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    Não vai acontecer aqui -

    Sinclair Lewis

    Alfaguara
    2017
    408 páginas
    13h 36m
    ISBN-13: 9788556520524
    Português Brasileiro
    4.1
    106 avaliações
    Leram130Lendo12Querem410Relendo0Abandonos4Resenhas17
    Favoritos5Desejados410Avaliaram106

    Uma sátira ácida, igualmente engraçada e preocupante, Não vai acontecer aqui mostra ao leitor que o pior pode acontecer em todos os lugares, e que o espírito livre precisa ser preservado. Um homem vaidoso, falastrão, anti-imigrantes e demagogo concorre à presidência dos Estados Unidos – e ganha. Buzz Windrip promete aos eleitores americanos que fará o país próspero e grande novamente, mas acaba trilhando um caminho sombrio. Ele declara o Congresso obsoleto, reescreve a Constituição e desencadeia uma onda fascista no país. O novo regime se torna cada vez mais autoritário, e o jornalista Doremus Jessop pensa que logo o presidente será derrubado, mas quanto tempo é possível esperar? Escrito em 1935, Não vai acontecer aqui não poderia ser mais atual. Recuperado pela crítica e pelo público após as últimas eleições presidenciais dos Estados Unidos, o livro de Sinclair Lewis discute a fragilidade da democracia e o espectro fascista que ronda todo regime livre. Um livro de extrema força visionária, que mostra a maestria de Sinclair Lewis em construir uma fábula sobre como a complacência liberal pode se tornar vítima da tirania.

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    Alexandre Kovacs picture
    Alexandre Kovacs23/10/2017Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Sinclair Lewis - Não vai acontecer aqui

    Grupo Editorial Companhia das Letras (Selo Alfaguara) - Tradução de Cássio de Arantes Leite - Lançamento no Brasil: 02/09/2017. Escrito em 1935 por Sinclair Lewis (1885-1951), primeiro norte-americano a ser agraciado com um prêmio Nobel de Literatura em 1930, este romance, que não era normalmente destacado em sua bibliografia, ganhou muito espaço na mídia este ano devido à eleição de Donald Trump e o crescimento dos movimentos de extrema direita em todo o mundo. Sinclair Lewis imaginou que a eleição de 1936 nos EUA seria ganha por um candidato populista, xenófobo e vaidoso com base em uma campanha que prometia aos eleitores um país próspero e grande novamente. É irresistível não comparar este personagem ao polêmico presidente norte-americano atual e sua plataforma política, fazendo do autor e sua distopia contra os regimes autoritários um perigoso alerta para o futuro. O romance narra a trajetória de Berzelius Windrip, ou simplesmente "Buzz" como foi chamado durante a campanha, um candidato do partido democrata, demagogo e preconceituoso, que vence a eleição com base em uma plataforma política absurda que submete todo o sistema financeiro do país ao controle de um Banco Central Federal de propriedade do governo, controle dos Sindicatos Trabalhistas, controle da renda líquida anual por pessoa, ampliação do efetivo militar e poderio bélico norte-americano para "assegurar a paz e as relações amistosas no mundo", direito de emissão de moeda pelo Congresso, extinção das liberdades políticas, proibição do direito de voto e cargos públicos para todos os negros, transferência gradual de todas as mulheres empregadas para atividades "peculiarmente femininas" como enfermagem e salões de beleza e, finalmente, emendas à Constituição para restrições ao Congresso e a Suprema Corte, tudo isso para que o presidente eleito tenha autoridade para instituir e executar "todas as medidas necessárias" para a condução do governo como julgar melhor. O autor mostra em um tom de sátira amarga como a população se divide e o candidato "Buzz" acaba, inacreditavelmente, encontrando apoio político de boa parte dos eleitores porque enquanto alguns entendem que tudo não passa de uma tremenda besteira, "Isso não vai acontecer aqui na América, impossível! Somos um país de homens livres." outros acham que não há motivo para ter medo da palavra "fascismo": "É só uma palavra — só uma palavra! E talvez não seja tão má, com todos esses vagabundos preguiçosos que vemos esmolando assistência hoje em dia e vivendo do imposto de renda meu e seu — não muito pior do que ter um genuíno Homem Forte, como Hitler ou Mussolini — como Napoleão ou Bismarck nos bons e velhos tempos — e tê-los de fato a 'dirigir' o país e fazer dele eficiente e próspero outra vez. Em outras palavras, ter um médico que não ature boca dura e sim mande no paciente e o faça se curar, quer ele queira, quer não!" (Pág. 25). Após a eleição a população assiste incrédula às primeiras medidas do governo que ignora completamente o Congresso e transforma o regime em uma ditadura totalitarista, similar ao crescimento do nazismo e fascismo na Europa. O país se vê rapidamente mergulhado em um pesadelo de proporções assustadoras com perseguições políticas, tortura, campos de concentração, implantação de uma força militar paralela (os absurdos e temidos "Minute Men" - MM's) e até mesmo um plano de invasão ao México para ganhar maior apoio político interno. O jornalista liberal Doremus Jessup é o protagonista que irá sofrer os efeitos do novo governo no seu cotidiano e de sua família e criará uma rede de conspiradores contra o governo. "Agora podia ser propalado ao mundo, como decididamente o foi, que o desemprego, sob o benevolente reinado do presidente Berzelius Windrip, praticamente desaparecera. Quase todos os homens sem emprego foram reunidos em gigantescos campos de trabalho, subordinados a oficiais MM. Suas esposas e filhos os acompanhavam e se incumbiam de cozinhar, limpar e costurar. Os homens não se limitavam a trabalhar em projetos do Estado; também eram contratados por empregadores privados ao razoável soldo de um dólar por dia. Claro, tão egoísta é a natureza humana, mesmo em Utopia, que isso levou a maioria dos patrões a dispensar aqueles para quem vinham pagando mais de um dólar diário, mas isso se resolveu por si só, pois esses descontentes bem remunerados, por sua vez, foram forçados a ficar nos campos de trabalho. De seu dólar diário, os trabalhadores nos campos tinham de pagar entre setenta e noventa centavos diários por cama e comida." (Pág. 172) Definitivamente não é o melhor livro do autor, "Babitt" de 1922, uma sátira da classe média norte-americana, é normalmente apontado pela crítica como sua obra mais relevante. No entanto, "Não vai acontecer aqui" torna-se uma leitura indispensável em nossos dias devido às ameaças que ocorrem em todo o mundo contra os ideais de liberdade e democracia, tão duramente conquistados. Tomara que os dons visionários de Sinclair Lewis não se comprovem e que tudo isso permaneça para sempre como apenas mais uma distopia no inocente campo da ficção.

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    Harry Sinclair Lewis

    Escritor e crítico social norte-americano, conhecido pelos trabalhos satíricos e documentários, Sinclair Lewis foi o primeiro do seu país a receber o Prêmio Nobel de Literatura, em 1930. Nasceu em Sauk Centre, Minnesota e, em 1902, entrou para a Universidade de Yale e, em 1907, para a comunidade Helicon Hall, onde conhece o escritor Upton Sinclair e os filósofos William James e John Dewey. Sua obra mais famosa é <i>Babbitt</i> (1922), história de um empresário de meia-idade submetido ao espírito conformista de seu meio. O nome do personagem principal virou sinônimo de provincianismo e conservadorismo. Outros livros de sucesso são <i>Arrowsmith</i> (1925), uma sátira à medicina, <i>Elmer Gantry</i> (1927), crítica ao fanatismo religioso e à hipocrisia e <i>Dodsworth</i> (1929), que narra os contrastes de valores entre a América e a Europa por intermédio das experiências de um homem de negócios e da sua mulher durante a sua primeira viagem ao Velho Mundo.

    47 Livros
    7 Seguidores
    Minnesota, EUA

    Harry Sinclair Lewis