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    O fio perdido (Dialética) - ensaios sobre a ficção moderna

    Jacques Rancière

    Martins Fontes
    2017
    152 páginas
    5h 4m
    ISBN-13: 9788580633153
    Português Brasileiro
    4.1
    12 avaliações
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    Sobre o livro: “Não há livro ali dentro” dizia, em 1869, um crítico sobre A educação sentimental. As ficções emblemáticas da modernidade literária destroem o que era o próprio princípio da ficção desde Aristóteles: o encadeamento de ações segundo a necessidade ou a verossimilhança. Mas essa mesma racionalidade causal, que se opunha à simples sucessão das coisas, exprimia ela mesma a excelência da forma de vida de uma categoria privilegiada de humanos. Recusando essa estrutura de racionalidade, a nova ficção era testemunho de uma mudança radical que subvertia a hierarquia das formas de vida. Mas ela também recusava um modelo da ação e uma imagem do pensamento. Através de Flaubert, Conrad, Virginia Woolf, Keats, Baudelaire e Büchner, este livro estuda as formas e paradoxos dessa revolução da escrita, que é também uma revolução no pensamento e coloca novamente em questão algumas interpretações da modernidade literária, como a reificação de Lukács, o efeito de real de Barthes ou a análise benjaminiana do “poeta lírico no apogeu do capitalismo”. Sobre o autor: Jacques Rancière, nascido na Argélia em 1940, é um dos mais renomados filósofos da atualidade e autor de várias obras publicadas e reconhecidas mundialmente. Seu trabalho é voltado para as áreas de história, filosofia, estética e política. Atualmente, dá aulas na European Graduate School de Saas-Fee, na Suíça, e é professor emérito do departamento de filosofia na Universidade Paris VIII, onde lecionou de 1969 a 2000.

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    Luiz Pereira Júnior picture
    Luiz Pereira Júnior04/03/2026Resenhou um livro

    Pegando poeira...

    “O fio perdido”, de Jacques Rancière, não é para principiantes e muito menos para leigos. Explicando: por meio de uma linguagem densa, parágrafos longos, meandros intrincados de raciocínio, mesclando filosofia, teoria literatura, psicologia e até mesmo sociologia, o autor propõe e analisa uma assim chamada nova ficção. Ao contrapor/justapor “a reificação de Lukács, o efeito do real de Barthes ou a análise benjaminiana do ‘poeta lírico no apogeu do capitalismo’” a obras de grandes autores (Flaubert, Conrad, Virginia Woolf, Keats, Baudelaire e Büchner são os mais destacados), Rancière estuda a fundo e problematiza o fazer literário (inclusive a práxis teatral) de uma forma que pode levar o leitor a dois caminhos: ou a refletir profundamente sobre o que significa a ficção nos tempos atuais por meio das obras dos grandes (e por vezes enigmáticos) mestres da literatura ocidental, ou a simplesmente abandonar a leitura pela simples razão de “Deus do céu! Que livro complicado! Não entendi nada!”. Vale uma explicação: sou professor e, como tal, tenho alguns horários vagos e sempre levo algum livro de teoria literária para ler nesses horários. Dessa forma, não preciso ter pressa alguma em terminar de ler o livro que levei para preencher o vazio dos horários. E é nessa lógica que se encaixa a leitura que fiz de “O fio perdido”, sem dúvida um desafio a ser percorrido com calma e muita, mas muita mesmo, paciência. Se você tem experiência nas áreas de Letras e Filosofia (embora algumas obras citadas que não os dos autores discriminados acima sejam bastante obscuras nos dias atuais) e gosta de desafios, esse pode ser um livro para você; se você não tem interesse nessas áreas, desculpe-me a sinceridade: não gaste seu rico dinheirinho comprando esse livro, pois, com quase certeza, ele ficará pegando pó nas suas estantes...

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    Jacques Rancière

    Filósofo francês, professor emérito da Paris VIII, onde lecionou entre 1969 e 2000. Sua obra se concentra sobretudo em estética e política. Escreve regularmente para a <i>Folha de S. Paulo</i> e para <i>Les Cahiers du Cinéma</i>.

    36 Livros
    30 Seguidores

    Jacques Rancière