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    Contos Novos (Box Obras de Mário de Andrade) -

    Mário de Andrade

    Novo Século
    2017
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-13: 9788542810332
    Português Brasileiro
    3.8
    201 avaliações
    Leram298Lendo29Querem238Relendo0Abandonos12Resenhas35
    Favoritos6Desejados238Avaliaram201

    "Contos Novos" foi publicado postumamente, em 1947, e narra os relatos da maturidade artística de Mário de Andrade. Trata-se de uma coletânea de textos escritos pelo autor ao longo de sua vida, desde os primeiros momentos do Modernismo, passando pelo gênero nacionalista e pela interpretação crítica, sem perder suas características artísticas e estéticas.

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    Ana Sá picture
    Ana Sá18/03/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Não sei bem se são contos, sei que contam verdades

    Do Mário de Andrade contista eu conhecia apenas o ótimo conto "O peru de Natal". E neste livro, temos esta e mais oito narrativas, sendo quatro delas marcadas por traços autobiográficos. Não é à toa, portanto, a confissão que abre o primeiro texto: "não sei bem se o que vou contar é conto ou não, sei que é verdade". Em "Vestido preto", "O peru de Natal", "Tempo da camisolinha" e "Frederico Paciência", o narrador Juca nos apresenta um pouco da vida do próprio Mário de Andrade, ainda que não importe saber o que é fato e o que é ficção. Acompanhamos o primeiro amor da infância, o luto (quase celebrativo) pela morte do pai, as viagens em família para a praia e o ensaiar de uma relação homoafetiva que forçosamente só pôde ser encarada como amizade... O fato é que muitas dessas situações tinham tudo para serem banais, não fosse a maestria do autor! "O peru de Natal" torna-se genial ao nos colocar diante da disputa de atenção encenada pelo cadáver (concreto) do peru posto à mesa e o cadáver (simbólico) do pai de família recentemente falecido. "Tempo da camisolinha" traz a ingenuidade infantil de uma forma tão querida que terminei o conto com vontade de abraçar Juca. Já "Frederico Paciência" é um conto arrebatador, o meu favorito do grupo da "autobiográfico". A história articula tensão sexual, afeto, angústia... Identifiquei na amizade ambígua de Juca e Frederico muitos dos meus alunos e de tantos outros estudantes adolescentes que não sabem como lidar com sua sexualidade e com suas demonstrações de carinho, mesmo que fraternais, em uma sociedade machista e heteronormativa. É interessante e importante ver que um escritor indiscutivelmente consagrado da literatura brasileira tem uma produção que pode ser também colocada na estante da literatura LGBTQIA+ (se adotarmos um conceito amplo de "literatura LGBTQIA+", que se oriente sobretudo pela temática do texto). Fora desse conjunto de "autoficções", eu destacaria "Primeiro de Maio" e "O poço" por terem como pano de fundo a luta de classes. O modo como a classe trabalhadora é representada no primeiro é absolutamente genial! A premissa de um trabalhador empoderado que pretende celebrar um feriado supostamente a ele dedicado não poderia ter rendido uma narrativa melhor. Brilhante! No mais, há alívios cômicos como o conto "O ladrão", que nos mostra como a dinâmica de um bairro pode ser afetada pelo simples grito de "pega o ladrão", importando mais a fofoca e o furdunço do que o fato em si. Há também o conto de muitas camadas "Atrás da catedral Ruão" (que eu pretendo reler para melhor compreender! rs), que contrapõe moralismo e desejo a partir da relação erótica que a protagonista virgem, por volta de seus 40 anos, estabelece com elementos do espaço urbano. "Contos novos" é um típico representante dos livros que classificamos como "bom de ler". Uma obra póstuma de 1947 que grita atualidade! Terminei a leitura abraçando a minha ignorância e me perguntando: "por que esses contos demoraram tanto para me encontrar?". Boa parte dos textos nele contidos, a meu ver, nem são exemplares geniais do gênero conto, mas isso pouco me importou. No fim, como bem me alertou Juca, não sei bem se o que li foram contos, mas sei que contaram verdades. Verdades sobre nossos afetos e sobre um Brasil que, como diria Millôr, insiste em ter um enorme passado pela frente, sobretudo no que se refere a esse patriarcalismo nocivo tanto às relações pessoais quanto às relações de trabalho. Que bom encontro foi este com o Juca de Andrade contista!

    81 curtidas

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    3.8 / 201
    • 5 estrelas16%
    • 4 estrelas36%
    • 3 estrelas39%
    • 2 estrelas7%
    • 1 estrelas1%
    Mário Raul de Moraes Andrade profile picture

    Mário Raul de Moraes Andrade

    Andrade nasceu em São Paulo no dia 9 de outubro de 1893, onde morou durante quase toda a vida até morrer no dia 25 de fevereiro de 1945. foi um poeta, romancista, crítico de arte, musicólogo, folclorista e ensaísta brasileiro. Seu segundo livro de poesias, Paulicéia Desvairada, marcou para muitos o início da poesia modernista brasileira. Em 1922 parcitipou ativamente da Semana de Arte Moderna, que teve grande influência na renovação da literatura e das artes no Brasil.

    125 Livros
    365 Seguidores
    São paulo, Brasil

    Mário Raul de Moraes Andrade