Entrar
    Book cover
    Compartilhar
    Editar
    • Sinopse
    • Edições1
    • Vídeos0
    • Grupos0
    • Resenhas8
    • Leitores107
    • Similares7
    Skoob logo

    Saiba mais

    Quem somosTermos de usoFale conoscoCentral de ajudaPrivacidade

    Fique por dentro

    Livros em destaque

    Explore

    LivrosAutoresEditorasLeitoresCortesias

    Siga nas redes sociais

    Baixe o app

    Google PlayApp Store

    Venha ver o pôr-do-sol (Série Rosa dos Ventos) - E Outros Contos

    Lygia Fagundes Telles

    Ática
    2016
    104 páginas
    3h 28m
    ISBN-13: 9788508108923
    Português Brasileiro
    3.9
    50 avaliações
    Leram74Lendo6Querem27Relendo0Abandonos0Resenhas8
    Favoritos5Desejados27Avaliaram50

    Inclui entrevista com a autora, lista de obras da autora e referências bibliográficas dos textos. Desenhos coloridos Ilustrações. Suplemento de Trabalho. ==== https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Venha_Ver_o_Pôr_do_Sol_e_Outros_Contos

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover

    Similares (7)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (8)Ver mais
    mpettrus picture
    mpettrus04/04/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Para o Último Pôr do Sol de Lygia, Com Amor ❤️‍🩹

    “O que eu mais amo neste cemitério é precisamente esse abandono, esta solidão; aqui a morte se isolou total. Absoluta” ​ Lygia Fagundes Telles invadiu meu coração quando eu tinha 14 anos. Nunca mais saiu. Certa manhã de intervalo na escola, como na maioria dos meus dias, sem muitos amigos com quem compartilhar esse horário de socialização universal e do qual sempre me sentir deslocado, fui para a biblioteca escolher um livro aleatório para ler. E foi assim que me caiu em mãos o famoso conto lygiano “Venha Ver o Pôr do Sol”, foi meu primeiro contato com a narrativa dessa escritora, considerada a dama da literatura brasileira. ​ O conto “Venha ver o pôr do sol” foi publicado pela primeira vez em 1970 no livro “Antes do baile verde”. A obra consiste na reunião de dezoito contos de variados temas escritos por Telles entre 1949 e 1969, e contribuiu para a consagração da escritora, rendendo-lhe o Prêmio Guimarães Rosa em 1972, e o Prêmio Coelho Neto em 1973. ​ Em “Venha ver o pôr do sol”, o personagem Ricardo, ao saber que sua ex-namorada Raquel irá se casar com um homem rico, propõe a ela encontrá-lo por uma última vez como forma de despedida dos velhos tempos, e ela aceita o convite. Contudo, ao chegar à tarde ao endereço combinado e olhar o local, ela estranha o ambiente escolhido por ele: um antigo cemitério abandonado no topo de uma ladeira pouco povoada e repleta de terrenos baldios. ​ Esse conto lygiano tem a tendência de uma construção de narrativa envolvida por uma atmosfera de mistério, em que tem lugar o aspecto sombrio, lúgubre e obscuro de coisas, ambientes e acontecimentos. Como fã das obras literárias de Lygia, eu soube que essa afinidade com as tramas ligadas ao campo do horrendo é fruto de uma vocação manifestada ainda na infância, logo, essa capacidade inventiva da escritora, desenvolvida desde a mais tenra idade, aperfeiçoou-se ainda mais com a leitura de textos marcados por essa veia mórbida, conforme ela mesma declarava em entrevistas – aqui, recomendo a leitura do “Cadernos de Literatura Brasileira, 1998” para ler essas curiosidades sobre a Lygia –; e é com esse anseio por se afastar da vulgaridade do dia a dia, que ela acaba indo além do gosto pelo gótico e nos faz mergulhar em narrativas que parecem tratar de assuntos triviais, mas, na realidade, revelam-nos os conflitos mais íntimos do ser humano sob uma aura de mistério. ​Lygia me apresenta nesse conto um conflito humano no seio de uma relação interpessoal entre Ricardo e Raquel e em dilemas internos desse casal, em especial, de Ricardo, o grande algoz da narrativa. A autora me expõe a complexidade de Ricardo, cheio de anseios, traumas, memórias, buscando uma completude que não é alcançada. Para além disso, a narrativa lygiana aqui é de cunho psicológico por expor o que há de mais íntimos em suas personagens, como os pensamentos, sentimentos, traumas e anseios. Esse conto lygiano coloca o leitor diante de um caráter cruel do ser humano. ​ O que eu mais gosto e admiro na narrativa da Lygia é essa sua característica muito específica de que em seus contos e romances nada é simples, pois as aparências podem sempre esconder mistérios e enigmas. E aqui nesse conto isso se fez presente. A narrativa é construída fornecendo ao leitor pistas de que algo estranho está por vir. E é exatamente esse “ter em vista o desfecho” que permite a esse texto uma narrativa de mistério, com indícios de uma morte iminente, visto que o cenário principal é um cemitério abandonado. ​ Lygia também permeou esse conto de metáforas. A começar pelo título carregado de simbolismo, pois o pôr-do-sol remete-nos ao fim do dia e, por analogia, ao fim da vida, lembrando-nos da morte, marcada pela escuridão assim como a noite. A personagem Raquel também descreve sensação de frio ao se deparar com o cemitério abandonado, logo, o frio é uma sensação térmica de um corpo sem vida, e de maneira magistral, a autora vai narrando o conflito nas entrelinhas do texto, e eu, inocentemente, fui conduzido, assim como Raquel, até o ponto alto da narrativa. ​ A primeira vez que li esse conto eu tinha apenas 14 anos. E lembro que na época, eu fiquei arrasado e ao mesmo tempo chocado com o desfecho dessa história. Fiquei com dó da Raquel e com raiva do Ricardo. Mas lembro-me, como se fosse ontem, o quanto eu fiquei maravilhado com a narrativa da Lygia. E nunca mais parei de ler seus contos e romances. Resolvi fazer a resenha desse conto hoje, como uma homenagem para sua partida que se deu dia 03 de abril de 2022, e por coincidência, uma das minhas escritoras favorita do meu Top Five de Escritores Favoritos da Literatura Mundial, e que morreu no meu mês favorito, tal qual como Gabriel García Márquez, que morreu no dia do meu aniversário em 2014. ​ Resolvi também fazer a resenha desse conto em específico porque foi em 2014 que o reli para um trabalho da faculdade de Direito para o tema do feminicídio. E foi considerado na época nota máxima porque eu uni Direito e Literatura num texto em que o professor disse “de tão interessante o que você escreveu e argumentou que tive dificuldade em separar o que era sobre o Direito e o que era sobre Literatura”. ​ Essa resenha é minha singela homenagem para a dama da literatura brasileira que me agraciou com impecáveis contos e romances que me apresentaram inesquecíveis personagens, sobretudo, personagens femininas, com um caráter altamente dúbios, ambivalentes, tornando-as quase anti-heroínas, porque sempre explorou a essência do que é pertencer ao sexo feminino, muitas vezes lidando com conflitos considerados triviais na vida doméstica ou profissional de mulheres. ​ Muito Obrigado, Lygia. Que você descanse em paz. Sua literatura já marcou a história da humanidade. Assim como marcou a minha vida hoje e para sempre, mesmo depois de minha morte. Não te esquecerei jamais.

    54 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.9 / 50
    • 5 estrelas22%
    • 4 estrelas44%
    • 3 estrelas26%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas2%
    Lygia Fagundes da Silva Telles profile picture

    Lygia Fagundes da Silva Telles

    Nasceu em São Paulo, em 1918. Considerada pela crítica uma das mais importantes escritoras brasileiras, publicou ainda na adolescência o seu primeiro livro de contos, Porão e sobrado (1938). Estudou direito e educação física antes de se dedicar exclusivamente à literatura. Foi eleita para a Academia Brasileira de Letras em 1985 e em 2005 recebeu o Prêmio Camões, o mais importante da literatura de língua portuguesa. Faleceu em São Paulo, em 2022, poucas semanas antes de completar 104 anos.

    113 Livros
    1.331 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Lygia Fagundes da Silva Telles