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    Só Para Mulheres -

    Clarice Lispector

    Rocco
    2008
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9788532523457
    Português Brasileiro
    3.6
    239 avaliações
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    A publicação dá prosseguimento ao resgate da obra jornalística de Clarice Lispector, iniciado em 2006, com o livro Correio feminino. Esta nova coletânea – organizada por Aparecida Maria Nunes, doutora em literatura brasileira pela USP – recupera as colunas femininas assinadas pela escritora sob os pseudônimos de Tereza Quadros e Helen Palmer, e como ghost-writer da atriz Ilka Soares, para o tablóide Comício e os jornais Correio da Manhã e Diário da Noite, nas décadas de 50 e 60. São mais de 290 crônicas inéditas, com a elegância característica de Clarice, tratando com habilidade e leveza os assuntos prosaicos do cotidiano de todas as mulheres.

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    INGRID MAYARA ALLEBRANDT03/06/2018Resenhou um livro
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    A escrita simples de Clarice

    Em 1952, Clarice Lispector foi colunista de um tabloide intitulado Comício, a convite de Rubem Braga, o qual concordou que ela publicasse sob o pseudônimo Tereza Quadros. Esse tabloide tinha como proposta a oposição ao governo Getúlio Vargas, porém, em sua coluna "Entre mulheres", Tereza Quadros não tratou diretamente de dar opiniões políticas. Nas entrelinhas de seus escritos sobre assuntos (f)úteis do universo feminino, seu intuito era despertar o pensamento crítico acerca dos valores éticos da condição feminina na sociedade. Assim, seu público-alvo era as mulheres com tempo e disposição para refletir/estudar. De agosto de 1959 a fevereiro de 1961, ao retornar dos E.U.A., Clarice escreve em sua nova coluna "Feira de utilidades" no Correio da Manhã, usando o pseudônimo Helen Palmer. Seu público-alvo era formado por mulheres solteiras que desejavam o casamento, por isso suas temáticas eram mais associadas a tarefas domésticas, cuidado de filho e marido, e como ficar bonita diante dessa jornada mulher-esposa-mãe. De abril de 1960 a março de 1961, praticamente na mesma época em que publicava seus conselhos no Correio da Manhã, ela começou a escrever no Diário da Noite, na coluna "Só para Mulheres". Invez de usar pseudônimo, Clarice era ghost writer da atriz Ilka Soares, a qual era considerada como um ideal de beleza e glamour. Seu público-alvo era as mulheres casadas que trabalhavam e/ou tinham filhos. Seu pretexto era falar sobre como se maquiar e se comportar nos eventos sociais, respeitando a individualidade de cada uma. Fato importante de ser lembrado é que Clarice Lispector já havia trabalhado na imprensa antes disso tudo - como repórter e tradutora - e sua escrita singular já era conhecida (ela foi uma das primeiras mulheres a trabalhar na imprensa brasileira, e mesmo assim, ainda havia colunas femininas que eram escritas por homens). Tereza Quadros, Helen Palmer e Ilka Soares foram nomes utilizados por ela por diversos motivos, e acredito que principalmente para separar sua literatura já consagrada desses escritos com linguagem bem menos elaborada, de leitura fácil e rápida. Recomendo a compra e leitura a quem realmente se interessa pela autora, aqueles (as) que, assim como eu, compraria até uma lista de supermercado escrita por ela. Uma dica: leia sabendo contextualizar a época com a situação particular da autora (divórcio, dois filhos pequenos, etc.) e seu público-alvo; lembrando também que as leitoras ansiavam por uma conselheira que pudesse lhes ajudar a passar por momentos sociais tão conturbados para as brasileiras. Ah, quem já leu o conto "A quinta história", presente no livro Felicidade Clandestina (e em outros livros da autora) vai se surpreender com duas receitas para matar baratas que estão escritas no livro Só para mulheres. Citações favoritas: "A leitura instrui e educa, eleva os pensamentos e faz com que as pessoas se irmanem melhor, compreendendo que vivem em comunidade, e como representantes de um grupo devem proceder." "A questão toda está aí: você deve imitar você mesma. O que quer dizer: seu trabalho é o de descobrir no próprio rosto a mulher que você seria se fosse mais atraente, mais pessoal, mais inconfundível." "As mulheres são mais inteligentes? – Por favor, não fale alto, pois, se houver algum homem por perto, sou capaz de apanhar… Isso não é pergunta que se faça…" "O que fazer quando o trabalho desagrada? Ou mudar de trabalho – ou mudar de atitude em relação ao trabalho."

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    Clarice Lispector

    Clarice Lispector, nascida Haia Lispector (Chechelnyk, 10 de dezembro de 1920 — Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1977) foi uma escritora brasileira, nascida na Ucrânia. Autora de linha introspectiva, buscava exprimir, através de seus textos, as agruras e antinomias do ser. Suas obras caracterizam-se pela exacerbação do momento interior e intensa ruptura com o enredo factual, a ponto de a própria subjetividade entrar em crise. De origem judaica, terceira filha de Pinkouss e de Mania Lispector. A família de Clarice sofreu a perseguição aos judeus, durante a Guerra Civil Russa de 1918-1921. Seu nascimento ocorreu em Chechelnyk, enquanto percorriam várias aldeias da Ucrânia, antes da viagem de emigração ao continente americano. Chegou no Brasil quando tinha dois anos de idade. A família chegou a Maceió em março de 1922, sendo recebida por Zaina, irmã de Mania, e seu marido e primo José Rabin. Por iniciativa de seu pai, à exceção de Tania – irmã, todos mudaram de nome: o pai passou a se chamar Pedro; Mania, Marieta; Leia – irmã, Elisa; e Haia, Clarice. Pedro passou a trabalhar com Rabin, já um próspero comerciante. Clarice Lispector começou a escrever logo que aprendeu a ler, na cidade do Recife, onde passou parte da infância. Falava vários idiomas, entre eles o francês e inglês. Cresceu ouvindo no âmbito domiciliar o idioma materno, o iídiche. Foi hospitalizada pouco tempo depois da publicação do romance A Hora da Estrela com câncer inoperável no ovário, diagnóstico desconhecido por ela. Faleceu no dia 9 de dezembro de 1977, um dia antes de seu 57° aniversário. Foi inumada no Cemitério Israelita do Caju, no Rio de Janeiro, em 11 de dezembro.

    135 Livros
    7.101 Seguidores
    Vinnytsia, Ucrânia

    Clarice Lispector