É recorrente, nos dias atuais, autores que se deitam sobre a temática das frustrações pessoais em relação ao socialismo. E Pepetela não é diferente.
O bom é que o livro não termina nas primeiras 100 páginas, e o fato de o protagonista estar presente na batalha de libertação de Angola acaba por mudar o foco. O romance, a La Romeu e Julieta , vivido em Moscovo, ainda que possa ser real, não impressiona, diante das milhares de repetições que assistimos nos últimos 300 anos.
A Angola cujo interesse de libertação uniu-se aos comunistas, assim que conquistada a independência, ficou sedenta do capitalismo. Esse foi o grande mal dos socialistas: Jamais foram capazes de colocar em prática os princípios de Marx. O final do romance é bonito, mas confesso que esperava um pouco mais. O estilo do autor é bom. Marcado pelo caráter denunciativo do regime e principalmente por suas experiências. Bem, isso é tudo.
O livro é bom, ainda que deixe um "q" de Garcia Marques, traz à tona perspectivas velhas do Comunismo, referente a ideia do que não deu certo, como se o capitalismo tivesse dado, ou seja, as colocações políticas são precárias e o livro se salva pela histórinha de amor. Como já mencionei, se você já leu O Amor no tempo de Cólera não vai encontrar nenhuma novidade nesse livro, exceto que a paixão de Julio e Sarangerel é realmente verdadeira, o que não acontece no caso de Florentino e Firmina. Pepetela é um bom autor, mas esse livro não é tudo isso que estão falando. Aqueles que nunca o leram vão devagar, como em quase tudo o que se vende e está na moda ( e hoje África é Moda) , há muita fumaça pra pouco fogo.
Ari Mascarenhas