Antes de mais nada, devo confessar que não esperava muita coisa deste livro. Para falar a verdade, comprei por puro impulso e por amar livros de fantasia mesmo quando eles são clichês e um pouco batidos. Heart of Thorns não é nada inovador, mas é melhor do que eu esperava, ainda que seja só por eu não esperar praticamente nada. É uma fantasia comum e previsível, mas até que foi competente.
A escrita da autora foi a parte que mais me incomodou no livro. A narrativa não flui tão bem, é cheia de metáforas e comparações evasivas e poéticas demais, além de ter descrições de sensações da protagonista que são aleatórias e mal explicadas (mais no começo do que no final). Acho que teria sido melhor se o livro fosse escrito na primeira pessoa, porque a distância entre a narrativa e a Mia foi completamente desnecessária e me manteve ainda mais desconectada dela. Toda a confusão de Mia teria ficado mais convincente se eu tivesse passado por ela junto de Mia, não a um passo para trás como a narrativa na terceira pessoa me fez sentir.
Outra coisa que precisava ser bem melhor é a criação do mundo. O mapa é maravilhoso, merecia um mundo maravilhoso. Os nomes e termos de tudo são tão aleatórios, que foi impossível não achar até engraçado, principalmente em frases como "How is the minha zopa?" Provavelmente é por se parecer tanto com português, mas também por ser tão aleatório. Por exemplo, o nome do país dela, Glas Ddir. Não me remete a absolutamente nada e foi difícil de imaginá-lo como um país real.
A trama é basicamente uma jornada de herói de uma garota numa sociedade que oprime absurdamente as mulheres a ponto de tratá-las como objetos e algumas como demônios. Acho esse tipo de ideia super válido, mas algumas coisas me incomodaram. Por exemplo, o jeito que usaram ameaças de estupro. Ainda que não tenha sido algo leviano, como já vi acontecer em outros livros, achei mal colocado e cruel por isso mesmo. O feminismo do livro é o mínimo só, não deveria ser vendido assim, mas é melhor do que um livro misógino, né?
O príncipe Quin foi uma surpresa, mas esperava mais química entre ele e Mia. O romance é bacana, só que podia ter sido mais emocionante. Também achei que as gwyrachs, essas criaturas que a autora criou para o livro, têm um nome interessante mas são mais ou menos iguais a várias outras que eu já vi em outros livros. Mas acho que talvez esteja na hora de eu falar sobre as coisas que gostei na história?
O final é muito interessante! Tem uma super reviravolta inesperada que me deixou muito animada para o próximo livro! Quero muito descobrir o que vai acontecer! Ainda é só uma fantasia comum e previsível na sua maior parte, mas eu já disse que adoro livros assim? Só recomendo se você for como eu, que precisa de livros de fantasia assim de vez em quando, mesmo que não sejam livros que vão mudar sua vida. Mas, se você quer ler uma fantasia marcante, esta não é a história para você.