Dom Casmurro -

    Machado de Assis

    Nova Fronteira
    2014
    208 páginas
    6h 56m
    ISBN-13: 9788520920411
    Português Brasileiro

    Machado de Assis (1839-1908) ocupa, sem dúvida, um lugar ímpar na literatura brasileira e universal, notoriedade atestada, sobretudo, pelas suas inúmeras traduções em diversas línguas. Autodidata, mestiço, de origem humilde, ainda em vida teve o reconhecimento de seu trabalho como escritos e como figura literária representativa. Marcou se nome na literaturam, notadamente, com o romance, o conto e a crônica, embora possamos dizer que tenha produzido em quase todos os gêneros literários. Dom Casmurro, um dos romances mais conhecidos do autor, foi publicado pela primeira vez em 1900. Bentinho, Capitu e Escobar são os protagonistas do enigmático triângulo amoroso criado por Machado de Assis e já fazem parte do nosso imaginário. A narrativa se passa na cidade do Rio de Janeiro, no período do Segundo Império, embora saibamos que as questões da obra não se circunscrevem a um tempo ou a um lugar específicos. A dúvida quanto à traição da mulher amada, que perpassa toda a narrativa, se amplifica em questões sobre as incertezas e vicissitudes tão humanas, a imaginação e a fragilidade de nossas convicções.

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    Rosa Maria Santana05/01/2009Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Não é Capitu que trai. É Bentinho!!! Só mesmo um escritor com toda a genialidade de Machado de Assis poderia ter criado esse que é um dos maiores enigmas da nossa literatura. Por traz do narrador casmurro ele manipula o leitor. O que Bentinho conta? A história de Capitu? É o que ele quer dar a parecer: a história de Capitu e sua traição. Mas o livro se chama "Dom Casmurro", referindo-se a ele próprio como sendo o desprezado e excluído da boa convivência, quando, na verdade, ele é que despreza as pessoas e delas se isola. Aí o perfeito jogo: ele, o fidalgo (Dom), é que se afasta das pessoas; que se dá a conhecer apenas superficialmente, pois não se aprofunda nas relações; o que se desliga de tudo; o que quer se fazer de coitado para ganhar a piedade dos leitor. Aí a traição de Bentinho. Ele trai o leitor. Mas essa traição - como todas, é lógico - é escamoteada por seu jogo retórico: o reprimido, o recalcado Bentinho dá-nos a ver suas "desconfianças" (aparência) - que nem precisam de provas - acerca do comportamento de Capitu. Ora, o romântico e imaturo personagem, de índole sonhadora que é hábil em encobrir seus próprios sentimentos até mesmo da própria figura respeitada da mãe, inventa ardilosamente... E só lendo nas entrelinhas para descobrir os ardis do narrador (a essência). Assim é Bentinho: um personagem romântico que contempla as estrelas (cap. CVI); um narrador "realista" que nos engana mostrando-nos uma Capitu habilidosa, sutil e prática, que calcula os objetivos a atingir, mas esconde essas características - que tb são as dele - ao traçar o próprio perfil. E mais: ele enfatiza a veracidade e objetividade do que está narrando. Mentira dele! Ele não pode ser imparcial, visto situar-se como protagonista do que conta, sendo subjetivo, claro; e parcial, evidente! Assim é que Bento (a ironia do nome!) trai o leitor desavisado, aquele que se fia nele, que fica no raso (ah! os leitores do Coelho!) através do perfeito jogo retórico em que o engendra. Mas há um outro leitor - aquele que o desmascara. Desse o narrador não obtém a solidariedade e ele fica cada vez mais solitário, mais casmurro, mais desprezado! Esse o enigma maior! Penso que, armando-o, para implantar a dúvida no leitor, Machado, com toda a sua habilidade narrativa, mostra-nos que o mundo das aparências é uma máscara que encobre o da essência: o ser humano é frágil e contraditório. É esse o drama da condição humana: as verdades (?) são frágeis; a natureza humana, também. .

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