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    Cadernos Negros - Os Melhores Poemas

    Oswaldo de Camargo

    Quilombhoje
    1998
    141 páginas
    4h 42m
    ISBN-13: 9788587138163
    Português Brasileiro
    4.9
    9 avaliações
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    O livro "Cadernos Negros - Os melhores poemas" reúne poemas de autores negros consagrados. Com temas como negritude, feminilidade, maternidade e liberdade as poesias se entrelaçam com a jornada do povo negro e provoca no leitor a sensação da vivência escrita em suas páginas. São autores: Abelardo Rodrigues, Carlos de Assumpção, Celinha, Conceição Evaristo, Cuti, Éle Semog, Esmeralda Ribeiro, Jamu Minka, Jônatas Conceição, Jorge Siqueira, Landê Onawale, Lepê Correia, Lia Vieira, Márcio Barbosa, Miriam Alves, Oliveira Silveira, Oswaldo de Camargo, Oubi Inaê Kibuko, Sônia Fátima, Teresinha Tadeu, Waldemar Euzébio Pereira.

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    Lais Porto (@umaleitoranegra)08/09/2018Resenhou um livro
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    Cadernos Negros Os melhores poemas

    O poema é um instrumento que possibilita inúmeras interpretações, o poema Quebranto de Cuti me levou a ter uma determinada forma de pensamento e ao mesmo tempo imaginei as outras possíveis leituras que poderia ter, um dia quando eu encontrar Cuti perguntarei o que ele realmente quis dizer com esse poema, enquanto isso não acontece vamos com a minha visão de leitora sobre o poema. Muitas vezes nós negros passamos por momentos da auto sabotagem, o que quero dizer com isso, desde muito cedo somos ‘denegridos’, depreciados, somos menosprezados, somos constantes vítimas do racismo e dessa forma não é possível formar uma auto estima saudável que faça com que possamos gostar de nós mesmos, nos achar pessoas bonitas, inteligentes, capazes, isso reflete na nossa saúde mental e assim nós começamos a pensar que não conseguiremos uma vaga, um cargo ou algo que sonhamos, vejam bem, esse sentimento da auto sabotagem não surge em nós por nos mesmos, mas foi algo criado numa sociedade que se alicerça na branquitude denominado o que é o padrão, o certo, o melhor a fazer, pensar e viver. Quando não temos uma rede de apoio ou não temos aceso a terapias isso faz com que essa auto sabotagem fique mais forte e sozinhas é muito difícil lutar contra isso, porque é uma batalha diária para lidar com isso e conseguir superar, é preciso ajuda de outras pessoas negras, de uma profissional de saúde, é preciso estudos sobre a temática negritude, é necessário entender essa lógica pela qual lutamos contra, entender o que nos oprime e também entender no que acreditamos e pautamos para nossas vidas. Nisso infelizmente o que acontece é que nós negros por vezes acabamos reproduzindo também o racismo, em inúmeros momentos isso é algo inconsciente, pois fomos educados para isso, para vivermos em guerra entre os nossos para não conseguir acertar o verdadeiro alvo, enquanto nos matamos a branquitude vive em paz. Por isso o braço do Estado é uma polícia preta que mata gente preta, os vigias do banco são pretos que barram pretos na porta, os seguranças do shopping são pretos que barram meninos negros de circular naquele espaço. Entendermos que não são eles os nossos inimigos, mas sim quem os formou e forjou faz toda a diferença na militância e na vivência diária. Ao perceber isso acho que o nosso modo de ver as situações muda, e com isso passamos a nos olhar de forma diferente. Eu tento a todo momento não me sabotar, acreditar em mim mesma, estou em terapia, leio e estudo sobre isso e graças a deusa tenho uma boa rede de apoio, isso tem me ajudado muitooo, as vezes tem aqueles momentos difíceis, mas logo penso que não estou sozinha neste espaço tempo em que vivemos e consigo me recompor para permanecer viva e em luta. Então foi tudo isso que a poesia de Cuti me despertou, já relatei em outras resenhas como acho fantástica a escrita de Cuti, seja nos contos ou nas poesias, meu sonho de princesa de Wakanda é encontrar este maravilhoso escritor e tirar uma bela foto com ele kkkk Outra poesia que me tocou foi - Teimosa presença de Lepê Correia, porque após esse processo de descolonização e desconstrução nós negros passamos a ter consciência de que somos a presença que teima, incomoda, insurge, reivindica, luta que não para e sempre está em movimento, aquela presença que representa e modifica outras pessoas e assim consegue modificar mesmo que aos poucos os espaços que ocupa.

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    Oswaldo de Camargo

    Poeta, ficcionista, crítico, historiador da literatura e um dos mais destacados escritores negros das últimas décadas, Oswaldo de Camargo nasceu em Bragança Paulista-SP, em 24 de outubro de 1936, filho de Martinha da Conceição Camargo e Cantiliano de Camargo, ambos trabalhadores da lavoura de café. Até os seis anos, viveu no campo, daí saindo com a morte da mãe. Demonstrou desde cedo interesse pela música e pelo estudo, fato que, aliado à inclinação religiosa, levou-o ao Seminário Menor Nossa Senhora da Paz, em São José do Rio Preto, onde obteve formação humanística. Já na infância, o futuro homem de letras vivencia a discriminação por sua origem de classe e de cor. No seminário, conhece a poesia dos parnasianos, e também a de Carlos Drummond de Andrade, seu preferido. Mesmo sem prosseguir nos estudos de Teologia, dedica-se à produção letrada e, aos 16 anos, compõe o livro de poemas Vozes da Montanha, até hoje inédito. Em seguida, transfere-se para a capital, a fim de dar continuidade à sua formação, bem como ingressar no mercado de trabalho. Frequenta os círculos católicos, atua como organista da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e colabora no suplemento literário do Correio Paulistano, dirigido por Péricles Eugênio da Silva Ramos. Em 1959, passa a atuar como revisor de O Estado de São Paulo. Estreia na literatura neste mesmo ano, com os poemas de Um homem tenta ser anjo, de nítida inspiração católica, que obteve boa repercussão na crítica. De: http://www.letras.ufmg.br/literafro/autores/360-oswaldo-de-camargo

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    São Paulo, Brasil

    Oswaldo de Camargo