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    Mundialização e Cultura -

    Renato Ortiz

    Brasiliense
    1994
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-10: 8511080783
    Português Brasileiro
    3.4
    42 avaliações
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    Lorena Morais picture
    Lorena Morais07/12/2010Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Como pensar território na sociedade-mundo moderna?

    O livro propõe a ideia de existência de processos em escala global que ultrapassam grupos, classes sociais e nações - o que muitos sugerem de sociedade global. O autor pensa numa sociedade mundializada em que os indivíduos estão interligados. A sociedade-mundo penetra no cotidiano e elementos culturais terminam por se revelar ao longo do texto, participando do processo de reorganização da sociedade. Para compreender o processo de Mundialização e Cultura de Ortiz é necessário que o leitor se desprenda das heranças culturais que vivencia e pense o movimento global em sua integridade. O autor trata da temática cultural no contexto da emergência de uma sociedade global, trabalhando de forma coerente e privilegia aspectos referentes à sociedade de consumo, por merecer uma posição de destaque e definir – segundo Ortiz – noções legítimas de comportamento e valores, já que são expressões da contemporaneidade. A leitura demonstra um domínio literário na sociologia, antropologia, ciência política, história e filosofia. Assim, permite compreender a humanidade como um conjunto, uma soma de identidades particulares, produzindo assim o surgimento do Estado-nação, de territorialidades homogêneas, providas de identidades políticas, econômicas e culturais: as nacionalidades. Produto recente da sociedade, as nações foram construídas através de símbolos nacionais (como bandeiras e hinos) e da própria língua. A partir dessa vertente, Ortiz entra também no conceito de aldeia global, busca diferenciar o processo de globalização de internacionalização, mundialização, trabalha a tradição no mundo hoje, industrialização, consumo, entre outros e toca em um referencial para pensar a sociedade-mundo da modernidade: o processo de desterritorialização. As ciências sociais estariam calcadas em um modelo territorializado para se pensar a sociedade – que seriam os mapas culturais. Porém, pensar a construção de uma cultura contemporânea e uma sociedade global implica pensar na desterritorialização. O homem é agora cidadão mundial; os alimentos não pertencem mais a uma determinada região, perdem seu território, sua centralidade para ganhar escala mundial através da distribuição – Ortiz cita o exemplo da dimensão que a Mc’Donalds tomou, reformulando moldes no padrão alimentar em todo o mundo -; a língua perde seu território e torna-se padrão mundial, em especial o inglês. A modernidade é um dos princípios que facilita essa mobilidade, passando a ser uma ideologia. Os meios de comunicação também são responsáveis por favorecer o desencaixe. O circuito desterritorializado proporciona uma comunicação-mundo que não particulariza nações ou locais. A linguagem utilizada pelo autor proporciona reflexões, convidando o leitor ao diálogo. Quando Ortiz lança a hipótese sobre a emergência da sociedade global, inicia um patamar de raciocínio de forte caráter evolucionista, que ficaria simplificada no seguinte modo: "para que surja a sociedade global, as sociedades nacionais devem desaparecer". Como comprovar essa hipótese? Através da análise da literatura sobre e para administradores e empresários globais: o mercado agora é o mundo, as tradições culturais locais se encontram num espaço desterritorializado com a tradição cultural moderna da civilização: a sociedade global se faz com as diferenças locais. O que de fato surpreende nesse processo de globalização em que vivemos é que as nações e nacionalidades ainda insistam no convívio com as tradições locais e fundamentalismos. Ainda vivem de autodefinições conforme o local onde se encontram. Manter essas tradições nacionais num mercado global que focaliza a produção não se processa em direção a uma globalização da cultura empresarial. É preciso se desvencilhar da idéia de território, somos uma sociedade-mundo sem mapa, sem espaço. O livro de Ortiz, através das colocações que ele propõe, cria expectativas de que as clássicas nacionalidades territoriais venham a realizar-se cada vez mais interdisciplinarmente. Que assim resulte em pesquisas baseada em experiências e raciocínios que consigam romper barreiras que até então separam campos opostos. Mundialização e Cultura diz respeito as identidades sociais e trabalha principalmente a sociedades nacionais dentro do contexto de globalização, da sociedade-mundo.

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    Renato Ortiz

    Renato Ortiz nasceu em Ribeirão Preto (SP) em 1947. Professor titular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), tem gradução em sociologia pela Université de Paris VIII (1972) e doutorado em Sociologia/Antropologia pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (1975). Referência nos estudos sobre indústria cultural, modernidade e mundialização, Ortiz foi professor visitante e convidado em diversas instituições fora do país, como New York University, Notre Dame University (Indiana), Stanford University, Institut de l’Amerique Latine (Paris), Leiden University (Holanda) e Universidad de Buenos Aires.

    7 Livros
    2 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Renato Ortiz