Cordel que explora tradições sobre o ladrão arrependido crucificado ao lado de Jesus. Biblicamente é citado em dois evangelhos, com relatos de praguejar à Cristo em um e arrependimento seguido de salvação em outro. Creio em dois momentos, retratados de forma unilateral pelos evangelistas.
A história que se apresenta, apesar do romantismo cristão, é apócrifa, com concepção europeia de Jesus. Acho curiosas na inspiração à canonizações oficiais ou populares. É nos moldes de outras sobre personagens bíblicos citados com brevidade. São tendenciosas à percepção de heroísmos na vida pregressa, tipo as tradições para Barrabás. De certa maneira, em alusão para entendimento, como fazem hoje com Lampião e Jararaca.
Em termos gerais, nessa tradição, Dimas era um sujeito correto, entrando na bandidagem por conta de plano ardil dos fariseus em roubar e desprezar seu pai. Passa a fazer parte de um grupo de salteadores e em certa noite chuvosa, quando Maria, José e Jesus estavam fugindo para o Egito, lhes dá abrigo. A criança lhe causa impressão agradável e a reencontra 33 anos depois no Calvário ao ser julgado por seus crimes. Na tradição é chamado de Dimas e o outro ladrão de Gestas.
Não tem valor bíblico e é ficção, mas gosto de me informar sobre esses desdobramento na cultura popular. O único fato em que acredito é seu arrependimento e salvação em Jesus.
Esse cordel é do início do século XX e possivelmente é centenário, pois o autor faleceu em 1930.