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    A Igreja dos Pobres (Literatura do Amapá) - Resistências Eclesiais no Norte do Brasil (1966 - 1983)

    Walbi Silva Pimentel

    Prismas
    2016
    190 páginas
    6h 20m
    ISBN-13: 9788555073595
    Português Brasileiro
    4.5
    2 avaliações
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    Obra do professor de história Walbi Pimentel sobre a presença da Igreja Católica no Amapá e sua ação em um período que foi marcado pela ditadura.

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    R .12/08/2017Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Essa obra traça um perfil do catolicismo no Amapá a partir do envolvimento com as questões sociais, ressaltando-se o período da ditadura, onde o contexto da igreja teve transformações progressistas que mudaram sua ação na interação com as comunidades. O autor, historiador amapaense, dá destaque à esse período de interação transformadora na disposição da igreja, mas iniciou sua pesquisa com a percepção histórica do catolicismo desde o colonialismo. No primeiro momento vemos a igreja como instrumento do estado, que a patrocinava estendendo a conquista de fiéis para formação de súditos em locais ermos e sob influências contrárias. Essa disposição vinha de muito tempo e como exemplo foram citados doutrinamentos religiosos no contexto medieval que buscavam o desenlace da influência árabe na Europa e, como não poderia faltar, as ordens religiosas apoiadas pela coroa na colonização e catequese do Novo Mundo. Um aspecto em especial nesse contexto foi a interferência direta na hierarquia e caracterização da igreja, que a tornava mais política do que espiritual. Um evento em especial que mostrou esse embate no Brasil aconteceu no século XVIII, quando os jesuítas foram expulsos do país em razão do desenvolvimento de propósitos diferenciados dos interesses governamentais, como a oposição à mão de obra indígena e ações com hierarquia própria. Esse momento fragilizou o catolicismo e assim ocorreu adesão à muitos ritos e tradições da religiosidade popular, que sem o direcionamento missionário foram incorporados indiscriminadamente. A aproximação entre a igreja e governo se estreitou novamente no período imperial, quando o catolicismo foi oficializado como religião do país na constituição de 1824, perdurando até a revogação na constituição republicana de 1891. Nesse contexto tem uma colocação do autor que não concordo, de que existia uma coexistência pacífica com outros credos, citando-se o texto integral da constituição de que eram permitidos no contexto domiciliar. Ora, por favor! Existe muita diferença entre teoria e prática. Sei muito bem que o período entre as constituições criou uma mentalidade de visão subversiva à outros credos, que se estendeu em muitas décadas no século XX e estimulou sérios embates religiosos, como ocorreu em Macapá com a chegada dos evangélicos em 1916, seja pela tradição familiar ou incentivo de padres baseando-se nessa mentalidade ultrapassada. Na aproximação com o estado, chamado de padroado real, a igreja era influenciada pelo governo, deixando-a à mercê de politicagem e mistura com paganismo. No início do século XX há referência à ação católica com um dinamismo que na prática a colocava desempenhando papel governamental em locais altamente carentes, por sua mobilização contemplando a saúde, a educação e a valorização das comunidades. O autor cita uma aproximação governamental, mas a igreja dessa vez tinha outra caracterização, reformulada pelas determinações progressistas do Concílio do Vaticano II, por missionários influenciados, mais adiante, pela Teologia da Libertação (o evangelho era direcionado à libertação do homem da injustiça social, até mais do que no campo espiritual) ou por movimentos de combate à opressão e injustiça. Esse contexto é o que o autor privilegiou no livro, onde as mazelas sociais frente a ditadura instigaram o catolicismo a desempenhar lutas principalmente no contexto social, como movimentos sindicais, associação de moradores, cursos profissionalizantes e maior participação política em prol dessas questões. O segundo capítulo mostra o Amapá nesse contexto, destacando o padre Júlio Lombard nos anos de 1913 à 1923, quando residiu em Macapá, e a chegada dos missionários estrangeiros do PIME a partir de 1948. Sobre o padre vemos aquela questão do catolicismo voltado às carências sociais, como seu importante trabalho na educação, saúde e cultura numa região sem infraestrutura. A igreja que age no papel governamental por sua representatividade prática é exemplificada também no autoritarismo que o mesmo padre desenvolveu, como se fosse a autoridade maior, em embates com o movimento do marabaixo (quase causando um tiroteio no domicílio da igreja) e contra o primeiro evangélico na cidade, a quem mandou prender arbitrariamente, destruiu à força o material que trazia (Bíblias e literatura evangelística) e semeou mentalidade perseguidora a outros. Fato ocorrido em 1916 (que o autor em um pequeno lapso registrou como em 1913). A chegada dos missionários do PIME mostra padres que eram mais envolvidos com questões sociais e movimentos de esquerda, vindo também em resposta a carência de sacerdotes católicos. O autor cita que houve aceitação grande diante da carência e o PIME, não encontrando campos tão favoráveis em outros locais, solicitou a vinda à nosso país, onde se ajustou bem na carência que existia no catolicismo. O capítulo final é dedicado à ação comunitária, envolvida com mutirões, assistencialismo, sindicatos, associação de moradores e envolvimento político, que aproximou o catolicismo principalmente das populações mais carentes. Razão do título do livro e do enfoque em especial no período da ditadura. Segundo o texto, havia o anseio, a cobrança e a expectativa da ação da igreja católica nesse sentido. Foi o que entendi na obra em uma leitura interessante e envolvente.

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