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    Escalpo -

    Ronaldo Bressane

    Reformatório
    2017
    248 páginas
    8h 16m
    ISBN-10: 8566887336
    Português Brasileiro
    2.6
    17 avaliações
    Leram24Lendo1Querem24Relendo0Abandonos2Resenhas5
    Favoritos1Desejados24Avaliaram17

    Para narrar o emaranhado de situações paradoxais e convulsionadas sequências de fatos acumulados dos nossos tempos, Ronaldo Bressane constrói Escalpo com grande fôlego. E nesse tipo de apneia da escrita, prende a respiração e mergulha, nadando por baixo dos maneirismos de metalinguagem de superfície da literatura contemporânea, num universo que mescla o marginal e o pop numa prosa cheia de vigor. Ian Negromonte é um quadrinista gaúcho decadente, ainda que jovem. Na esteira de uma crise pós-separação e em meio às manifestações de 2013, somada aos perrengues financeiros, nosso herói vê sua história se cruzar com a de Miguel Ángel Flores, escritor chileno que chegou ao Brasil como um jovem fugitivo do regime de Pinochet. O velho, que precisa acertar contas com o passado, instiga Ian a encarar uma longa e inusitada jornada, que o leva - e nos leva junto - a diversos países da América do Sul, incluindo a nossa Paraty. Mesmo nesse lugar aparentemente paradisíaco, Ian investiga o que está por trás dos clichês cotidianos e dos sorrisos de turistas. Os buracos são muito mais embaixo, camaradas. Ronaldo Bressane conhece todas as armadilhas da escrita, seja para evitá-las, seja para lançar pistas ao leitor nas horas certas ao longo do romance. Por isso é que Escalpo, com suas cenas permeadas de crueldade e repleto de peripécias, é um thriller de ação irresistível.

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    Resenhas (5)Ver mais
    Pablo Pax picture
    Pablo Pax02/01/2026Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Não escape deste livro

    Este livro foi um achado, em todos os sentidos: achei-o no Sebo do Messias, numa prateleira fora de lugar; achei uma leitura inesperada de um escritor com total domínio do material que trabalha. O protagonista, um escritor de HQs, é um desses artistas muito cultos, que vive de trabalhos freelances, mora de aluguel e cuja vida, profissional e afetiva, é uma espécie de roda-gigante. Ele vive em S. Paulo, em bairros descolados como Pinheiros, Santa Cecília, República e alhures porém, em meio à separação conjugal, mete-se em algumas confusões e vai parar em Santiago (Chile) como detetive particular de um escritor chileno que vive em S. Paulo desde a época da ditadura chilena, mas à procura de dois filhos perdidos. Como disse, o autor tem total domínio do material em que trabalha, mas quem está acostumado com best-sellers americanos, pode se decepcionar. Não é uma escrita cortante, seu estilo é rebuscado, mas nada confuso porque suas frases são bem imagéticas, alfim, o protagonista é do mundo das HQs e, por isso, o escritor o faz narrar como se estivéssemos a ler uma graphic novel. Sua descrição de lugares como New York, S. Paulo e Santiago; suas reflexões sobre inúmeros artistas citados, em especial latinoamericanos; suas personagens coadjuvantes, como uma cantora gospel chilena, sua ex-esposa ou o escritor chileno prestes a morrer; tudo isso junto vão além de estereótipos e estão muito bem costurados pelo autor: são de quem realmente conhece ou pesquisou bem antes de escrever. Um livro que merecia ter tido mais atenção porque ele se encaixa nessas obras de grandes autores latinoamericanos que escrevem tanto a partir da nação quanto do continente. Depois desta leitura, não tenho dúvidas de que Ronaldo Bressane é um dos melhores escritores da atualidade. Não escape deste autor. Era para eu ter lido antes...

    7 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    2.6 / 17
    • 5 estrelas0%
    • 4 estrelas29%
    • 3 estrelas24%
    • 2 estrelas35%
    • 1 estrelas12%
    Ronaldo Bressane profile picture

    Ronaldo Bressane

    Publicou a trilogia de contos A Outra Comédia, formada por Os infernos possíveis (Com-Arte/USP, 1999), 10 presídios de bolso (Altana, 2001) e Céu de Lúcifer (Azougue, 2003), além dos volumes de poemas O Impostor (Ciência do Acidente, 2012) e Cada vez que ella dice X (Yiyi Jambo, 2000). Ao lado de Joca Reiners Terron, Marcelino Freire e Nelson de Oliveira, co-editou a coleção Risco:Ruído (DBA, 2007), que publicou Lourenço Mutarelli, André Czarnobai, Daniel Pellizzari e Paulo Leminski, entre outros. Coordenou o projeto Essa História Está Diferente (Companhia das Letras, 2010), em que Mario Bellatin, João Gilberto Noll, Rodrigo Fresán e mais 7 escritores adaptaram ao conto composições de Chico Buarque. Foi pioneiro na divulgação da literatura brasileira na rede ao editar, entre 1998 e 2000, a Revista A, em que pela primeira vez foram publicados nomes como Emilio Fraia e Jorge Cardoso. Além de colaborações em sites e suplementos literários, participou da revista PS:SP (Ateliê, 2003) e das antologias Geração 90: Os transgressores (Boitempo, 2003), Paixão por São Paulo (Terceiro Nome, 2004), Fábulas da Mercearia - Uma antologia bêbada (Ciência do Acidente, 2004), além das seletas italianas Sex’n’Bossa (Mondadori, 2005), Lusofonia (Nuova Frontiera, 2006), Il Brasile per le strade (Azimut, 2009), da reunião hispânica 90-00: Cuentos brasileños contemporáneos (Ediciones Copé/Petroperu, 2009) e da antologia francesa Je suis favela (Anacaona, 2011). Como jornalista, foi editor-executivo da V, redator-chefe da Trip e editor da Alfa. Seu texto passou por publicações como Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo, Brasil Econômico, Valor Econômico, O Globo, Jornal do Brasil, Serafina, Tpm, Vogue, Vida Simples, piauí, Pernambuco, Bravo!, seLecT, Continente, Superinteressante, VIP, Poder, Bazaar, 4Rodas, MIT, Audi, Personnalité, Continuum, Rev. Nacional e S/Nº, entre outras. Também co-dirigiu o documentário Só Quem É Sabe O Que É, sobre a campanha do Corinthians durante a queda do time à série B em 2008, ao lado de Phydia de Athayde e Artur Voltolini. Em 2012, Bressane lançou um romance gráfico de ficção-científica, cujo roteiro escreveu ao lado do argumentista Eric Acher e do artista Fabio Cobiaco, V.I.S.H.N.U., pela editora Companhia das Letras. A graphic novel foi indicada ao Prêmio Jabuti e a três prêmios HQ Mix. Em 2014, lançou seu primeiro romance, Mnemomáquina (Demônio Negro), uma ficção distópica ambientada em uma São Paulo futurista, e também publicou o conto Sandiliche na coleção infanto-juvenil da Cosac Naify, em volume ilustrado pela quadrinista equatoriana Powerpaola. No mesmo ano traduziu os romances O corpo em que nasci (Rocco) e Androides sonham com ovelhas elétricas? (Aleph). Seu blog, que reúne textos jornalísticos mais recentes bem como links para livros e ficções, é o Impostor.

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    1 Seguidor
    São Paulo, Brasil

    Ronaldo Bressane