Juan Rulfo é tipo um Ariano Suassuna do México. Sua pegada é a mesma: histórias que giram em torno da cultura regional de um povo sofrido do sertão/deserto, salpicado de fantasia e eventual humor inteligente, que não deixa de ter forte crítica social. Esse livro em particular possui diversos contos e uma grande história, a de Pedro Páramo, que é uma doideira. Ela não segue uma linha do tempo e sequer uma linha de raciocínio, já que pula de um núcleo de personagens para outro e de primeira para terceira pessoa o tempo todo. Mas faz sentido depois que você pega o jeito, fique tranquilo. A trama inicia com Juan Preciado, que depois da morte de sua mãe, decide procurar seu pai, Pedro Páramo, quem nunca conheceu, na cidade de Comala. Logo descobre que ele morreu há anos. A história poderia terminar aí, mas Juan vai conhecendo ao longo do percurso um monte de gente ligada a história de seus pais, enquanto diversas coisas malucas e sobrenaturais vão acontecendo. Esse é o tipo de literatura para quem está cansado "do mesmo" e quer se aventurar numa história sem pé nem cabeça, mas que faz todo o sentido.
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