A respeito do agora: "os fantasmas não ameaçam surgir apenas do passado mas, como motoristas loucos, na via expressa do futuro", dizia Heiner Müller [1929-1995], poucos anos antes de sua morte. Müller é um dos autores mais importantes do século XX, e A missão um dos textos centrais de sua dramaturgia. Herdeiro e reinventor de Brecht; aconselhado, entre outros, por Walter Benjamin, ele cria, aqui, não só os modos de uma narrativa peculiar para o teatro, como também o trânsito de várias vias entre acontecimentos históricos, expectativas do futuro e o destino material do homem. Traições libertadoras, no plano estético como no político. A importância desta obra está então nos temas tanto quanto na imaginação que os arquiteta; nas formas como são levados a um enfrentamento radical em campo de batalha, que não é outro senão o da própria linguagem.

