-- "Se este é o propósito pelo qual fui criado, prefiro a autodestruição" --
Estamos na terra, 200 anos a frente. Uma realidade distópica é o que vivemos. Um governo total baseado na mente insana de um gênio que inseriu sua própria versão em vida em um super computador. Este por sua vez domina a tudo e a todos. Criando e desenvolvendo toda a sociedade igualitária, todos os seres humanos são impostos a regras desde alimentação até relações conjugais. As máquinas dominam os postos de trabalho. As inteligências artificiais quebraram as barreiras do que se define por inteligência e mais ainda. O que seria considerado vida, se as máquinas também sentem e tem até o seu próprio "céu"?
Jean Gabriel antes de ser escritor dessa obra é um leitor voraz e telespectador. Ao ler esse livro voce irá passear de George Orwell até Black Mirror. Irá se sentir lendo uma aventura de Robert Langdon em um futuro tecnológico. As referências estão em todo lugar. Resumindo, como profissional da área de TI me vi lembrando todas as referências desde adolescente ao ler esse livro.
A obra é baseada em pontos de vista e isso já me chama atenção. Ai o cara vai e te escreve não só a visão de humanos e sim de máquinas também e o que acontece? Você fica de boca aberta. Será que um violão é mesmo vilão da história se foi programado apenas para isso? Será que quem salva a todos realmente é o herói? Acompanhamos Pietro, Diana, Quorra (minha personagem preferida), Carlos e outros vários personagens. Alguns que só duram o seu capítulo.
O ritmo do livro é bem fluído. TODAS as tecnologias citadas estão em um enorme apêndice que explicam sua teoria física, biológica de forma incrível. Sinceramente, até aquilo que é inventado tem uma base conceitual palpável. A parte política do livro de onde surge a distopia como palco de fundo esta bem trabalhada, mas o que é o excepcional desse livro é seu teor científico, com toda a certeza.
Nosso escritor acertou em cheio no período de tempo escolhido e ainda demonstra isso na sua cronologia imposta por todo o livro na narração e diálogos. Homens e mulheres de 200 anos atrás eram diferentes corretos? Então não esperem homens e mulher iguais os de hoje.
O final do livro é muito bem feito e da até uma vertigem. Os 3 últimos capítulos eu fiquei com cara de bobo pensando "não pode ser verdade, não, NÃO!". Os seus conceitos de vida e morte vão balangar. Suas ideias sobre política, ética e moral vão tremer, pois a cada diálogo ou crítica que o autor escreve entre alguns parágrafos, você com certeza terá que se colocar concordando ou discordando de tudo isso, ou seja, irá vivenciar sua existência dentro dessa história.
Jean é um daqueles escritores que tem muito a melhorar (não leia isso como se a obra fosse ruim, é incrível, o que quero dizer é que ele é novo e já tem talento) e sendo assim, cada livro que ele escrever poderá nos trazer mais e mais dessa essência e conjunto de características que podem fazer seu nome ficar gravado na pedra dos escritores de ficção científica brasileira.
Essa aventura cheia de reviravoltas. Cheia meeeesmo. Com pegada distópica deve ser lida por todo e qualquer amante desse tipo de ficção. Ao escritor fica aqui meu muito obrigado por essa experiência literária. E para encerrar, gostei muito das pontas soltas cara, dizendo que essa é só uma história dentre outras do mesmo universo seu. Gostei muito disso. Engrandece muito a obra e também a responsabilidade sua como escritor.