Olá meu povo, como estão?
A resenha da vez é de um livro nacional, quem nos acompanha aqui no blog sabe o quanto amamos falar e dar visibilidade para autores nacionais e dessa vez, lhes apresento Mundos Paralelos – A ponte, primeiro livro da série Mundos Paralelos.
Em A Ponte conhecemos Angak, uma jovem muito curiosa, que deseja expandir seus conhecimentos sobre os deuses, sobre o mundo e si própria. Porém esse desejo não é tão simples de se obter, primeiro porque os Anciões detêm para si a principal fonte de estudo que só poderia ser acessada no período certo do ano e de acordo com as cerimônias. Mas isso não impede nossa protagonista de ir atrás do que quer.
Angak vive com sua irmã mais velha, Anah. Elas perderam os pais cedo e desde então sobrevivem da melhor maneira possível sozinhas. Anah é uma sacerdotisa da terra, ela tem profundo conhecimento de plantas e as estuda com prazer. Como irmã mais velha, assume a criação de Angak. Nossa mocinha conta ainda com Maya, sua melhor amiga. Maya é aquele tipo de amiga que está sempre por perto para animar e ajudar, as duas tem uma relação muito bonita.
“Você deve ser quem é e não quem os outros esperam que você seja. Precisa aceitar o seu eu nesta fase de sua vida, mesmo que para isto seja necessário opor-se a certos conceitos e valores.”
Paralelo a isso, no Mundo Superior, os filhos dos deuses precisam cumprir uma missão muito importante: proteger e preparar Angak para o que viria a seguir. O momento do deus Uno voltar estava próximo, em seu mundo Angak não faz ideia, mas ela tem um papel muito importante.
Ao longo do livro vamos vendo a ação dos seres superiores e inferiores na luta para proteger ou destruir Angak, nossa mocinha enfrenta diversas adversidades em sua jornada, por sorte ela pode contar com o auxílio de Anah, Maya e Nandecy, uma senhora que já pertenceu ao clã dos anciãos e acaba se tornando uma guia para Angak em sua busca por conhecimento.
A jornada da Angak por auto conhecimento e liberdade é interessante, o livro é cheio de discussões filosóficas sobre em que acreditar, em como alcançar a liberdade completa de mente e assim encontrar paz consigo mesmo. A importância de enfrentar as consequências por nossas ações e escolhas, tudo isso Angak enfrenta o que a torna mais forte.
“Penso que somos livres para sentirmos tudo a que um ser humano está sujeito, que somos livres para refletir, analisar, pensar e acreditar naquilo que nosso coração se inclinar. Penso que liberdade é ser eu mesma, de maneira integral e viver tudo o que a vida tem para ser vivida em cada fase, sem vergonha ou arrependimentos.”
Outro ponto interessante foi a escolha que a autora fez ao inserir os seres superiores e inferiores na história. Eles não aparecem de forma espetacular como estamos acostumados em livros de fantasia, como são filhos dos deuses elementos (água, terra, fogo e ar), eles se manifestam como seres pertencentes a esses elementos, planta, animais, etc e dessa forma eles influenciam as situações. Eu achei isso genial.
Esse é um livro em que você vê claramente uma dedicação da autora, um bom trabalho de pesquisa e criação, o que considero mais um ponto positivo, porque a literatura atual tem perdido muito por causa de autores preguiçosos. Não é o caso da Rosana, ela criou e fundamentou um novo mundo super interessante e por isso aplausos!
“O inverno da vida. É no inverno, quando se perde toda beleza, toda cor, quando todos são despojados de toda certeza e verdade; é aí que todos se tornam mais fortes.”
É claro que nem tudo são flores, e eu vi alguns problemas no livro que merecem ser citados e comentados. 1. Eu senti falta de um glossário, quando um mundo novo é criado, com elementos bem distintos dos que nos é comum, existem duas opções para o autor: ele nomeia esse novo elemento ou cria um glossário. Caso não faça isso, vai cair na máxima de ficar repetindo explicações e descrições ou pior, o leitor vai boiar...
2. Quebra de ritmo. Em vários momentos eu senti uma quebra no ritmo do livro, nós víamos algo acontecer de ação para depois sermos jogados para alguma descoberta/análise filosófica da Angak ou de outro personagem. Por mais que eu tenha achado interessante e fascinante esses momentos, eles aconteciam em situações aleatórias o que acabava roubando a emoção de alguma outra cena. Complicado...
3. Me incomodou também não poder me localizar em algum momento histórico, me pareceu no inicio que a história se passava em um período medieval, mas depois apareceu um navio que apitava... não se encaixa né. Fora a passagem de tempo dentro do próprio livro, não sabia se tinham se passado anos ou apenas dias em alguns momentos. Foi #tenso. Também não gostei da estrutura dos últimos capítulos, um novo personagem é inserido e o foco da história muda para ele e Angak e todos os outros são esquecidos por pelo menos 3 capítulos. Várias coisas interessantes acontecendo e a gente sem poder acompanhar por causa do foco narrativo ter sido alterado. Um romance que não me conquistou, mas como tem continuidade pode ser que me conquiste no próximo livro rs.
Para encerrar vou falar sobre a edição, eu adorei a capa, acho que combina muito bem com a vibe do livro e a proposta da história. Mas só isso. O livro tem graves problemas de revisão, o que eu considero um desrespeito com o autor, leitores e a literatura nacional. Independente de ser uma editora pequena ou não, acredito que deveriam ter um cuidado maior com os nossos autores. Existe uma média de erros perdoáveis, mas não é esse o caso. Editora Insular, mais atenção por favor!
Apesar das críticas, ainda indico o livro por acreditar que ele trata de assuntos interessantes que valem a pena serem discutidos (esse é um ótimo livro para um buddy read, alô clubes de leitura!), é criativo e com um bom lastro. Espero que vocês tenham gostado da resenha, não deixem de comentar, ler a entrevista com a autora e participar do sorteio. Confira as regras logo a seguir!