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    Cinco mil dias - O Brasil nos tempos do lulismo

    Guilherme Boulos, Juliano Medeiros, Gilberto Maringoni de Oliveira

    Boitempo, Fundação Lauro Campos
    2017
    400 páginas
    13h 20m
    ISBN-13: 9788575595541
    Português Brasileiro
    4.2
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    Cinquenta e dois autores – entre acadêmicos, lideranças políticas e ativistas sociais – de relevância nacional e de variadas matizes políticas no campo progressista realizam uma minuciosa avaliação, setor por setor, dos 13 anos de governos lulistas, que abrangem o período entre 2003 e 2016. São enfocados, entre outros, temas como economia em suas múltiplas variáveis, desenvolvimento, direitos sociais, judiciário, infraestrutura, energia, educação, saúde, cultura, segurança pública, meio-ambiente, direitos da mulher, população LGBT, povos indígenas, questão racial, esportes, combate à pobreza, comunicações, política externa, habitação e urbanismo e relações com movimentos sociais. Para analisar os avanços e limites da mais longeva experiência de um partido político à frente do Governo Federal desde a redemocratização do país, os organizadores Gilberto Maringoni e Juliano Medeiros convocaram pensadores, ativistas, parlamentares, dirigentes políticos e lideranças de movimentos sociais. Contribuíram com o balanço nomes como André Singer, Armando Boito Jr., Aldo Fornazieri, Chico Alencar, Cid Benjamin, Edmilson Brito Rodrigues, Eduardo Fagnani, Eloísa Machado de Almeida, Erminia Maricato, Guilherme Boulos, Ivan Valente, Jean Wyllys, José Luiz Del Roio, Leda Maria Paulani, Ligia Bahia, Lúcio Gregori, Luis Felipe Miguel, Luiz Eduardo Soares, Nilcéa Freire, Pedro Paulo Zahluth Bastos, Reginaldo Nasser e Vladimir Safatle, entre outros. “Se não houver uma reflexão coletiva das tentativas, omissões, acertos, erros e opções tomadas nas condições concretas da única oportunidade em que uma força egressa da esquerda alcançou o comando político do país, perderemos a chance de extrair algo valioso da derrota recente: o que fazer – como indicava um livro famoso – e, especialmente, o que não fazer. Em outras palavras, se não avaliarmos rigorosamente essa experiência – para o bem e para o mal – estaremos fadados a refazer velhas escolhas e a não aprender com os fracassos”, dizem os organizadores no prefácio. Composto por 43 capítulos, o livro evita avaliações fáceis e passionais ao examinar os detalhes e as nuances do período lulista. No processo de elaboração da obra, a escolha de parâmetros e abordagens foi livre, e uma única pauta foi pedida aos autores: examinar a área de maior afinidade e especialização de cada um. “Tentamos ser abrangentes, sem a pretensão de chegarmos a uma convergência tácita ou a uma posição oficial desse ou daquele partido, organização ou escola de pensamento”, afirmam os organizadores. O livro apresenta o passado como objeto de análise num esforço para se pensar o futuro. Assim, a última parte da coletânea propõe uma reflexão sobre os dilemas da esquerda em meio a um contexto até aqui adverso. “Sem isso, de pouco serviria o esforço de promover um balanço crítico dos anos recentes. Esperamos ser esta uma contribuição significativa para a reorganização da esquerda e do campo progressista e para a urgente construção de um novo projeto de desenvolvimento, que aponte rumos para a transformação social.”

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    Diego Modesto12/10/2018Resenhou um livro
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    Basilar

    Recomendo como bê-a-bá para compreender o período de auge e início do ocaso lulista. Uma disposição que separa em sete grandes partes, com um artigo redigido por cada militante, intelectual ou artista de esquerda e seus devidos campos de atuação na sociedade civil sobre o que foi, deixou de sê-lo e, por conseguinte, poder-se-ia os quase 14 anos de governo petista. Exala um quê de incompletude, o que é tolerado haja vista o curto espaço de desenvolvimento do material e sua proposta com o leigo. Sem embargo, a quem como eu que (não) possuía deficitária memória do período, é um fecundo preâmbulo a aprofundamento ulteriores. De Singer --- pai do termo "lulismo" ---, perpassando por Valério Arcary a expoentes congressuais --- friso Jean Wyllis, Chico Alencar, Luciana Genro e nosso presidenciável Boulos ---, os cinco mil dias são dilucidados e os porquês da hegemonia às avessas e a conciliação de classes ser sobejamente vulneráveis num país de uma democracia jovem e vacilante e um capitalismo periférico, os entraves e ganhos de políticas sociais de redistribuição de renda com flertes ao mercado, a institucionalização do Bolsa-família, expansão do crédito, congelamento do preço das cestas básicas, a bancarização de pessoas pobres e incapacidade de deflagrar um horizonte revolucionário, da reforma política e redemocratização das mídias ou a displicência na educação e organização de classe da massa, porque, como diz o próprio Lula numa entrevista dada a Ivana Jinkings e a Juca Kfouri, "(...)no Brasil quem tentar ser mais de esquerda do que eu é um tolo (sic)". Antes tarde do que nunca: não, não, o Pête não é o Leviatã o qual te fizeram a crer ( e temer) acriticamente.

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    Guilherme Castro Boulos

    Guilherme Castro Boulos é um ativista político, político e escritor brasileiro, filiado ao Partido Socialismo e Liberdade. É membro da Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, sendo reconhecido como uma das principais lideranças da esquerda no Brasil.

    5 Livros
    20 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Guilherme Castro Boulos