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    TUDO AÍ - 40 anos de poesia -

    Osvaldo Rodrigues

    Editora Penalux
    2016
    318 páginas
    10h 36m
    ISBN-13: 9788558331265
    Português Brasileiro
    4.5
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    Krishnamurti Góes dos Anjos19/05/2017Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    TUDO AÍ

    Pelos idos de 1976, um jovem poeta escreveu a poesia “Despertar” que tem esses versos: “Despertai Oh! Poetas / dos aljubes, das alcovas, das masmorras / verseje um verso sublime... poeta / na angustia, alguém a ti recorra”. Muito bem; o vate (de então), se chama Osvaldo Rodrigues que por quarenta anos seguiu pela vida afora versejando e produzindo obras de inegável valor poético. Isto de seguir na Literatura por mais de quarenta anos é que é “o negócio”. Produzir literatura (e poesia em particular), num país em que a maioria da população por questões ligadas a nossa própria formação (e outras razões nem tanto por isso), vive cega de poesia, fundindo-se como rochas nos mastros ilusórios da razão – para usar uma expressão da poeta Clara Baccarin- , é realmente um feito notável. “Tudo aí” – 40 anos de poesia de Osvaldo Rodrigues editado pela Penalux, é o testemunho vivo da estrada percorrida. Em um projeto editorial de muito bom gosto, divide-se a obra em capítulos que marcam a trajetória do poeta em 318 páginas. Desde as primeiras produções até as mais recentes que atestam a maturidade literária alcançada por este poeta. As mais recentes poesias reunidas no capítulo “Confidencial” são excepcionais, e somente essas dariam uma belíssima obra. Acertado, e muito, o comentário de Celso de Alencar que salienta a relação do poeta com a linguagem, com a palavra, com o movimento, a projetar-lhe a maturidade. E ainda Carlos Felipe Moisés acrescenta que a pesquisa de novas formas, ritmos e modalidades expressivas, levadas a efeito pelo autor, e fruto de curiosidade e insatisfação permanentes – não é simples exercício intelectual, “mas a tentativa de encontrar o instrumento adequado à tradução dos passos de outra pesquisa que corre paralela, sobre o sentido e a razão da existência. Daí, a forte impressão que seus versos deixam de um ser humano que cresce à medida que o poeta aprimora os seus dons, e vice-versa”. Não há mais a comentar. Trata-se de obra de percurso traçado. Disse que não há mais a comentar também, porque estou aqui digitando esse texto tomado por uma vontade imensa de transcrever várias de suas poesias. Mas, como não é possível pelo reduzido da intenção de Resenha, vai uma das mais belas, acompanhada da pergunta. Depois de ler uma coisa assim dá ou não, uma vontade louca de estar dentro de um “eu te amo”? O AMOR TEM QUE SE PERMITIR Se um dia fores dizer: eu te amo certifique-se se estás cego Se um dia fores falar: eu te amo verifique se já tens diploma de solidão Se um dia fores pronunciar: eu te amo dê uma espiada nas ferrugens dos trincos Se um dia desejares gritar: eu te amo veja se todas as portas e janelas estão abertas Se um dia, pelo menos, pensares: eu te amo olhe delicadamente entre os vãos do espanto Se um dia anoiteceres sonhando: eu te amo Anote num papel a tua rebeldia juvenil Se um dia amanheceres sussurrando: eu te amo pegue o primeiro trem rumo ao paraíso Se um dia se aventurares num: eu te amo ignore as alturas das montanhas Se um dia quiseres balbuciar: eu te amo não tenha medo do abismo aos teus pés Se um dia em tuas mãos repousar um: eu te amo roube uma flor do jardim mais próximo Se um dia em tua vida te assaltar: eu te amo não te esqueça de assassinar teu senso comum Se um dia de suicídio houver um chamado: eu te amo reúna a criançada, vá pular corda, amarelinha, passa anel... Se um dia em teu coração pulsar: eu te amo será crime perfeito e florirá em teus vasos sanguíneos Se um dia o vento soprar em teus cabelos: eu te amo recolha as folhas deixe livre o caminho primaveril Se um dia em teus olhos brilhar: eu te amo mergulhe, esqueça a profundidade do penhasco Se um dia em tua alma se permitir: eu te amo deixe-a repousar em um terreno baldio Se um dia teus olhares cruzarem com um: eu te amo estenda a mão para a eternidade de silêncios Se um dia em teus ouvidos soar: eu te amo não vá para o trabalho não vá para a escola não vá para a academia não vá para o bar não vá para o cinema não vá para o teatro não vá para o parque não vá para a rua não vá não vá não vá fique em teu corpo tua casa sagrada. Livro: “Tudo aí – 40 anos de poesia”, de Osvaldo Rodrigues. Editora Penalux – Guaratinguetá – São Paulo. 2016. 318 p.

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