Numa e a Ninfa -

    Lima Barreto

    Penguin e Companhia das Letras
    2017
    308 páginas
    10h 16m
    ISBN-13: 9788582850534
    Português Brasileiro

    Publicado em 1915 como folhetim pelo jornal A Noite, este romance satírico de Lima Barreto reproduz de forma crítica o ambiente político do governo do marechal Hermes da Fonseca ao contar a história de Numa Pompílio de Castro. Filho de um pequeno empregado e à custa de muito esforço, Numa fez-se bacharel em direito, embora não dispusesse de qualquer pendor ao estudo ou às letras jurídicas. Interessado apenas nos cargos e proventos que o título lhe permitiria alcançar, casa-se com Edgarda Cogominho, filha do chefe da oligarquia local, e elege-se deputado graças à influência do sogro. Reconhecido e empossado, Numa não deu sinal de si durante o primeiro ano e meio de legislatura, enquanto a esposa vive mergulhada em leituras, desgostosa da modéstia intelectual de seu marido. Mas o “genro do Cogominho” surpreende a todos e deixa para trás seu epíteto quando profere na câmara um discurso inesquecível e o casal finalmente recebe a admiração de que se via digno. Além da apresentação de Antonio Arnoni Prado, esta edição inclui ainda como prefácio o artigo de 1917 de João Ribeiro para o jornal carioca O imparcial.

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    Thiago Nascimento picture
    Thiago Nascimento13/08/2023Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Ah, Brasil!

    Lima Barreto é um grande leitor do Brasil, um crítico social. Quer conhecer o Brasil da Primeira República (quiçá Brasil atual)? Leia Lima Barreto! Com sua ironia, consegue criticar vários aspectos que vão dá economia a política, passando pela sociedade brasileira. Cada um dos seus personagens representa um aspecto do Brasil, que teima em não mudar! Se tirassem a capa e nos dessem a ler os livros de Barreto, sem dúvidas, pensaríamos estar lendo sobre o Brasil de hoje. Implica mesmo com o lema positivista da nossa bandeira (a tal "ordem e progresso"): "a bem dizer é o contrário, todo o progresso tem sido feito com desordens". E não é isso? Um país sem revoluções, onde tudo permanece igual... Numa e a ninfa surgiu primeiro como um conto, por isso seu plot final já é conhecido pelos leitores. Das obras de Lima Barreto, que li, essa parece ser a mais confusa. Uma profusão de personagens, alguns sem sentido outro que não o de apresentar as máculas do nosso país. Pudera, feito nos momentos finais de Barreto. Clientelismo, fome de poder das oligarquias, exército metido em política, fraudes, corrupções, tudo isso é descrito com tonalidades fortes. Entende-se porque Lima Barreto nunca foi aceito na elitista Academia Brasileira de Letras. Ele não perdeu muito, já a Academia....

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