"Malco" é um livro de ficção que dá vida a um soldado desconhecido presente no Jardim do Getsêmani na prisão de Jesus. No relato das escrituras, ele é simplesmente a vítima da espada impulsiva de Pedro, perdendo uma orelha no processo. Malco era um soldado romano. Um militar com uma família para sustentar, apenas fazendo seu trabalho dia após dia. Como toda Jerusalém, ele tinha ouvido relatos do homem chamado Jesus - da agitação que seguida cada uma das suas ações. Rumores de revoltas políticas, rumores de milagres. Nada disso preocupava Malco.
Nada disso interessava a ele.
Sua vida seguida normalmente.
Até aquele dia.
O dia em que Jesus curou o próprio homem enviado para prendê-lo, ferido pelo próprio discípulo de Jesus. Aquele foi o dia que mudou a vida de Malco para sempre.
A imaginação do autor por trás dessa história ao tentar conectá-la ao relato bíblico do ministério e crucificação de Jesus é maravilhosa. W.G. Griffiths realmente traz vida a um homem que mal tem uma nota de rodapé na Bíblia, e realmente traz perspectiva para o ministério de Jesus e as pessoas que ele impactou.
Quando você lê e relê a história da crucificação, é fácil esquecer que todos os envolvidos eram pessoas comuns com uma vida comum, e embora a Bíblia não nos diga o que aconteceu com os homens que prenderam Jesus, ou os homens que o pregaram na cruz, este livro nos leva a reexaminar coisas que encobrimos repetidas vezes, e considerar as implicações da vida e morte de Cristo em uma escala mais pessoal.
(Minha opinião)
Gente, que história mais gostosa! Tem romance, aventura, morte, sangue, intrigas e corrupção. Tudo o que se espera de uma história ambientada no século I. Pensei que fosse um livro chato, mas ao longo da leitura somos totalmente imersos nos tempos de Cristo e, embora a história esteja totalmente focada na vida de Malco, vemos, a cada capítulo, flashes da vida e dos milagres de Jesus, presenciados pela ótica cética, cínica e desconfiada de Malco, aqui representado pelo escravo do sumo sacerdote José Caifás. Cristo é desenhado de uma forma totalmente abrasadora, forte, imponente e marcante. A escrita do autor é completamente deliciosa, nada cansativa e, digamos, prazerosa de se ler. Basicamente, o autor faz um reconto dos principais momento de Cristo na terra pela ótica de um judeu cínico que não cria nas palavras de Cristo, mas que, em algum momento, pelos motivos mais bizarros, se vê obrigado a dar crédito ao Cristo que colocou cuidadosamente sua pequena e molenga orelha dilacerada de volta ao seu devido lugar.
Que história perdida incrível!