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    Silas Marner - O tecelão de Raveloe

    George Eliot

    José Olympio
    2017
    238 páginas
    7h 56m
    ISBN-13: 9788503013130
    Português Brasileiro
    4.3
    145 avaliações
    Leram192Lendo13Querem302Relendo1Abandonos6Resenhas26
    Favoritos24Desejados302Avaliaram145

    Silas Marner: O tecelão de Raveloe é a história de um tecelão de linho que foi traído por seu melhor amigo e acusado de um roubo que jamais praticara. Desencantado com as pessoas e com a religião que o condenaram, ele abandona para sempre o lugarejo onde nasceu e morava. Fixando-se em outra e distante cidadezinha, Silas passa a viver como um proscrito, não se relacionando com ninguém. Se apega ao dinheiro e acaba juntando uma pequena fortuna, que, no entanto, acabará por perder, como antes perdera a consideração dos vizinhos. Somente a aparição de uma criança, que há de surgir no lugar do ouro sumido, garantirá seu reencontro com a satisfação de estar vivo. Notável por seu forte realismo e seu tratamento sofisticado de uma variedade de questões que vão desde a religião à industrialização de comunidade, Silas Marner desmascara e combate preconceitos, privilégios, desvios de conduta e ambições tortuosas que se revelam até hoje enquistados na sociedade.

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    jota 11 picture
    jota 1126/12/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    MUITO BOM (injustiças, infortúnios, segredos, mentiras e muito mais num envolvente romance inglês do século XIX)

    Lido entre 15 e 24/12/2020. Minha avaliação: 4,7/5,0 Não tem como uma história não prender a atenção do leitor quando começa com uma pessoa inocente sofrendo grave injustiça. E não de qualquer indivíduo, mas daquele que supostamente seria seu melhor amigo. É o que ocorre com o jovem tecelão Silas Marner, acusado de roubar o dinheiro da igreja que frequentava pelo próprio amigo, o verdadeiro ladrão. Que, não satisfeito, ainda lhe tira a noiva e com ela depois se casa. Sentindo-se incapaz de lutar contra a mentira e a injustiça Silas se muda da cidadezinha em que nasceu e sempre viveu: vai embora para bem distante, Raveloe, onde tenta reconstruir sua vida. Mas antes disso tudo nos ser contado lemos uma citação do poeta William Wordsworth (1770-1850) que muito tem a ver com o desenvolvimento da história de Silas Marner: “A criança, mais do qualquer outra dádiva que a terra possa dar a um homem que envelhece, traz consigo esperança e faz vislumbrar o futuro.” Isso porque uma criança, uma órfã de dois anos vai entrar na vida do tecelão logo após lhe ocorrer outra desgraça anos depois, lá mesmo em Raveloe: todas as suas economias, em peças de ouro e prata, advindas de seu trabalho como tecelão são furtadas. E nesse caso também ficamos sabendo logo de cara quem as roubou. Tanto no caso do dinheiro da igreja quanto agora, no roubo das economias do tecelão, se já sabemos quem são os culpados, resta ficar torcendo para que a injustiça seja revertida, o dinheiro recuperado e os culpados punidos, não é mesmo?. Mas até que isso ocorra, se é que de fato irá ocorrer, aparece, na forma de uma menina de dois anos, um anjo na vida de Silas Marner, de modo a aliviar um tanto seu sofrimento. Ao mesmo tempo são colocados em cena os membros de uma família nobre de Raveloe, o senhor Cass, e especialmente seus dois filhos, Godfrey e Dunsey, que muito terão a ver com o restante da história. Nesse ponto, depois também, Eliot aproveita para descrever os hábitos, o modo de vida, o pensamento e o comportamento das pessoas abastadas de seu tempo. Segundo Leonardo Fróes - que traduziu para o português Middlemarch, um dos maiores romances do século XIX, monumental obra de George Eliot, pseudônimo da escritora Mary Ann Evans (1819-1880), e que nesta edição fez a apresentação do livro - a obra se destaca por colocar um homem do povo, um trabalhador, como personagem central. E Silas Marner não tem, digamos assim, o charme ou a inteligência ou a sabedoria de um nobre inglês de seu tempo (o livro foi publicado em 1861). Pelo contrário, ele é um sujeito caladão, solitário e um pouco esquisito, até mesmo avarento, por isso muitos cidadãos desconfiaram de suas palavras nos dois casos de desaparecimento de dinheiro. Mas as coisas mudam quando aparece na vida de Silas Marner uma garotinha órfã, que por batismo se tornará Eppie, quer dizer Hepzibah, nome bíblico em adaptação inglesa, que era como se chamava a mãe dele. Várias páginas serão dedicadas aos cuidados que o tecelão tem de dispensar à criança, contando para isso com a ajuda de uma bondosa senhora das vizinhanças, mãe do pequeno Aaron e outros três meninos, portanto conhecedora do tratamento a ser dispensado a uma criança. Eppie a todos encanta por sua beleza e doçura e logo passará a chamar Silas de papai. E aqui também há pouco mistério para seduzir o leitor: desde logo ficamos sabendo quem são os pais de Eppie e o motivo de a garotinha ter aparecido na casa de Marner. Nada disso nos desencanta, no entanto. Porque logo depois Eliot faz a história dar um salto de 16 anos: Silas está então com 55, bastante envelhecido e Eppie com 18, radiante como um sol: por ela o jovem vizinho Aaron está apaixonado e parece ser plenamente correspondido. O que temos agora, além do desaparecimento de um personagem, aquele que roubou o dinheiro de Marner, é que o pai de sangue de Eppie, arrependido por não revelar sua paternidade quando a menina apareceu na casa do tecelão, pensa em ter a filha de volta. No que é apoiado pela esposa, que perdeu um filho recém-nascido há tempos e não conseguiu mais engravidar, próxima que está dos quarenta anos. O rico casal promete mundos e fundos para Eppie: ela herdaria todas as suas propriedades caso consentisse ser por eles adotada e se mudasse para a mansão da família. Fazem-na ver que pouca coisa ela herdaria de Marner quando ele morresse, esperando assim convencê-la da proposta. Próximo do encerramento temos o esclarecimento de um mistério lá do início, que espertamente Eliot deixou para as páginas finais, onde também ficamos sabendo da decisão que a moça deverá tomar: mudar-se para a mansão do pai verdadeiro e lá usufruir de coisas que jamais sonhou possuir ou então casar-se com Aaron e permanecer junto do tecelão de Raveloe até o fim. Como a história irá terminar? Vale a pena conhecer Silas Marner e os demais personagens criados por George Eliot. Sem dúvida.

    13 curtidas

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    Mary Anne Evans  profile picture

    Mary Anne Evans

    George Eliot, pseudônimo de Mary Ann Evans, foi uma novelista autodidata britânica. Usava um nom de plume masculino para que seus trabalhos fossem levados a sério. À época, outras autoras publicavam trabalhos sob seus verdadeiros nomes, mas Eliot queria escapar de estereótipos que ditavam que mulheres só escreviam romances leves. Outro fator que pode ter levado Eliot a usar um pseudônimo masculino era o desejo de preservar sua vida íntima, sobretudo seu relacionamento com George Henry Lewes, um homem casado, com quem viveu por mais de vinte anos. Seu primeiro trabalho literário, de 1844, foi a tradução da Vida de Jesus de David Strauss. O tema principal dos seus romances, como em Silas Marner, é a vida das pessoas simples, que retrata, com uma sensibilidade reconhecida por várias gerações de leitores, os conflitos do ser humano tais quais a angústia, o desespero e a busca da razão da vida. Desenvolveu o método da análise psicológico característico da ficção moderna. Sua obra Middlemarch (1872) é considerada um dos maiores romances do século XIX. Segundo Virginia Woolf, em um artigo em tributo à escritora, este é "um dos poucos romances ingleses escritos para gente grande". Foi sepultada no Cemitério de Highgate, Grande Londres na Inglaterra.

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    Nuneaton, Inglaterra

    Mary Anne Evans