Branca de Carvão é a história de uma herdeira rica, ambientada no Brasil, com raízes lá pelo finalzinho de 1800.
Tal como a Branca da história infantil esta também tem uma madrasta malvada. E esta madrasta, assim que se torna viúva, decide infernizar a vida da enteada. Até chegar ao ponto de desejá-la morta.
Branca é a única e verdadeira beneficiária da fábrica de carvão que é o motor financeiro da comunidade, mas a direção de tudo está nas mãos da viúva de seu pai. Por causa disso sua madrasta, pomposa e arrogante, se intitula como lady Magnolia e exige que a tratem com pompa e respeito, enquanto leva uma vida de luxos e viagens. Numa dessas viagens Branca aproveita para fugir, cansada de ser tratada como prisioneira em sua própria casa, e encontra refúgio junto à 7 pequenos e surpreendentes companheiros, e até ganha a amizade de um Caçador.
E aí que a história toma maior impulso, e vamos acompanhar a mocinha em suas descobertas: da liberdade, da história de seus pais, e principalmente de suas origens.
Branca é filha de uma negra e de um branco, e sua pele saiu igual a de sua mãe. Nascida numa época em que a abolição da escravatura ainda não era realidade para todos, a protagonista é confrontada com a difícil situação que seus avós, mãe e amigos negros enfrentam diariamente.
E a aprendizado dela vem das mãos de uma autora que fez um ótimo trabalho de pesquisa, enriquecendo as páginas com sua boa prosa, personagens interessantes, e até a aparição de um certo senhor Machado, criador de uma das personagens femininas mais famosas da literatura brasileira.
Deixo aqui uma das falas da heroína, desejando que lhes atice a curiosidade para também conhecer esta história:
“— Tenho horror a estas protagonistas que nada fazem por si mesmas.”
Branca certamente faz.
(O livro pode ser encontrado em e-Book e também em impresso)