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    A Grande Saída - Saúde, riqueza e as origens da desigualdade

    Angus Deaton

    Intrínseca
    2017
    336 páginas
    11h 12m
    ISBN-10: 8551001817
    Português Brasileiro
    4
    88 avaliações
    Leram112Lendo22Querem340Relendo0Abandonos18Resenhas8
    Favoritos4Desejados340Avaliaram88

    Angus Deaton afirma que vivemos melhor hoje do que em qualquer outro período da história. As pessoas são mais saudáveis, mais ricas e a expectativa de vida continua a aumentar. Paradoxalmente, o fato de tantos indivíduos terem conseguido escapar da pobreza também gerou desigualdades; e a disparidade entre países desenvolvidos e em desenvolvimento se estreitou, mas não desapareceu. Em A grande saída, um dos maiores especialistas em estudos sobre pobreza recua 250 anos para traçar a impressionante história de como diversas regiões do mundo vivenciaram um progresso significativo e, assim, abriram abismos que levaram ao cenário extremamente desigual de hoje. O estudo aprofunda-se nos padrões históricos e atuais por trás das nações ricas e com boas condições de saúde, e aborda o que é preciso fazer para ajudar os países que ficaram para trás. Deaton descreve as vastas inovações e os retrocessos penosos para o bem-estar. De um lado, há a eficácia dos antibióticos, o controle de epidemias, vacinação e água tratada; do outro, é preciso enfrentar a calamidade da fome e a epidemia da aids. O economista analisa o caso dos Estados Unidos, uma nação bastante próspera por décadas, mas que hoje vivencia um aumento progressivo da desigualdade, e examina como o crescimento econômico da Índia e da China aprimorou a qualidade de vida de mais de um bilhão de pessoas. Para ele, a ajuda internacional tem se mostrado ineficaz e até mesmo prejudicial, e seria preciso investir em esforços alternativos que permitam de fato que os países em desenvolvimento encontrem sua grande saída da pobreza. A distribuição de riqueza não é equitativa nem proporcional. Está na mão das nações inverter as disparidades, de modo a abrir caminho para que outros também tenham acesso à riqueza e à saúde. Um poderoso guia que visa ao bem-estar de todas as nações, A grande saída demonstra como as mudanças no sistema de saúde e nos padrões materiais são capazes de transformar a vida de bilhões de pessoas.

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    Resenhas (8)Ver mais
    Paulo Silas Taporosky Filho picture
    Paulo Silas Taporosky Filho03/04/2019Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Em "A Grande Saída", o Nobel de Economia Angus Deaton conta a história de como a humanidade, num âmbito geral, conseguiu fugir da pobreza e da morte precoce, possibilitando que a sociedade avançasse numa melhoria de vida, focando não apenas no aspecto econômico, mas levando em conta também a noção (estabelecida ao longo da obra) de saúde. Ao comparar padrões de qualidade de vida entre a atualidade e algumas décadas ou poucos séculos atrás, o autor demonstra de que modo, apontando para os fatores responsáveis pelo fenômeno, a mortalidade infantil foi diminuída consideravelmente, possibilitando que as pessoas pudessem viver mais, ensejando em prosperidade para toda a humanidade - pelo menos num nível geral. Isso, porém, acarreta em uma série de consequências observáveis ao longo da obra - tanto prévias (no sentido de serem destacadas causas possíveis compreendidas somente após a análise da questão) como posteriores (os resultados do fenômeno em si). Enfim, como aponta autor em seu prefácio, "este livro trata da terna dança entre progresso e desigualdade, de como o progresso gera a desigualdade e como a desigualdade pode à vezes ser útil - ao mostrar caminhos ou proporcionar incentivos para que as pessoas os alcancem -, e às vezes danosa, quando aqueles que encontram a saída escondem o caminho das pedras erguendo barreiras por onde passam". Ao estabelecer que "a desigualdade é consequência do progresso", uma vez que não seria possível que a riqueza alcançasse a todos ao mesmo tempo, Angus Deaton fornece uma narrativa, consistente em vários dados e fontes que sustentam os seus apontamentos, na qual demonstra que, num nível geral, as coisas melhoraram no mundo todo, relatando ainda as razões que ensejaram no progresso e como se dá a constante interação entre a desigualdade e o progresso da qual decorre. Nesse sentido, o autor busca responder a inquietantes questionamentos, como "de que modo o progresso surge?", "por que a desigualdade importa?", "de que modo pode se medir o progresso e a desigualdade?", "como se faz um cálculo sobre a satisfação ou a felicidade das pessoas com suas vidas?, entre tantos outros. E é a partir disso tudo que roteiriza o trilhar de sua obra, na qual responde a contento as questões que permeiam o tema enfrentado: na primeira parte da obra, "Vida e morte", faz um breve traçado histórico do desenvolvimento econômico da pré-história até 1945, demonstrando a redução da mortalidade infantil principalmente após a Segunda Guerra e estabelecendo um apanhado geral sobre a questão da saúde no mundo moderno; na segunda parte, "Dinheiro", enfrenta a questão daquilo que seria o "bem-estar material nos Estados Unidos", dialogando com a temática da globalização e seus diversos efeitos; finalmente, na terceira parte, "Ajuda", tem-se o enfrentamento daquela que poderia ser apontada como a grande questão: "como ajudar os que ficaram para trás"? Desse modo, o autor desenvolve sua narrativa com êxito, trabalhando com propriedade os temas que expõe. Como aponta Angus Deaton no prefácio, "medir o bem-estar é o cerne deste livro". E aqui talvez um dos pontos altos e mais interessantes da proposta é que o enfoque não se dá somente no aspecto econômico de tudo aquilo que é analisado pelo autor, pois, como bem aponta, "o progresso na saúde tem sido tão impressionante quanto o progresso material". Daí que uma das premissas do livro é a de que "renda não é tudo: saúde também conta", de modo que não se analisa tão somente o desenvolvimento econômico da sociedade, mas também - e quiçá com mais ênfase - o progresso da saúde na humanidade, pois assim como o progresso material acarreta em desigualdade, "avanços na saúde geram disparidades de saúde". A obra é séria e profunda dentro de tudo aquilo que trabalha - não é a toa que o autor foi premiado com o Nobel de economia. Os problemas da ajuda internacional, os fatores que desencadeiam a desigualdade (que é apontada como consequência certa e necessária para o progresso), o que pode ser entendido como uma vida saudável e a compreensão da ideia de felicidade estão entre os temas abordados ao longo da obra - que se estabelece a partir de uma perspectiva própria do autor. Enfim, um excelente livro que permite obter ou avançar (n)uma noção sobre os possíveis entraves a serem superados no que tange à desigualdade presente na sociedade como um todo.

    5 curtidas

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    Avaliações

    4 / 88
    • 5 estrelas28%
    • 4 estrelas36%
    • 3 estrelas25%
    • 2 estrelas9%
    • 1 estrelas1%
    Angus Deaton profile picture

    Angus Deaton

    Angus Deaton nasceu em Edimburgo, na Escócia, em 1945. Já lecionou na Universidade de Cambridge e na Universidade de Bristol. Em 2009, foi presidente da Associação Americana de Economia e, em 2015, eleito membro da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos. No mesmo ano, foi agraciado com o Prêmio Nobel de Economia por seus estudos sobre pobreza, desigualdade, saúde, bem-estar e desenvolvimento econômico. Em 2016, foi nomeado cavaleiro da realeza britânica por sua dedicação à economia e às relações internacionais. Atualmente, Deaton é professor desses campos de estudo na Universidade de Princeton.

    2 Livros
    6 Seguidores

    Angus Deaton