A ideia de zumbis no final da guerra civil americana era uma das melhores que eu já tinha encontrado antes mesmo de começar a ler. Honestamente, achava a ideia tão boa já, que tinha medo de criar expectativas que nunca seriam superadas ou ao menos alcançadas. Mas toda a atmosfera do livro, toda a explicação dos zumbis e a personalidade da protagonista são melhores do que eu esperava. Tem tanta personalidade nesse livro, que foi fácil colocá-lo na minha lista de favoritos.
Dread, aliás, é a palavra certa para ele, porque também é o sentimento que fica no leitor durante quase toda a história. Ela é dividida em duas partes e a segunda realmente me fez sentir como se fosse quase uma distopia histórica do velho oeste (muito bem feita, aliás). A história é sobre zumbis, então fui bem besta de ficar surpresa por algumas partes terem suspense e me deixarem, para ser sincera, um pouco assustada. Era de se esperar, né, e a autora conseguiu me deixar com a sensação de quem só estava esperando o mundo real ser tomado por zumbis (não é uma sensação bacana, admito).
Eu, como muitas outras pessoas que se interessaram pela ideia desse livro, fiquei também um pouco apreensiva quando vi algumas resenhas negativas a ele. Depois de terminar de ler, está aqui minha melhor aposta para o que pode ter incomodado algumas pessoas: antes de mais nada, a protagonista. Eu simplesmente AMEI a Jane, é verdade. Gosto de personagens femininas com opinião, atitude, cérebro e nenhuma inclinação para se desculpar por ser quem é e pelo que pensa. Amo ainda mais personagens que admitem seus defeitos e não tentam necessariamente se livrar deles. Mas sei que tem algumas pessoas que ficam incomodadas com isso. A maioria das pessoas, aliás, detesta mulheres com opinião e confiança, infelizmente.
A outra razão que imagino fazer muitas pessoas não gostarem tanto desse livro é que ele não segue exatamente um molde de enredo, não é uma jornada de herói, não tem um objetivo muito fixo no qual os personagens miram, seu clímax não parece tanto clímax e ele ainda deixa muita coisa só como começo para o resto da série (que não sei se será trilogia, duologia ou o quê). Mas eu não faço a menor questão de um livro seguir essas regras, só de ele ser interessante, diferente, provocativo, inteligente e divertido. E esse livro é tudo isso.
Tem muita coisa incrível aqui, muitas frases e momentos que eu gostaria de compartilhar e infelizmente não posso (a não ser que dê spoiler). Tem desenvolvimento de personagens, mulheres se apoiando, conspirações, lutas e uma revelação no final que me deixou de boca aberta. Não tem romance. Talvez tenha em algum próximo livro, mas dá para ver que a autora não está fazendo a menor questão de deixar romance tomar o primeiro (ou segundo) plano. Para falar a verdade, se tivesse mais romance nesse primeiro livro, acho que tiraria um pouco do valor e do peso da história. Nem acredito que estou dizendo isso, mas fico feliz de não ter tido.
Juro que fiz meu melhor para pensar no que poderia fazer alguém não gostar desse livro, mas não consigo entender mesmo assim. Não tem nada que eu mudaria aqui, e estou extremamente animada para o próximo da série! Vou sentir falta dessa ambientação maravilhosa dos Estados Unidos com zumbis e dessa voz narrativa da Jane que é muito característica e que reflete bem essa personagem incrível que ela é. Dread Nation é um livro único!