Braços Quebrados é um romance histórico sobre Timor-Leste, uma das mais jovens nações do século XXI e o mais novo membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
Isaías é um menino timorense refugiado em Portugal aquando da invasão indonésia na ilha de Timor momentos após a independência. Timor-Leste foi uma das possessões portuguesas que tiveram um processo de independência como resultado da Revolução dos Cravos, o 25 de Abril português.
Pois bem, Isaías foi acolhido por um seminário e passou a registrar num diário as angústias, sonhos, pesadelos, experiências e preocupações com aquilo que ocorria com o povo timorense. São três os momentos de registro: a adolescência, a juventude e o período pós-ordenação como padre.
Timor-Leste também passa por três momentos: a invasão e fixação das tropas indonésias na ilha, os massacres cometidos a mando de Jacarta e o processo de independência que passou por um referendo promovido pela ONU.
Interessante como José Leon Machado conseguiu casar muito bem os elementos fictícios com a história de Timor-Leste; quase tudo de fato ocorreu, a não ser os personagens ficcionais mais próximos de Isaías e o próprio, mas lê-se sobre o heroico Xanana Gusmão, a FRETILIN, as FALINTIL, o bispo timorense Nobel da Paz Carlos Ximenes Belo e o também Nobel da Paz José Ramos-Horta. Vê-se também todo o cenário político da época, a mediação brasileira no processo de independência com o diplomata Sérgio Vieira de Mello e detalhes sobre quase tudo que ocorreu durante a invasão indonésia e a resistência do povo timorense.
Isaías é um personagem persistente e marcante, esperançoso quanto à libertação de seu povo e de sua terra, mostra-nos que, apesar de todos os males, Timor resiste.
Recomendo muito àqueles que queiram conhecer sobre a recente história de Timor-Leste, um país que resiste frente às tentativas de colonização indonésia e passa por um processo de instauração da Língua Portuguesa como língua nacional do país, além, claro, de ser um país amigo do Brasil.
A Língua Portuguesa atualmente é falada por 25% dos timorenses, coexiste com o Tétum como línguas oficiais do país.