia mais as ações desenvolvidas por ele que a história da mulher em si. Ele nem cita seu nome. O quê!? Ora, rapaz! Diante de tão fantástica história pesquisei um pouco mais e na net encontramos relatos mais detalhados. Isabel Godin de Odonais (descobri no Wikipedia) foi quase à loucura, permanecendo nos primeiros dias próxima aos corpos até se aventurar na mata, perdida e exaurida, onde foi resgatada por índios que a levaram para uma missão. De lá, conseguiu chegar à foz do Amazonas, onde enfim reencontrou o esposo depois de um tempo longo (anos). Gostaria de conhecer melhor essa história... Será que tem algum livro? Merece. O relato de Godin, apesar de instigar, é muito pobre em informações para os mais ávidos. Péssimo contador de histórias... Finalizando, a edição do Senado traz também um índice. Ninguém lê, nem é para isso, mas quando você precisa faz uma diferença fundamental, principalmente em textos longos e multifacetados. É isso. As duas edições estão no acervo da biblioteca onde trabalho - Biblioteca da SEMA em Macapá. Uh, sumano! Foi mais uma leitura das antigas muito paidégua!

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