Então, o que faz que um ser seja inteligente? Basicamente o fato de que ele divide o ambiente em que vive em várias partes, vários subconjuntos, mais simples de serem conhecidos e controlados, e utiliza esse conhecimento para planejar e decidir suas ações. As sensações captadas e processadas em informações acerca do mundo exterior constituem a primeira etapa do conhecimento estruturado. A capacidade de representar de maneira adaptativa o ambiente decorre de um segundo momento no processo cognitivo, no qual a combinação de conhecimentos produz uma ação com vistas a agir sobre o ambiente. Essa capacidade pressupõe a aprendizagem de novas informações que são arquivadas com o objetivo de modificar conhecimentos adquiridos, percepções e ações; a eficiência no processo de aprender as informações depende da circulação destas entre os indivíduos, ou seja, depende da comunicação.
No ser humano, essa comunicação se processa por meio da linguagem verbal, sobretudo. Isso confere à nossa espécie uma condição ímpar em relação à capacidade de estocar, representar e enviar informações. Nesse sentido, cognição é um processo que envolve desde a percepção, passando pela organização conceitual, raciocínio, aprendizagem e ação. Em todas essas etapas, encontra-se a troca de informação. Naturalmente, o sistema nervoso central é o ator principal desse processo e nisso reside um dos principais temas de pesquisa e debate no âmbito das ciências cognitivas, tendo em vista que a aposta na IA depende fundamentalmente de que a definição de mente esteja subsumida em grande medida à capacidade de se entender os processos cognitivos e, ainda, de entendê-los como desvinculados da parte material de seus mecanismos cerebrais.
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