O que posso dizer?
É Poe... E a morte está presente em cada poema desse livro.
O terceiro poema: Al Aaraaf me encantou sobremaneira. Viajei com ele pela cidade do pós morte e me senti parte de algum modo daquela jornada.
"Oh! nada de terrestre além da luz
do olhar (que em cada flor se reproduz)
da Beleza, tal como em jardins, onde o dia
de gemas circassianas se desata;"
Todos os poemas são maravilhosos, em especial O Corvo, que já li mil vezes e não canso de reler.
Com a tradução de Milton Amado, sinto o desalento do estudante diante do lembrar e o desejo de esquecer. A fantasia se apresenta de forma mais tangível, e o medo se mostra presente de uma maneira mais angustiante.
"A seda rubra da cortina arfava em lúgubre surdina,
Arrepiando-me e evocando ignotos medos sepulcrais.
De susto, em pávida arritmia, o coração veloz batia
E a sossegá-lo eu repetia: “É um visitante e pede abrigo.
Chegando tarde, algum amigo está a bater e pede abrigo.
É apenas isso e nada mais.”"
Tem também Um Sonho num Sonho, que descreve soberbamente a efemeridade da vida.
"Oh, Deus, não posso salvar
Um só das ondas do mar?"
Os ensaios foram instrutivos, e gostei muito de Eureka - Ensaio sobre o universo material e espiritual, onde ele até faz algumas previsões, antecipando algumas das teorias modernas da cosmologia, incluindo o Big Bang. Mostrando ser um grande pensador.
Poe me cativou com seus contos, e agora com seus ensaios e poemas, me fazendo mais uma entre seus inúmeros admiradores.
Recomendo a leitura.