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    Crônica de Dom João VI -

    Paulo Napoleão Nogueira da Silva

    Biblioteca do Exército Editora
    2005
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-10: 8570113676
    Português Brasileiro
    2.8
    4 avaliações
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    Nesta obra original e instigante, o autor aborda a figura de D. João VI, ressaltando suas potencialidades de governante e suas inegáveis capacidades políticas, tanto para Portugal quanto para o Brasil, onde foi uma das mais importantes figuras do limiar da independência. O autor apresenta seu trabalho de forma desenvolta e leve por meio de um estilo literário escorreito. Com este lançamento, a Biblioteca do Exército promove resgate da verdadeira importância para o nosso país, além de resgatar a memória de D. João VI.

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    ricardo willian de santana pereira picture
    ricardo willian de santana pereira12/09/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Lider estratégico

    Paulo Napoleão Nelson Basile Nogueira da Silva era advogado e professor universitário, escrevendo mais de 30 livros na área jurídica, além de monarquista convicto, como é possível observar na obra Crônica de D. João VI. D. João, que foi envenenado, assim como o Império, sempre foi mal interpretado, inclusive, pela imprensa. Era segundo filho e, por isso, não teve educação digna de governante e, assim como D. Carlota, é possível que tenha se envolvido em aventuras extra conjugais. Inclusive, suspeita-se que um dos reis portugueses mais amados, D. Miguel, não era seu filho legítimo e estava envolvido em sua morte. Mas os mesmos que enfatizam as características negativas do monarca esquecem de salientar pontos como a criação da Biblioteca Nacional (originada a partir de pertences da biblioteca real) e o lado estrategista do lider português que, com a saída da família real de Portugal, impediu que Napoleão anexasse o país luso ou, eventualmente, invadisse o Brasil, tendo, inclusive, o lider francês admitido que este foi um grande golpe estratégico. No entanto, apoiadores da república, sempre preferiram apontar (ou criar) pontos negativos. Como exemplo, pode-se falar sobre o famoso "PR" nos prédios requisitados pela família real. Há uma divulgação massiva afirmando que significava "Príncipe Regente" ou "ponha-se na rua", quando, na verdade, significava "Por Requisição". No plano internacional, sabe-se que a Inglaterra era parceira de Portugal, mas com tendência de benefício unilateral, apesar da importância militar estratégica da união. Além disso, os ingleses temiam a força do império luso/brasileiro e muito influenciaram para que a relação fosse desfeita, inclusive, incitando políticos do Brasil nessa causa, que não enxergavam a importância e força dessa relação. Alguns pontos importantes a destacar são: - No pouco tempo de Brasil, construiu toda a base nacional e, na maioria das vezes, com no máximo quatro ministros e, hoje, os presidentes não conseguem uma pequena parcela dos seus feitos, mesmo tendo muito mais ministros; - Venceu o golpe maçônico constituinte português (sendo humilhado quando voltou a Portugal) com a ajuda do filho Dom Miguel, mas o exilou por "cair" em um golpe de franceses, arrependendo-se depois. Este, voltou e casou com a filha do irmão, Dom Pedro I e assumiu o país depois da morte do pai; - Ergueu a base da gestão administrativa e forma educacional brasileira, em parte, conservada até hoje; - Ouvia os vários políticos e concedia o que era lícito, mas, infelizmente, isso originou o clientelismo brasileiro; - Desapropriou fazendas de café na Floresta da Tijuca e replantou árvores nativas (D. Leopoldina continuou com os cuidados) e hoje, essa é a maior reserva botânica urbana do mundo; - Sempre apoiou os militares e teve apoio destes para vencer rebeliões. Também é importante falar sobre a escravidão. Os africanos vendiam escravos desde antes de 1500 e o Brasil, sim, era um dos clientes, tendo, também, alguns alforriados como escravocatas. Mesmo a família real tendendo à liberdade, tinha que enfrentar o parlamento e a força do comércio local. No que se refere a força e mordomias, os fidalgos tinham mais mordomias do que a família real (antes, durante e hoje). Sobre sua decendência, sabe-se que D. Pedro 1, como o pai, era monarca, mas aventureiro e, em alguns momentos, era necessário que D. João cobrisse seus erros. Já D. Pedro 2 não tinha vocação monárquica e, indiretamente, alimentou sonhos republicanos quando expunha o sonho de ser ministro, presidente ou professor. Voltando a D. João, praticamente não tinha vida privada e tinha que lidar com a problemática D. Carlota, que, como é sabido, teve alguns amantes e, segunto consta, matou a tiro a esposa do seu amante presidente do BB. Mesmo assim, é necessário se levar em consideração o autor das notícias sobre ela: José Pressas, seu faz tudo e que passou a extorquí-la, não obtendo sucesso. Assim, D. João usando como justificativa que precisava suprir as suas "necessidades", teve o seu famoso caso com uma freira, resultando nos condes de Caminha. Mergulhar nessa obra, é conhecer parte da história brasileira que, por motivos republicanos, muitas vezes não são explícitos nos livros escolares. Mergulhar nessa obra é perceber a demagogia que envolve os políticos atuais que na ânsia para não perder as suas mordomias, não permitem que o povo conheça a monarquia e, para isso, argumentam que estes têm mordomias que o povo não deve sustentar. Obra super recomendada. Para essa e outras resenhas, @photobrincando

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