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    O crocodilo e outras histórias (Série Reencontro) -

    Fiódor Dostoiévski

    Scipione
    1997
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-10: 8526214519
    Português Brasileiro
    3.3
    4 avaliações
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    Adaptação em português do clássico da literatura russa, por Tatiana Belinky, com linguagem acessível para o público jovem. A edição faz parte da Série Reencontro, da Scipione, reunindo três contos: - "O crocodilo" - Ivan Matvêitch, um funcionário público russo, é engolido inteiro por um crocodilo exposto à visitação pública. Sobrevive e desiste de reverter a situação, antevendo vantagens como aumento de salário e projeção intelectual. - "Pilhéria sem graça" - O general Ivan Ilítch Pralinski põe em prática o ideário liberal, que começa a ganhar terreno na Rússia czarista, e apresenta-se, sem ter sido convidado, na festa de casamento de um mísero funcionário de sua repartição, causando constrangimento. - "Um pequeno herói" - Um menino de onze anos passa suas férias na casa de campo de um parente rico, onde desperta para os encantos das mulheres. Considerado ingênuo, acaba partilhando involuntariamente dos segredos de uma das jovens senhoras.

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    R .23/11/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Três contos de Dostoievski adaptados para a literatura juvenil por Tatiana Belinky, russa radicada no Brasil com reconhecimento e premiações por seu trabalho de muitos anos no campo literário. O mais impactante é "O crocodilo", em que Dostoiévski faz uma crítica surreal, extremamente contemporânea, à corrupção no meio econômico. Seja através do sujeito predisposto a tudo na busca do lucro financeiro, tendo desvio de caráter e centralização apenas em seu ego; ou nos arranjos econômicos diversos para conquistas, também independentes da ética e voltados apenas ao ganho pessoal. Importante ressaltar que o contexto do livro era o mundo em ebulição com ditames da industrialização e transformações no meio de produção. Era o progresso. Campo inspirador ao autor. Na história, um sujeito tenta ser oportunista numa situação trágica, convertendo tudo para projeto de ganho financeiro, ainda que de forma ridícula e grotesca. Em sua percepção, essa é a prioridade acima de tudo. O meio econômico corrompido é expresso nos arranjos que associam-se na valorização do lucro pessoal. Narrativa estranha, envolvente e verdadeira a princípios que observamos na atualidade. Um retrato ridículo em ilustração fiel à realidade. Certo sujeito é engolido por um crocodilo e aí... Ah, vale a conferida! O ponto a lamentar é que Dostoievski, a exemplo de Gogol, em "Almas Mortas", deixou a obra inacabada, onde destaca-se temática sensacional. Sabe o que é espantoso? Hoje podemos ver histórias tão deprimentes ou ridículas como essa. Quer exemplo? Muito russos tem buscado indenizações e ganhos tentando se jogar ridicularmente na frente de automóveis. Só procurar no YouTube... Um paralelo que me veio agora. O conto "Pilhéria sem graça" não entusiasmou-me do mesmo jeito, mas também tem o fator irônico na maneira de certas pessoas tentarem exercer seus princípios. Parece história de político. Um general vai no casamento de subordinado, com pose humanista, contrária a sua real personalidade. No embalo da bebedeira na festa, tem a face revelada, com direito a situação vexatória e subsequente comprovação de que humanismo não se expressa em teorias, mas em atitudes. Lição prática em vergonha passada. "Um pequeno herói" acompanha um menino de 11 anos na descoberta do amor e seus possíveis desdobramentos em desejos e sofrimentos, transformadores na vida. Vemos a passagem de uma disposição infantil para aprendizagens e ações no impulso da paixão da vida adulta. Algo comum no despontar da adolescência. O diferencial é que, da parte da mulher, a quem teve seus sentimentos transformados, parece que foi correspondido. Lembrou-me o conto "Uns braços", de Machado de Assis, mas com disposições nada platônicas.

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    Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski profile picture

    Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski

    Dostoiévski – foi um escritor russo, considerado um dos maiores romancistas da literatura russa e um dos mais inovadores artistas de todos os tempos.É tido como o fundador do existencialismo, mais frequentemente por Notas do Subterrâneo, descrito por Walter Kaufmann como a "melhor proposta para existencialismo já escrita." A obra dostoievskiana explora a autodestruição, a humilhação e o assassinato, além de analisar estados patológicos que levam ao suicídio, à loucura e ao homicídio: seus escritos são chamados por isso de "romances de idéias", pela retratação filosófica e atemporal dessas situações. O modernismo literário e várias escolas da teologia e psicologia foram influenciadas por suas idéias.

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    Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski