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    Persepolis 3 (Ciboulette) -

    Marjane Satrapi

    L'Association
    2002
    96 páginas
    3h 12m
    ISBN-1: 0
    4.8
    10 avaliações
    Leram9Lendo1Querem1Relendo0Abandonos0Resenhas2
    Favoritos1Desejados1Avaliaram10

    Pour ce troisième Volume (prépublié dans le cahier d'été 2002 de Libération), nous découvrons l'exil de la petite Marjane en Autriche, ses expériences chez les bonnes sœurs et chez les autres exilés iraniens, l'apprentissage d'un Occident qui la surprend et l’amène à revendiquer haut et fort ses origines.

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    Nátali Nuss picture
    Nátali Nuss08/08/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    La honte de ne pas être devenue quelqu'un

    Seguindo minha série de resenhas dos tomos de ‘Persepolis’ e retomando algumas ideias que eu abordei nos textos sobre os dois primeiros volumes, esse livro é um romance de formação de memórias reais em BD que não só desmistifica a visão ocidental sobre a sociedade iraniana, quanto encarna uma espécie de distúrbio - a nível mais individualizado - relativo à ausência do sentimento de pertencimento dos iranianos provenientes da diáspora do pós-revolução islâmica. Ou seja, como eu disse na resenha do tomo dois, os livros problematizam também o desafio de encontrar uma identidade própria enquanto se sente uma estrangeira em seu próprio país e se é vista com desconfiança em terras estrangeiras. O volume três de ‘Persepolis’, portanto, começa quando Marji chega na Áustria para viver a segunda metade da sua adolescência. A gente acompanha, então, a difícil adaptação dela vivendo em um país onde não fala o idioma, não partilha a mesma cultura e no qual a sua etnia a subjuga a uma circunstância de opressão ininterrupta. Nesse período, ser iraniano - ou uma pessoa não-ocidental, como um todo - representava para o Ocidente tudo que há de mais digno de terror possível, posto que a guerra se agravava e o regime do Aiatolá recrudescia. Dentro dessa conjuntura, Marjane relata ter feito alguns amigos - os mais alternativos possíveis -, mas sem nunca verdadeiramente se sentir pertencente aos espaços que integrou. Por vezes, ela parece carregar uma espécie de culpa por ter tido êxito em se livrar do contexto de guerra no qual sua família ainda estava submetida e por ter que, enquanto isso, lidar somente com certas frivolidades juvenis daqueles seus amigos que se acreditavam muito revolucionários. Sob esse prisma, a gente acompanha sua jornada pela puberdade e também pelos primeiros amores, onde a história assume um tom muito mais pessoal que antes. Apesar do cotidiano menos desolador que ocupa o tempo de Marjane, sua vida não é por isso mais fácil. Pelo contrário; a xenofobia, as dificuldades financeiras, a saudade de casa e a busca constante por uma identidade própria a afetam profundamente. Por conta dessa realidade relativamente mais amena, numa primeira leitura pode-se sentir que a guerra, enquanto sujeito, é suprimida neste livro. Isso é enganoso, no entanto, porque enquanto Marji se divide entre o liceu francês, seus relacionamentos conturbados e o uso de drogas, ela se obriga a ignorar notícias sobre o Irã como um subterfúgio para se manter sã. A guerra, então, não se manifesta no que é expresso, mas justamente no que é silenciado - conforme um reflexo de trauma. É nesse instante que se intensificam os seus comportamentos autodestrutivos e fica evidenciado o progressivo avanço de uma condição depressiva. Retomando a ideia de culpa apresentada anteriormente, o que a gente tem no tomo três pode ser lido como cenários que representam uma definição de algo que eu li recentemente em um texto falando sobre o genocídio em Gaza: o conceito de ‘culpa do sobrevivente’. O termo refere-se à avaliação que um sobrevivente faz de que não merecia ter a ‘sorte’ de conseguir se livrar de uma situação extrema - como a guerra -, enquanto seus familiares e amigos não obtiveram o mesmo êxito. Tal situação pode ser piorada quando o sobrevivente em questão acaba, por fim, acreditando que talvez fosse melhor ter morrido em um bombardeio do que ter que enfrentar o peso do testemunho, na medida em que acredita carregar o agravante de ‘não ter se tornado ninguém’ com toda a oportunidade que teve. É o caso de Satrapi. Isso quer dizer, no fim das contas, que a guerra não mencionada é empacotada e colocada em uma mala bem pequena, mas bem pesada, que Marjane traz consigo por toda parte. Ao fim do volume, essa angústia se torna insuportável e ela decide retornar ao seu país cerca de cinco anos após ter partido. Agora, Marji é uma jovem adulta e muito mais ocidentalizada em um Irã ainda mais autocrático, guiado cada vez mais pelas interpretações radicais dos fundamentos islâmicos e com marcas aparentes dos anos de guerra. Mas esse já é o panorama do volume 4. Em resumo, este é mais um tomo incrível dessa história que não tem parte mais ou menos; é tudo excepcional.

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    4.8 / 10
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    Marjane Satrapi profile picture

    Marjane Satrapi

    Marjane Satrapi nasceu em Rasht no Irã em 22 de novembro de 1969. Quando tinha nove anos, testemunha a queda do Xá, o início da Revolução Islâmica e a guerra com Iraque, sofrendo com as grandes transformações de costumes e relações sociais do Irã. Com a ditadura religiosa imposta no Irã, Marjane vai à Viena, onde mora durante quatro anos e depois retorna ao Irã, onde cursa artes plásticas na Universidade de Teerã e retorna à Europa, morando em Paris aonde trabalha como artista plástica. Em 200o começa a publicar Persepolis, uma série de quatro livros de história em quadrinhos, autobiográficos, narrando desde a sua infância, a história, os costumes, as relações familiares e sociais no Irã no período de 1978 até os anos 90. Além da história de seu país, Marji nos conta a história que muitas crianças e jovens viveram nos anos 80 e 90, com toda a busca por liberdade e os gostos culturais desta época. Devido ao grande sucesso, Persepolis, foi traduzido em vinte línguas e adaptado para o cinema, com a própria Marjane Satrapi na direção com o apoio do francês Vincent Paronnaud. No Brasil, os quatros livros que compõem Persépolis foram pulicados em um único volume pela editora Companhia das Letras.

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    449 Seguidores

    Marjane Satrapi